Fotossíntese no escuro? Cientistas descobrem o mínimo de luz necessária

Pesquisadores identificaram microalga no Ártico que consegue crescer a 50 metros de profundidade; veja como isso pode impactar a agricultura.
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Imagem: Ostariyanov/Shutterstock

A gente aprendeu nas aulas de Biologia que as plantas “se alimentam” e geram energia através de um processo chamado fotossíntese. Aprendemos também que os vegetais precisam de luz para tal.

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Existem até algumas exceções. São espécies que não possuem clorofila (e por isso não são verdes e morrem rápido) ou ainda alguns tipos de plantas-parasitas. Mas, no geral, a regra é sempre a mesma: sem luz, não há fotossíntese.

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O que os cientistas se indagam agora é o quanto de luz uma planta precisa para sobreviver. No papel, eles tinham até chegado a um número, mas isso nunca havia acontecido na vida real. Até agora.

Pesquisadores alemães identificaram microalgas no Oceano Ártico que realizam fotossíntese quase no escuro. Elas vivem a uma profundidade de 50 metros, ou seja, bem distante da superfície e dos raios solares.

Essas microalgas vivem nas profundezas geladas do Oceano Glacial Ártico – Imagem: Incredible Arctic/Shutterstock

Um pequeno feixe de luz

  • Para medir a quantidade de luz, os cientistas levaram sensores ao local.
  • E a quantidade de luz aferida assustou os pesquisadores.
  • Foram apenas 0,04 micromoles de fótons m⁻²/s⁻¹.
  • O número se aproximou muito do que simulações de computador já mostraram (mas que ninguém tinha comprovado até agora no mundo real).
  • Para você ter uma ideia, um dia de sol em local aberto costuma marcar entre 1.500-2.000 micromoles de fótons m⁻²/s⁻¹.
  • Sim, é uma diferença de 0,04 para 2.000!
  • Os cientistas defendem a realização de novas pesquisas para entender se outras plantas possuem as mesmas características.
  • Principalmente aquelas que servem de alimento para nós, humanos.
  • Segundo eles, esse artigo pode ser um grande aliado para a agricultura e a sustentabilidade.
A descoberta pode ter importantes aplicações não só na agricultura, mas também em outras áreas – Imagem: KarlosWest /Shutterstock

Como a descoberta pode ajudar a agricultura

Plantações em ambientes fechados são caras e consomem muita energia. E esse novo estudo tem potencial para atenuar esses dois fatores.

Se as plantações puderem ser projetadas para realizar fotossíntese em intensidades de luz mais baixas – sem comprometer coisas como rendimento, sabor ou cheiro – a demanda de energia para iluminação artificial poderia ser reduzida.

Isso reduziria, por sua vez, custos, um benefício que poderia ser repassado aos clientes, e também ajudaria a cortar emissões de carbono.

Além disso, aprender mais sobre o cultivo com pouca luz pode ser determinante para as missões espaciais de longo prazo. Ou ainda para futuros assentamentos em outros planetas (por que não?).

Você pode ler o estudo na íntegra na revista Nature Communications.

As informações são do Live Science.

Bob Furuya
Bob Furuya

Roberto (Bob) Furuya é formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atua na área desde 2010. Passou pelas redações da Jovem Pan e da BandNews FM.

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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