Golpe do amor ainda é um problema? Saiba como se proteger, inclusive nos apps de namoro

Com a popularização da inteligência artificial, o golpe do amor ganhou novas formas e continua fazendo vítimas dentro e fora dos apps de namoro
Mulher faz sinal de segredo
Imagem: Dean Drobot / Shuttestock

Em julho, uma aposentada de 62 anos no Distrito-Federal acreditava estar se envolvendo virtualmente com um homem que dizia trabalhar no Alasca e que tinha uma filha com câncer. Segundo o G1, ela chegou a transferir cerca de R$ 50 mil antes de descobrir que tudo não passava de golpe.

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Já no início deste ano, na França, uma mulher descobriu que “namorava” Brad Pitt (ou ao menos, um perfil que usava a imagem dele) e perdeu cerca de R$ 5 milhões para um golpista que utilizava imagens criadas por inteligência artificial.

Os casos evidenciam que o chamado “golpe do amor” não é apenas um fenômeno isolado. Pelo contrário, ele permanece ativo, adaptando-se às novas tecnologias.

Sites de relacionamento são o ponto de partida para o golpe, é preciso estar atento aos detalhes que podem denunciar um perfil falso. (Imagem: Freepik)

Mas isso significa que o crime acabou ou mudou de formato? A seguir: o que os números mais recentes revelam, como os golpistas se reinventaram e o que você precisa saber para não virar a próxima vítima.

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O que é o golpe do amor?

O nome pode soar romântico, mas o “golpe do amor” está longe de ter final feliz. Ele é o termo usado para descrever a estratégia em que criminosos fingem interesse afetivo – seja em aplicativos de namoro, redes sociais ou até mensagens privadas – para enganar e extorquir vítimas emocional ou financeiramente.

Na prática, o golpe pode assumir duas formas principais: a versão virtual ou a presencial. Entenda as diferenças a seguir!

A versão virtual (ou “estelionato amoroso”)

É o caso mais comum, e também o tipo que atingiu a aposentada de 62 anos do Distrito Federal e a francesa que acreditava namorar Brad Pitt.

Brad Pitt
Francesa que acreditava namorar Brad Pitt perdeu cerca de R$ 5 milhões no golpe. Foto: Featureflash Photo Agency/Shutterstock

Aqui, o criminoso constrói uma relação falsa, com longas conversas, fotos e juras de amor até convencer a vítima a transferir dinheiro para resolver algum “problema urgente”.

Em geral, o criminoso diz precisar de ajuda para pagar uma cirurgia, liberar uma encomenda, comprar passagens ou custear uma emergência familiar. Nesse tipo de golpe, não há sequestro, mas há manipulação emocional.

A versão presencial (que inclui sequestro)

Em São Paulo, o termo ganhou outro significado. Ele costuma se referir a encontros combinados por aplicativos de namoro que terminam em sequestro-relâmpago.

O perfil falso atrai a vítima para um local isolado, onde comparsas a rendem e a obrigam a fazer transferências via PIX, saques ou entregas de senhas bancárias.

Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), na capital houve uma redução de aproximadamente 54% dos registros em 2023 em relação a 2022 — e, entre janeiro e junho de 2024, foram contabilizados apenas dois casos oficialmente.

Em comum, os dois tipos exploram o mesmo ponto fraco: a confiança e a esperança de viver uma história de amor. E é justamente isso que torna o golpe tão perigoso: ele mistura emoção com tecnologia, o que dificulta perceber os sinais de alerta a tempo.

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Cuidado com as tentações, ou promessas irrecusáveis, podem ser falas ou iscas (Foto: Freepik)

Como se proteger do golpe do amor

Embora cada caso tenha suas particularidades, existem sinais de alerta que costumam se repetir – tanto nos relacionamentos que começam pela internet quanto nos encontros presenciais. Saber reconhecê-los é o primeiro passo para evitar prejuízos emocionais e financeiros.

Quando o relacionamento é virtual

  1. Desconfie de histórias muito trágicas ou emocionais. Golpistas costumam usar situações de emergência (doença, herança e carga presa no exterior) para justificar pedidos de dinheiro.
  2. Nunca envie dinheiro ou dados bancários. Nenhuma relação legítima começa com transferências ou PIX.
  3. Verifique a identidade. Faça uma busca reversa de imagem (no Google ou Google Lens) e veja se as fotos aparecem em outros perfis.
  4. Converse por vídeo antes de se envolver. Se a pessoa sempre recusa chamadas de vídeo, é um forte sinal de alerta.
  5. Desconfie de perfis muito “perfeitos”. Muitos criminosos usam fotos de modelos, militares estrangeiros ou celebridades. E, atualmente, com a criação de imagens com a inteligência artificial ficou ainda mais fácil se passar por outra pessoa.
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Mulher preocupada no celular
Criminosos exploram a confiança em relacionamentos virtuais para aplicar golpes. Imagem: Povozniuk / iStock

Quando o encontro é presencial

  1. Marque encontros apenas em locais públicos e movimentados. Evite lugares isolados ou pouco conhecidos.
  2. Avise um amigo ou familiar. Compartilhe a localização em tempo real e combine um horário para mandar notícias.
  3. Não aceite caronas nem mudanças de local de última hora. Esse é um dos truques mais comuns das quadrilhas.
  4. Fique atento a comportamentos suspeitos. Se algo parecer estranho, saia imediatamente e acione o 190.
  5. Evite expor sua rotina nos apps. Informações como endereço, carro, profissão ou lugares que frequenta facilitam a ação de golpistas.

Se perceber que caiu em um golpe, não apague as conversas nem as provas: prints, áudios e mensagens podem ajudar na investigação. Procure imediatamente a delegacia mais próxima ou registre um boletim de ocorrência eletrônico. Nos casos com ameaça, sequestro ou violência, ligue para a Polícia Militar no 190.

Marcelo Valladão
Marcelo Valladão

Marcelo Valladão é jornalista formado pela FIAM.Tem 20 anos no mercado, gosta de escrever sobre tecnologia, internet e mundo retrô. Atualmente é colaborador do Olhar Digital.

Layse Ventura
Layse Ventura

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

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