O verão começou no Brasil com dois sinais claros: o calor ganha força logo na largada e o comportamento da chuva será bastante desigual pelo país. Em suma: a estação deve ser mais irregular do que o normal.
Esse padrão combina dois movimentos. De um lado, episódios frequentes de calor intenso, sobretudo nas primeiras semanas da estação. De outro, chuvas mal distribuídas, com excesso em algumas áreas e déficit em regiões populosas, como parte do Sudeste e do Nordeste.
Um verão de contrastes: mais calor e chuva fora do lugar
A estação, que vai até 20 de março de 2026, tende a reforçar extremos típicos do período. Dias mais longos, maior incidência de sol e aquecimento do ar criam o ambiente ideal tanto para ondas de calor quanto para temporais pontuais, com risco de vento forte, granizo e raios.
Este verão deve ser marcado por ondas de calor e temporais pontuais no Brasil (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O detalhe é que esses eventos não devem ocorrer de forma homogênea. E isso faz toda a diferença no impacto regional.
Sul
Os estados da região têm previsão de chuvas acima da média, com destaque para o sudeste e sudoeste do Rio Grande do Sul, onde os acumulados podem superar o padrão histórico em até 50 mm no trimestre.
Mesmo assim, o calor não dá trégua: as temperaturas devem ficar acima da média durante boa parte do verão, especialmente no oeste gaúcho, com desvios de até 1 °C.
Sudeste
Esta aparece entre as regiões mais afetadas pela irregularidade. A previsão indica chuvas abaixo da média em praticamente toda a região, com acumulados que podem ficar até 100 mm abaixo do normal no trimestre.
Minas Gerais concentra parte desse déficit, especialmente no centro do estado, Zona da Mata, Vale do Rio Doce e Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Ao mesmo tempo, o calor deve se intensificar, com temperaturas até 1 °C acima da média, sobretudo nas primeiras semanas do verão.
Centro-Oeste
A chuva tende a se manter próxima da média na maior parte da região, com uma exceção importante: o oeste do Mato Grosso, onde os volumes devem ficar acima do padrão histórico. Já em Goiás, o sinal é oposto, com predominância de chuva abaixo da média.
Chuva deve ficar na média em boa parte da região, que também deve enfrentar calorão (Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
Em comum, quase todo o Centro-Oeste deve enfrentar temperaturas mais altas, com desvios que podem chegar a 1 °C acima da climatologia nos próximos meses.
Nordeste
O verão começa com um cenário mais seco em grande parte da região. Bahia, centro-sul do Piauí e áreas amplas de Sergipe, Alagoas e Pernambuco devem registrar volumes de chuva até 100 mm abaixo da média do trimestre.
Em contraste, o centro-norte do Maranhão, o norte do Piauí e o noroeste do Ceará escapam desse padrão e podem ter chuva próxima ou até acima do normal, mostrando como o regime será fragmentado dentro da própria região.
A região entra no verão com chuvas acima da média na maior parte dos estados, acompanhadas de temperaturas mais altas que o normal. Amazonas, Acre, Rondônia e o centro-sul do Pará devem sentir esse calor extra, com desvios de até 0,5 °C acima da média histórica.
As exceções ficam no sudeste do Pará e no Tocantins, onde a chuva pode ficar abaixo do esperado. Já no extremo norte, como Amapá e Roraima, a temperatura tende a ficar mais próxima do padrão climatológico.
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Já escreveu para sites, revistas e até um jornal. No Olhar Digital, escreve sobre (quase) tudo.