Pesquisadores investigam riscos das “bolas de fogo” no céu do Halloween

Fragmentos gigantes da chuva de meteoros Táuridas podem colidir com a Terra? Cientistas examinam as "bolas de fogo" do Halloween
Representação artística da chuva de meteoros Táuridas, que produz as famosas
Representação artística da chuva de meteoros Táuridas, que produz as famosas "bolas de fogo de Halloween" – com a bruxinha para brincar com o tema. - Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini

Um artigo publicado na revista Acta Astronautica analisou a chuva de meteoros Táuridas, famosa por suas bolas de fogo no céu durante o Halloween (31 de outubro), para investigar se a corrente de detritos espaciais poderia incluir fragmentos maiores capazes de representar risco de impacto à Terra.

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Essa chuva recebe o nome de Táuridas porque os meteoros parecem surgir da direção da constelação de Touro. O fenômeno é melhor observado em locais com céu escuro e pouco poluído, como desertos e áreas afastadas de cidades. 

Sobre a chuva de meteoros Táuridas:

  • Meteoros são rastros de luz que surgem quando partículas de poeira e rochas espaciais entram na atmosfera da Terra e se queimam devido ao atrito;
  • Na chuva Táuridas, esses fragmentos vêm do cometa Encke, que deixou um rastro de detritos ao longo de sua órbita;
  • Essa corrente cruza a Terra à noite, entre outubro e novembro, e durante o dia, em junho, quando recebem o nome de Beta Táuridas.
Chuva de meteoros Táuridas do Sul vista em outubro de 2020 sobre a Estação Bharati, na Antártica, acompanhada das luzes da aurora austral, com Marte à direita. Crédito: Ankush Magotra/Reprodução X – Crédito: Ankush Magotra/Reprodução X

Chuva de meteoros Táuridas pede atenção em 2032 e 2036

O estudo focou no risco de impactos de objetos maiores dessa chuva Esses agrupamentos, chamados de enxames ressonantes, podem se formar devido à gravidade de Júpiter, que concentra fragmentos em determinadas regiões da órbita. Caso existam, eles aumentariam a densidade de detritos que a Terra pode encontrar, elevando o potencial de colisões.

Segundo os pesquisadores, a Terra poderá atravessar essas regiões mais densas em datas específicas, elevando o risco de impactos com objetos próximos da Terra (NEOs). Os períodos de maior atenção previstos são 2032 e 2036, quando o hipotético enxame poderia se aproximar do planeta.

A maior parte dos NEOs é pequena e se desintegra na atmosfera, produzindo as bolas de fogo que todos podem observar no Halloween. Porém, objetos maiores podem gerar explosões aéreas significativas, como o meteoro de Chelyabinsk em 2013, que liberou energia equivalente a meio megaton de TNT, ou o evento de Tunguska, em 1908, que foi dez vezes mais potente.

A equipe utilizou dados de observações recentes e modelos teóricos para estimar a densidade e o comportamento do enxame ressonante. Evidências indiretas, como bolas de fogo muito brilhantes e impactos detectados na Lua, apoiam a hipótese de que tais agrupamentos podem existir. Telescópios poderão monitorar os objetos em 2032 e 2036, avaliando o risco real de colisão.

Mesmo com um enxame concentrado, a probabilidade de impacto direto continua baixa. A detecção antecipada é fundamental: instrumentos como o telescópio infravermelho NEO Surveyor poderão identificar objetos com antecedência, oferecendo tempo para medidas preventivas caso necessário.

Além do aspecto técnico, o estudo alerta sobre desinformações que circulam em redes sociais e na mídia sensacionalista. Boatos exageram a ameaça de enxames de meteoros, sugerindo catástrofes globais sem base científica. O professor Mark Boslough, da Universidade do Novo México (UNM), especialista em defesa planetária e líder do estudo, já desmentiu alegações de explosões aéreas antigas e de efeitos climáticos catastróficos ligados à chuva Táuridas.

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Mark Boslough mostra o meteorito Tsarev, que caiu na Rússia em 6 de dezembro de 1922, no chão de um laboratório de meteorítica em Ecaterimburgo, onde meteoritos recém-caídos de Chelyabinsk estavam sendo analisados. Crédito: Mark Boslough

Em um comunicado, Boslough enfatiza que os riscos devem ser entendidos em perspectiva, assim como outros fenômenos naturais, como terremotos, vulcões e tempestades, por exemplo. Em Chelyabinsk, a maioria dos ferimentos ocorreu por estilhaços de vidro, quando pessoas correram para observar o clarão. A orientação é afastar-se das janelas e não olhar diretamente para a explosão.

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Para quem quer apenas observar o fenômeno, o céu oferece um espetáculo único. As Táuridas atingem o pico entre o fim de outubro e o início de novembro, com maior atividade após as 2h da manhã, quando a constelação de Touro está alta. Após a Superlua de 5 de novembro, o céu escuro favorece a visualização das bolas de fogo cruzando a paisagem celeste.

Um app de observação, como Stellarium, Star Walk ou Sky Safari, pode ajudar a encontrar a constelação de Touro, aumentando as chances de ver “estrelas cadentes” – e não se esqueça de fazer o seu pedido, como manda a tradição. Boa sorte!

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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