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Com o fim dos 43 dias de paralisação do governo dos EUA, a NASA tem divulgado aos poucos os dados acumulados durante o período. Entre eles, estão imagens da Terra e da Lua enviadas pela sonda OSIRIS-APEX, que viaja pelo espaço para encontrar o asteroide 99942 Apophis, considerado um potencial “destruidor de cidade”, quando a rocha fizer uma passagem próxima do planeta em abril de 2029.
De acordo com um comunicado da NASA, as imagens fazem parte de uma manobra essencial para a missão. Em 23 de setembro, a espaçonave passou a poucos milhares de quilômetros da Terra para aproveitar a força gravitacional do planeta e “tomar impulso”. Durante esse sobrevoo, a sonda conseguiu registrar a atmosfera, os oceanos e parte dos continentes com uma nitidez rara.

No dia seguinte, já se afastando, a sonda também capturou a Lua a quase 600 mil quilômetros de distância. Esse registro, que mostra o satélite brilhando contra o fundo escuro do espaço, comprova que as câmeras e outros instrumentos continuam funcionando perfeitamente após quase 10 anos de viagem.
Asteroide chega mais perto da Terra que satélites de TV
A OSIRIS-APEX é uma continuação da missão OSIRIS-REx, lançada em 2016, que entregou à Terra material do asteroide Bennu em 2023. A NASA decidiu direcionar a mesma espaçonave para Apophis, um asteroide metálico e rochoso que já foi considerado um risco real de colisão com a Terra. Estudá-lo oferece uma oportunidade única de comparar diferentes tipos de asteroides e entender melhor sua evolução.

O encontro de Apophis com a Terra daqui a pouco mais de quatro anos será a apenas 32 mil km, uma distância considerada muito curta – mais baixo que a órbita de satélites geoestacionários, que ficam a cerca de 36 mil km e são usados para telecomunicações e TV por satélite. Essa passagem pode modificar a superfície do asteroide, influenciar a rotação e até alterar a trajetória do objeto. Por isso, a chegada da OSIRIS-APEX logo depois permitirá observar efeitos que nunca foram registrados de forma direta.
Ao alcançar Apophis, a sonda deverá permanecer em órbita por cerca de 18 meses. Nesse período, irá mapear cada região da superfície, analisar a composição do material e registrar imagens de alta resolução. Parte dos testes inclui se aproximar a poucos metros do asteroide e usar os propulsores para levantar poeira e revelar camadas até então escondidas.

As imagens da Terra foram capturadas pelas câmeras MapCam e StowCam da OSIRIS-APEX, que registram fotos coloridas e vídeos de apoio à missão. Nos próximos anos, a sonda continuará enviando dados e, ao chegar a Apophis, produzirá as primeiras imagens detalhadas do asteroide “destruidor de cidade”. Esses registros ajudarão os cientistas a entender como esses objetos se comportam em encontros próximos, contribuindo para estratégias de defesa planetária.
Sonda OSIRIS-APEX, da NASA, sobrevoando a Terra enquanto viaja rumo ao asteroide “destruidor de cidade” Apophis. Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona/Lockheed Martin pic.twitter.com/DCVsyHGJHx
— Olhar Digital (@olhardigital) November 30, 2025
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Apophis causou alarde há 20 anos
Astrônomos detectaram a rocha espacial Apophis em 2004. Estimativas da época indicavam que a chance de colisão desse corpo com a Terra era de 2,7%, considerada de Nível 4 na escala Torino, a maior classificação já registrada. Cientistas o batizaram em referência ao deus egípcio do submundo, do caos e da destruição.
Equipes ao redor do globo acompanharam o trajeto desse corpo espacial no decorrer das últimas duas décadas. Em 2021, um estudo mostrou que as chances de impacto eram ainda menores do que se acreditava. A pesquisa confirmou que ele não colidirá com a Terra nos próximos 100 anos, o que levou à sua retirada das listas de risco.
“Tem havido muito trabalho de diversas pessoas para garantir que possamos dizer total e confiantemente que o Apophis passará pela Terra em segurança, sem dúvida alguma”, disse Richard Binzel, professor de ciência planetária do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, durante o Europlanet Science Congress 2025, que aconteceu em setembro em Helsinque, na Finlândia, segundo noticiado pelo site LiveScience.
Apophis será o primeiro asteroide potencialmente perigoso visível a olho nu – saiba mais aqui.