Ypê: Anvisa mantém suspensão dos produtos e cita “histórico recorrente” de contaminação

Anvisa decidiu por unanimidade manter a suspensão
Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez 15/05/2026 11:09, atualizada em 15/05/2026 21:19

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de linhas de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da Ypê. A decisão foi tomada por unanimidade pela Diretoria Colegiada da agência em reunião nesta sexta-feira (15).

Continua após a publicidade

Durante a sessão, os diretores afirmaram que as ações adotadas pela empresa não foram suficientes para eliminar os riscos sanitários identificados durante a fiscalização. O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, ainda citou um “histórico recorrente de contaminação microbiológica envolvendo os produtos da empresa”.

Segundo os diretores, a Ypê deverá apresentar um plano de ação estruturado com base em análise de risco. A proposta deverá permitir acompanhamento técnico da agência e eventual retomada gradual da produção, com liberação lote a lote.

O diretor Thiago Campos afirmou que a análise atual tem caráter cautelar e defendeu uma atuação preventiva em questões sanitárias. Segundo ele, “aguardar certeza absoluta do dano significa agir tardiamente”. Já a diretora Daniela Marreco classificou o risco sanitário como “alto”.

Daniel Pereira foi o último a votar. Ele reconheceu o peso econômico da empresa, mas afirmou que isso “não pode se sobrepor ao dever institucional da agência na proteção da saúde pública”. Também defendeu que a Anvisa acompanhe continuamente o caso para permitir que a fabricante retome “o quanto antes” suas atividades.

Detergentes da Ypê
Suspensão se mantém por unanimidade – Imagem: Reprodução/Instagram

Entenda a suspensão dos produtos da Ypê

A suspensão dos produtos foi motivada por uma avaliação técnica conduzida pela Anvisa em conjunto com órgãos de vigilância sanitária de São Paulo e do município de Amparo (SP), onde fica a unidade da Química Amparo, responsável pela marca Ypê.

Durante a inspeção, foram identificados “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

O relatório da fiscalização apontou sinais de corrosão em equipamentos usados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos, além de problemas no estado de conservação de tanques de manipulação e registro de restos de produtos devolvidos às linhas de envase.

A Anvisa informou ainda que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi encontrada em mais de 100 lotes de produtos.

Segundo a agência, os problemas comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação de saneantes e indicam risco de contaminação microbiológica dos produtos.

Após a publicação da resolução, a empresa apresentou recurso administrativo com pedido de efeito suspensivo, o que interrompeu temporariamente os efeitos da medida até a decisão final da Diretoria Colegiada.

Em nota anterior, divulgada no dia 8 de maio, a Anvisa reforçou que mantinha a avaliação técnica de risco e orientou consumidores a não utilizarem os produtos afetados.

Continua após a publicidade

A agência afirmou que cabe à própria empresa orientar consumidores sobre troca, devolução ou ressarcimento por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

Logo da Anvisa na fachada de um prédio
Segundo a Anvisa, atendimento aos consumidores é de responsabilidade da Ypê – Imagem: Adilson Sochodolak/Shutterstock

Produtos Ypê apresentam risco à saúde?

A repercussão do caso também gerou dúvidas entre consumidores sobre possíveis riscos à saúde.

A bactéria Pseudomonas aeruginosa é comum no ambiente, sendo encontrada em água, solo e superfícies úmidas. Para a maioria das pessoas, o risco é considerado baixo.

Segundo a infectologista Thaís Guimarães, presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP, o contato com a pele geralmente não provoca doença. Ao g1, ela explicou que o risco aumenta quando há contato com “olhos, mucosas, feridas, queimaduras ou dermatites, ou em pessoas imunossuprimidas”.

Continua após a publicidade

Os grupos mais vulneráveis incluem pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, pessoas que utilizam medicamentos imunossupressores, além de indivíduos com lesões de pele, queimaduras ou dermatites. Bebês pequenos e idosos fragilizados também exigem maior atenção.

Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez

Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.

Tags:
Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email