Milhões de jovens continuam usando redes sociais na Austrália, apesar da proibição

Um relatório do órgão regulador de segurança online do país mostra falhas graves na fiscalização por parte das plataformas
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Imagem: BearFotos/Shutterstock

A decisão do Parlamento australiano de proibir menores de 16 anos de acessarem as redes sociais foi histórica. Apesar das críticas por parte das próprias plataformas, muita gente apoiou a nova legislação. Essa parcela da sociedade entende que a exposição exagerada ao ambiente digital pode prejudicar a saúde mental dos nossos jovens. Não só deles, mas esse foi um primeiro passo.

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A aprovação ocorreu em novembro do ano passado e a lei entra em vigor apenas um ano depois, ou seja, em novembro de 2025. As empresas terão esse período para se adaptarem às novas regras. E isso não será nada fácil, como acaba de mostrar um relatório do eSafety, o órgão regulador de segurança online da Austrália.

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De acordo com o documento, as mídias sociais não têm controle hoje nem sobre o menores de 13 anos — quiçá os menores de 16. Muitas das plataformas não permitem que crianças com menos de 13 criem contas em seus servidores. A fiscalização, no entanto, é extremamente falha.

O levantamento do eSafety revelou que 80% dos australianos de 8 a 12 anos usaram pelo menos uma rede social em 2024. Isso equivale a aproximadamente 1,3 milhão de crianças e pré-adolescentes.

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As plataformas estão preocupadas com a possibilidade de outros países seguirem o exemplo da Austrália – Imagem: Viktollio/Shutterstock – Imagem: Viktollio/Shutterstock

Falta de controle e fiscalização

  • O órgão analisou dados referentes às 8 principais plataformas de mídias sociais, entre elas o Instagram, o Facebook, o Discord, o TikTok e o Snapchat.
  • E todas elas apresentaram falhas graves.
  • A principal crítica do órgão de fiscalização diz respeito aos formulários de inscrição.
  • Todos eles se baseiam na autodeclaração de idade e, convenhamos, isso é muito fácil de burlar.
  • Outro ponto importante é que não há nenhuma outra ferramenta para verificar a faixa etária e barrar eventuais “espertinhos”.
  • Segundo a comissária de segurança eletrônica da Austrália, Julie Inman Grant, isso é um problema para as empresas, pois a responsabilidade cairá sobre elas.
  • A legislação não prevê punição aos pais ou às crianças — apenas as plataformas serão responsabilizadas.
  • Grant disse que as big techs devem se mexer e encontrar soluções para essa questão.
  • Entre as sugestões apresentadas por elas estão: determinar a idade por meio de análise facial, comportamento online ou escolha de palavras.
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Essa é uma realidade em todo o mundo: os jovens não tiram os celulares das mãos – Imagem: Zivica Kerkez/Shutterstock

O que dizem as plataformas

Nos bastidores, as gigantes do setor continuam insatisfeitas com a legislação e buscam o adiamento das novas regras. Outra preocupação é que mais países se inspirem nesse formato e também resolvam adotá-lo, como num efeito dominó.

A principal crítica é com a letra da lei. O dispositivo exige que as plataformas tomem “medidas razoáveis” para impedir que menores de 16 anos se inscrevam. Para as companhias, esse termo “medidas razoáveis” é muito amplo e subjetivo.

Em resposta a sites gringos, como a Bloomberg e a Reuters, a Meta afirmou que “continua investindo em IA e outras tecnologias para resolver esse problema”. Acrescentou que a empresa apoia experiências online adequadas à idade das crianças, mas que deveria ser responsabilidade das lojas de aplicativos impor restrições de idade.

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Já um porta-voz do TikTok disse que a segurança de seus usuários é a maior prioridade da empresa e que, desde 2023, a ByteDance usou ferramentas de detecção de idade para remover mais de 1 milhão de usuários australianos suspeitos de terem menos de 13 anos.

As informações são da Bloomberg.

Bob Furuya
Bob Furuya

Roberto (Bob) Furuya é formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atua na área desde 2010. Passou pelas redações da Jovem Pan e da BandNews FM.

Ana Luiza Figueiredo
Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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