Volta por cima? As baratas podem ganhar uma função importante

Estudo revela que baratas podem degradar poliestireno e inspirar novas soluções biotecnológicas para combater a poluição plástica
A barata Blaptica dubia chamou atenção da ciência ao demonstrar capacidade de degradar poliestireno, um dos plásticos mais difíceis de reciclar. (Imagem: Pixel-Shot/Shutterstock)
A barata Blaptica dubia chamou atenção da ciência ao demonstrar capacidade de degradar poliestireno, um dos plásticos mais difíceis de reciclar. (Imagem: Pixel-Shot/Shutterstock) - A barata Blaptica dubia chamou atenção da ciência ao demonstrar capacidade de degradar poliestireno, um dos plásticos mais difíceis de reciclar. (Imagem: Pixel-Shot/Shutterstock)

A poluição por plástico segue como um dos maiores desafios ambientais do planeta, especialmente quando envolve materiais difíceis de degradar, como o poliestireno. Um novo estudo mostra que a barata Blaptica dubia pode oferecer pistas valiosas ao conseguir degradar esse material de forma eficiente, segundo o Eurekalert.

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Pesquisadores identificaram que essas baratas conseguem eliminar cerca de 55% do poliestireno ingerido em apenas 42 dias. Mais do que fragmentar o material, o inseto realiza uma degradação química real, reduzindo o tamanho das cadeias poliméricas e promovendo alterações estruturais no material, como oxidação e quebra de ligações.

O inseto que consegue viver por dias mesmo sem a cabeça
Estudos mostram que o inseto elimina cerca de 55% do material em 42 dias, promovendo degradação química real, e não apenas fragmentação. (ChatGPT / Olhar Digital)

Pontos-chave do estudo:

  • Baratas degradam cerca de 55% do poliestireno em 42 dias;
  • Processo envolve microbioma intestinal e metabolismo do inseto;
  • Há evidências de degradação química real, não apenas fragmentação;
  • Bactérias especializadas desempenham papel central na quebra do plástico;
  • Subprodutos são convertidos em energia pelo organismo.

O diferencial está na integração entre o organismo e seu microbioma intestinal. Bactérias presentes no intestino iniciam o processo, quebrando o plástico em compostos menores. Em seguida, o próprio metabolismo da barata entra em ação, absorvendo esses subprodutos e convertendo-os em energia por meio de vias bioquímicas.

Esse processo envolve mecanismos como oxidação e ciclo do ácido tricarboxílico, fundamentais para a produção de energia em organismos vivos. Ou seja, o plástico deixa de ser apenas um resíduo e passa a funcionar como fonte de carbono utilizável.

Papel das bactérias na degradação do poliestireno

A pesquisa também revelou mudanças significativas na composição do microbioma das baratas quando expostas ao poliestireno. Houve aumento de bactérias associadas à degradação de compostos complexos.

A surpreendente tecnologia que transforma plásticos em remédios
Esses subprodutos são convertidos em energia pelo metabolismo da barata, usando mecanismos como oxidação e ciclo do ácido tricarboxílico. (ChatGPT / Olhar Digital)

Esses microrganismos produzem enzimas específicas, como oxidoredutases, capazes de iniciar a quebra de estruturas químicas resistentes. Esse trabalho conjunto entre micróbios e hospedeiro cria uma espécie de “cadeia”, em que cada etapa contribui para transformar o plástico em moléculas aproveitáveis.

Aplicações futuras e desafios

Apesar do potencial, os cientistas alertam que não faz sentido utilizar baratas diretamente para resolver o problema da poluição plástica. O valor da descoberta está na compreensão desse sistema integrado, que pode inspirar novas abordagens em biotecnologia.

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Entre as possibilidades estão o desenvolvimento de consórcios microbianos artificiais, engenharia de enzimas e soluções baseadas em biologia sintética. Essas estratégias podem permitir a criação de métodos mais eficientes para reciclagem ou reaproveitamento de plásticos.

Matheus Labourdette
Matheus Labourdette

Matheus Labourdette é redator no Olhar Digital.

Layse Ventura
Layse Ventura

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

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