Aranhas fazem cópias de si mesmas para enganar predadores

Espécies de aranhas tecelãs usam réplicas de si próprias em suas teias, o que ajuda a confundir seus inimigos atacantes visuais
Aranha
Imagem publicada no estudo - Estabilimentos de aranhas do gênero Cyclosa identificadas em Tambopata, Peru (Crédito: Ecology and Evolution)

Cientistas da Universidade Nacional da Austrália (ANU) e da Universidade da Flórida documentaram um comportamento sofisticado em algumas espécies de aranhas do gênero Cyclosa: esses animais constroem versões falsas de seus próprios corpos diretamente nas teias, numa estratégia que pode aumentar suas chances de escapar de predadores.

Continua após a publicidade

Réplicas surpreendentemente realistas

Em estudos realizados em florestas tropicais, como partes da Amazônia peruana e nas encostas do Monte Kanlaon, nas Filipinas, cientistas observaram Cyclosa trabalhando cuidadosamente para montar silhuetas de si mesmas usando seda, fragmentos de folhas, restos de insetos e até partículas de solo. Essas construções, juntas com as teias, resultam em figuras que se assemelham a aranhas reais — inclusive sugerindo a forma de pernas e corpo — e ficam suspensas próximas ao centro da teia.

Leia mais:

Função possível: defesa contra predadores

Aranhas
A é uma aranha das Filipinas; C, D e E são aranhas encontradas no Peru; F faz parte de uma espécie desconhecida achada em Madagascar (Crédito: Ecology and Evolution)

Essas estruturas fazem parte de um grupo maior de formações decorativas em teias chamadas de estabilimentais, cuja função tem sido debatida por décadas pelos biólogos. Embora hipóteses anteriores sugerissem que essas decorações poderiam servir para evitar colisões com aves ou até atrair presas, as evidências atuais indicam que, no caso dessas Cyclosa, o principal benefício está na defesa contra predadores.

Predadores como libélulas-lanterna (helicopter damselflies) predam preferencialmente aranhas pequenas, e aves e lagartos podem desistir de atacar se perceberem um alvo maior ou mais difícil de dominar. Ao criar uma silhueta ampliada e semelhante à sua forma, a aranha pode enganar esses predadores e reduzir sua própria vulnerabilidade.

Estratégia ampla ou comportamento isolado?

Os pesquisadores descobriram esse padrão em várias espécies de Cyclosa em diferentes florestas, o que sugere que não se trata de um comportamento raro ou localizado, mas possivelmente um mecanismo evolutivo difundido entre esses aracnídeos.

O estudo foi publicado na revista Ecology and Evolution.

Matheus Chaves
Matheus Chaves

Matheus Chaves é redator(a) no Olhar Digital

Layse Ventura
Layse Ventura

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email