Lula defende rigidez em regulação universal da IA em entrevista à TV indiana

Presidente está em Nova Délhi (Índia) para participar da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial e cumprir outras agendas
Lula falando com um microfone na mão direita e com a mão esquerda apoiada sob o peito
Presidente deixou claro que os países precisam se unir para criar uma IA justa para todos (Imagem: Isaac Fontana/Shutterstock)

Nesta sexta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma entrevista exclusiva à India Today TV, onde falou, entre outros assuntos, sobre a regulação da inteligência artificial (IA).

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“Tem que ter uma regulamentação rígida. É por isso que nós achamos que essa regulação tem que ser feita numa instituição multilateral que tenha o tamanho das Nações Unidas. E ela tem que ser regulada para proteger, sobretudo, crianças, adolescentes e mulheres”, afirmou.

Lula está em Nova Délhi (Índia) para participar da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial e cumprir outras agendas.

Malhete em cima de uma mão humana; acima, a bandeira do Brasil
IA deve ser justa e fazer o bem para a humanidade, e não substituí-la, disse Lula (Imagem: RaffMaster/Shutterstock)

Lula comenta à TV indiana sobre IA

O presidente brasileiro ressaltou que a IA é importante, mas que, para tanto, precisa estar a serviço da sociedade e deve ajudá-la. “É importante levar em conta que a inteligência artificial é uma coisa extremamente importante para a humanidade, mas é preciso que ela esteja a serviço da sociedade e que ela possa fazer com que o povo possa melhorar de vida”, pontuou.

Ele também elencou que a tecnologia pode ser importante nas áreas da saúde e da educação, mas “precisamos tomar muito cuidado para que a inteligência artificial não substitua o trabalho do ser humano. Nós não podemos permitir que a inteligência artificial possua um dono ou dois donos. Quem tem que assumir a inteligência artificial é a sociedade“.

“Obviamente que você tem dois ou três donos de plataforma que não querem que haja nenhuma regulação. Mas se a gente não fizer uma regulação e a gente perder o controle, o que eu acho que não será bom para a humanidade“, exprimiu.

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Impactos em outros setores

  • Ainda nesta sexta-feira (20), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou, também em Nova Délhi, o que a pasta pretende fazer para a inclusão da IA no setor;
  • A fala do ministro se deu durante o painel “IA para o Bem de Todos – Perspectivas brasileiras sobre o futuro da Inteligência Artificial“, na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial;
  • Padilha destacou que o país passa por uma reformulação digital na saúde e que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem boas condições de liderar o desenvolvimento de alternativas baseadas na tecnologia e que tenham, como foco, o cuidado das pessoas.

“O Brasil quer se posicionar como uma região prioritária para o desenvolvimento de uma inteligência artificial em saúde que cuide das pessoas, promova a cooperação global e impulsione o progresso econômico, tecnológico e social“, afirmou.

Alexandre Padilha
Ministro Alexandre Padilha contou as novidades (Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ministro também apresentou dados significativos relacionados aos downloads do aplicativo Meu SUS Digital, às estruturas da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), além de alegar que o Brasil possui o maior sistema público de saúde universal do mundo.

Ele também apresentou o que a IA já fez no SUS, como sistemas que auxiliam na prevenção de surtos de dengue e síndromes respiratórias, bem como ferramentas que aceleram diagnósticos por imagem e soluções capazes de organizar as filas para consultas e cirurgias.

“Queremos oferecer ao povo brasileiro o direito de ser atendido pelo que existe de mais inovador na saúde, independentemente da sua condição econômica”, pontuou.

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“Podemos construir uma IA que seja não apenas inteligente, mas sábia, justa na proteção da vida e soberana para cada país, especialmente para o Sul Global”, prosseguiu, ao exaltar a importância da cooperação entre países para a construção de IA ética e soberana.

Padilha destacou que o Brasil visa ampliar investimentos em hospitais inteligentes, telemedicina e plataformas digitais, bem como estimular a inovação. Para encerrar, o ministro da Saúde reforçou a importância da IA para ampliar o acesso e qualificar o cuidado na área, para não substituir o ser humano.

“A saúde é um tema essencial para uma inteligência artificial centrada nas pessoas. A tecnologia deve servir à humanidade e fortalecer sistemas públicos como o SUS”, finalizou.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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