Por que seu cérebro fica antissocial com o passar do tempo

Estudo revelou que mudanças estruturais ocorridas no cérebro ao longo da vida são as responsáveis pelo menor interesse nas interações sociais
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Imagem: mi_viri/Shutterstock

Um novo estudo realizado pela Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, analisou porque as pessoas tendem a se tornar mais antissociais com o passar do tempo. E a conclusão é que isso não tem nenhuma relação com o comportamento individual de cada um.

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De acordo com os pesquisadores, a causa são alterações na conectividade funcional entre áreas cerebrais. Em outras palavras, mudanças estruturais ocorridas no cérebro ao longo da vida são as responsáveis pelo menor interesse nas interações sociais.

Comportamento antissocial pode ter relação com o cérebro (Imagem: fizkes/Shutterstock)

Áreas do cérebro envolvidas no processamento de emoções negativas prevaleceram

Durante o trabalho, os cientistas analisaram 196 participantes com idades entre 20 e 77 anos. Todos passaram por exames e responderam a um questionário sobre traços de personalidade, incluindo um indicador de sociabilidade. Estas respostas definiram a capacidade de se comunicar, manter interações sociais e lidar com emoções nesses contextos.

As conclusões foram que as áreas do cérebro envolvidas no processamento de emoções negativas e da chamada “dor social”, como a exclusão ou a rejeição, apresentaram maior número de conexões com o passar dos anos.

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Mudanças estruturais ocorridas no cérebro foram verificadas (Imagem: Alexander Supertramp/Shutterstock)

Isso significa que, com a idade, há uma reorganização funcional que pode tornar as pessoas mais sensíveis a interações sociais negativas e menos aptas a interpretar ou responder a situações sociais de forma espontânea.

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Pessoas tendem a se tornar mais antissociais com o passar do tempo (Imagem: PeopleImages.com – Yuri A/Shutterstock)

Resultados do estudo foram contestados por outros cientistas

  • Um dos principais pontos de discussão é a distribuição etária dos participantes.
  • Isso porque a média de idade dos participantes era de cerca de 38 anos, e havia faixas etárias pouco representadas, como os maiores de 70.
  • Outra questão levantada é que o trabalho não acompanhou os pacientes ao longo do tempo.
  • Para os críticos, isso torna impossível afirmar se o cérebro está mudando e provocando o isolamento, ou se ele está apenas refletindo os efeitos prolongados do isolamento já vivido.
  • Por fim, os responsáveis pela pesquisa não investigaram as condições clínicas ou psíquicas dos participantes.
  • Dessa forma, alguns participantes podiam ter depressão, transtornos de ansiedade, ou mesmo estar nos estágios iniciais de quadros demenciais, como Alzheimer.
Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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