30 anos de internet comercial no Brasil: o que mudou desde então?

Até o fim dos anos 1980, apenas instituições educacionais podiam acessar rede por meio do sistema RNP (Rede Nacional de Pesquisa)
Bandeira do Brasil em cima de uma tecla de teclado de computador
Há 30 anos, a rede online era bem diferente (Imagem: Alexander Mak/Shutterstock)

Nesta quinta-feira (1), a internet comercial completa 30 anos de existência no Brasil. Foi nesse dia que a Embratel, então estatal, permitiu que a população brasileira acessasse a web. Antes disso, foram 250 usuários que participaram de testes.

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Até o fim dos anos 1980, apenas instituições educacionais podiam acessar a internet por meio do sistema RNP (Rede Nacional de Pesquisa).

Surgimento da internet

  • Os primeiros esboços de uma grande rede que conectasse computadores e outros dispositivos sem fio que estivessem distantes começaram em 1960, no ápice da Guerra Fria;
  • Mais especificamente, foram os Estados Unidos que começaram o projeto, chamado Arpanet, rede de computadores do Departamento de Defesa estadunidense;
  • Até os anos 1980, a internet evoluiu bem, mas foi com a criação da World Wide Web (WWW) por Tim Berners-Lee em 1989, que a estrutura que temos atualmente foi moldada.

No século XXI, em pleno 2025, o que vemos é uma grande quantidade de navegadores, mecanismos de busca, redes sociais, anúncios… e, claro, a inteligência artificial (IA).

Ícones de aplicativos das big techs Google, Microsoft, Amazon, Apple e Meta numa pasta na tela inicial de um iPhone
No século XXI, big techs, redes sociais e IA dominam a rede (Imagem: Poetra.RH/Shutterstock)

Usuários brasileiros

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dados de agosto de 2024 dão conta de que a internet esteve presente em 92,5% (72,5 milhões) dos lares brasileiros no ano anterior.

Quanto à proporção de pessoas com dez anos ou mais que se conectaram, o total foi de 88%. Em 2016, essa quantia era de 66,1%.

Domínios com final “.br” também explodiram em existência: hoje, são mais de 5,4 milhões ante menos de mil em 1996.

Essa quantidade absurda de domínios é gerida pelo NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), instituição sem fins lucrativos subordinada ao CGI.br (Comitê Gestor da Internet). Outras funções, como criação de diretrizes e estudos, também estão no escopo da entidade.

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Mudanças à vista

O CGI.br pode passar por reformulação em sua composição. Hoje, ele é formado por nove pessoas do governo, quatro do setor empresarial, quatro do terceiro setor, três da comunidade científica e um de notório saber em internet.

As mudanças podem chegar com o projeto de lei 4.557/2024, do deputado Silas Câmara (Republicanos/AM), atualmente sob apreciação da Comissão de Comunicação. A ideia é centralizar as operações brasileiras da internet na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Queda de braço

A cada dia que passa, as redes sociais e as big techs passam a ter mais e mais relevância e controle sobre a internet. No Brasil e no mundo, são várias as discussões em torno do tema, de modo a “segurar as rédeas” da tecnologia e suas empresas — e isso também inclui a IA.

Em terras tupiniquins, o deputado Câmara tem outro projeto; esse em conjunto com Dani Cunha (União/RJ) que versa sobre a regulação das redes sociais. O Supremo Tribunal Federal (STF) também julga texto similar: se as big techs devem ou não ser responsabilizadas por publicações ofensivas e danos causados a terceiros.

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A versão nacional do grupo de pressão global constituído por gigantes, como Amazon e Google, chamado de Internet Society, defende que as normas sejam estritas pelas próprias empresas, pois teme que regulações mal formuladas comprometerão o bom funcionamento da rede.

“Seria como fazer uma intervenção cirúrgica para um problema no joelho e evitar, ao máximo, a perna inteira”, disse a diretora do Internet Society Brasil, Paula Bernardi, à Folha de S.Paulo.

E não nos esqueçamos da IA, fala à Folha o professor de ciência da computação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Diogo Cortiz. O especialista alerta que o avanço dessa fascinante tecnologia fará com que a internet fique cada vez mais centralizada nas plataformas vencedoras da disputa mercadológica.

Tecla de um teclado de computador com os dizeres ".br"
Domínio “.br” explodiu desde o começo da internet comercial brasileira (Imagem: jurgenfr/Shutterstock)
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“A tecnologia vai reduzir cada vez mais a importância de se pensar na navegação pelas páginas descentralizadas, porque os grandes modelos de linguagem [LLMs, na sigla em inglês], como no caso dos buscadores, já começam a responder diretamente às perguntas“, pontua.

Para o professor Hartmut Glaser, do CGI.br, “não é o fim da internet, mas é o fim da internet que nós, como pioneiros, participamos da criação. Ela deveria ser aberta, universal, escalável, neutra e está perdendo exatamente essas características da sua infância”.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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