Europa aumenta em 30% o orçamento espacial para os próximos três anos

Agência espacial europeia obtém grande quantidade de dinheiro para investir em lançamentos, satélites e defesa espacial
Por Matheus Chaves, editado por Bruno Capozzi 28/11/2025 17h53
ESA
A Agência Espacial Europeia (ESA) é o órgão que irá utilizar os recursos, pois atua como um organismo intergovernamental nos quais os programas científicos obrigatórios são financiados por cada país de acordo com a dimensão da sua economia (Imagem: Kittyfly/Shutterstock)
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Nesta quinta-feira (27), as nações europeias aprovaram um orçamento de € 22,1 bilhões (cerca de R$ 136,7 bilhões) para gastos com o espaço durante o período de 2026 e 2028. O aumento representa cerca de 30% a mais do que os € 16,9 bilhões (aproximadamente R$ 104,5 bilhões) destinados para investimentos entre os anos de 2023 e 2025.

Dessa maneira, os 23 países membros da Agência Espacial Europeia (European Space Agency – ESA) devem contribuir com aproximadamente 22 bilhões para o financiamento de satélites, lançamentos e programas de pesquisas.

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A ideia é competir com nações que já têm investimentos avançados na área (Imagem: T. Schneider/Shutterstock)

Em coletiva de imprensa, depois de dois dias de conversas ministeriais em Bremen, Josef Aschbacher, diretor-geral da ESA, disse que o fato de os países membros terem aceitado o pedido da agência foi algo histórico, pois segundo ele, isso nunca aconteceu antes. 

Além disso, o aumento do orçamento é um sinal de confiança e de ambição renovada para que a Europa dispute de igual para igual com os Estados Unidos, China e empresas privadas na corrida espacial. 

Prioridades: lançamentos, observação da Terra e maior autonomia estratégica

Estrelas e planetas vistos a quilômetros de distância da superfície da Terra
Nos investimentos são importantes para o avanço o avanço científico e tecnológico europeu
(Imagem: annussha/Shutterstock)

O montante aprovado inclui € 4,4 bilhões para transporte espacial, o que representa um aumento de aproximadamente 20% em relação ao investimento anterior e € 3,5 bilhões para programas de observação terrestre, cerca de 16% a mais.

A decisão evidencia o crescente reconhecimento de que o espaço deixou de ser puro campo de pesquisa para se tornar um setor crucial de economia, segurança e soberania tecnológica. A recente guerra na Ucrânia e o consequente reordenamento geopolítico reforçaram a urgência de reduzir a dependência europeia de lançamentos e satélites de origem estrangeira.

Importante notar: o novo orçamento não contempla a missão climática TRUTHS — liderada pelo Reino Unido e que tem como objetivo proporcionar um observatório climático com base em satélite — após a desistência britânica por razões orçamentárias.

Matheus Chaves
Colaboração para o Olhar Digital

Matheus Chaves é colaboração para o olhar digital no Olhar Digital

Bruno Capozzi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, tendo como foco a pesquisa de redes sociais e tecnologia.