Cães podem ajudar a detectar câncer em novo estudo da Ufes

Estudo brasileiro aposta no faro de cães para identificar sinais de doenças como câncer e tuberculose em projeto científico da Ufes
Por que os cães viram a cabeça ao ouvir barulhos?
Pesquisa da Ufes usa cães para detectar câncer e outras doenças em amostras humanas, em projeto inovador com duração de quatro anos no Brasil. - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) está desenvolvendo uma pesquisa inédita no Brasil que usa o olfato de cães para identificar sinais de câncer, tuberculose e esquistossomose em amostras biológicas humanas. O projeto, chamado “Xero”, é conduzido pelo Núcleo de Doenças Infecciosas da instituição e tem previsão de duração de quatro anos.

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Segundo o G1, os cães vão ser treinados no Centro de Ciências da Saúde da Ufes, no campus de Maruípe, em Vitória. As sessões devem durar entre uma e duas horas e acontecem uma ou duas vezes por semana. A participação depende de inscrição voluntária feita pelos tutores.

Cachorro farejando amostras de possíveis doenças.
Projeto “Xero” aposta no faro dos cães como ferramenta auxiliar no diagnóstico de câncer, tuberculose e esquistossomose. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT/Olhar Digital)

Como funciona o treinamento

Na prática, tudo gira em torno de reforço positivo. Sempre que o cão acerta a identificação de uma amostra positiva, ele é recompensado na hora com comida.

Quando o cão estiver frente a uma amostra positiva, vai cair automaticamente um dispensador de comida que ele goste e ele vai ter essa recompensa. Então, ele vai começar a associar que, toda vez que ele detectar aquele cheiro, ele ganha comida. E esse é o treinamento.

Carlos Graeff, professor do Departamento de Patologia da Ufes, ao G1.

Segundo ele, essa associação é o que faz o aprendizado acontecer de forma consistente.

As amostras biológicas — que podem vir do ar, da urina ou de outros materiais biológicos — ficam armazenadas em recipientes isolados e protegidos por sistemas de filtragem durante todo o processo.

Quem acompanha de perto essa etapa é o médico-veterinário Gustavo Jantorno, que já atua no treinamento de cães usados por órgãos federais como a Receita Federal e o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Para organizar os testes, a equipe usa um carrossel mecânico criado pelo professor Tim Edwards, da Universidade de Waikato, na Nova Zelândia. É ele que apresenta as amostras de forma automatizada, enquanto o cão sinaliza com o focinho quando reconhece a presença da doença, liberando uma nova amostra.

Tudo é monitorado por câmeras. A ideia é simples: reduzir qualquer interferência humana e aumentar a precisão dos resultados.

Os sinais silenciosos que o cachorro dá antes de adoecer e que muitos tutores ignoram
Pesquisadores afirmam que cães podem chegar a mais de 90% de acerto na identificação de sinais de doenças. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Parceria com a Nova Zelândia

O projeto também conversa com pesquisas já feitas na Nova Zelândia, onde estudos semelhantes vêm apresentando resultados animadores.

Graeff chama atenção para o desempenho dos cães em testes anteriores:

“Os cães que têm melhor desempenho chegam a ter mais de 90% de acerto. Isso é fantástico.”

A expectativa da equipe é que, com o tempo, essa técnica ajude a tornar o diagnóstico precoce mais acessível — especialmente em situações em que o acesso a exames laboratoriais é mais limitado.

Não há restrição de raça para participar do projeto, incluindo cães sem raça definida no treinamento. Imagem criada por inteligência artificial
Não há restrição de raça para participar do projeto, incluindo cães sem raça definida no treinamento. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
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Qualquer cão pode participar

Não existe exigência de raça para participar do Xero. Cães sem raça definida também podem ser inscritos normalmente.

Ainda assim, os pesquisadores observam que alguns perfis tendem a se adaptar melhor ao treinamento.

“Teoricamente, todos os cães podem participar, porque todos eles possuem células olfativas muito mais evoluídas que as nossas. No entanto, cães que gostam muito de brincar e de comer, geralmente são os candidatos que vão se dar melhor nesse emprego”, afirmou Graeff.

Quem quiser inscrever o animal pode entrar em contato pelo WhatsApp (51) 99981-8599, pelo e-mail [email protected] ou pelo perfil @caes.cancer no Instagram.

No fim das contas, o estudo aposta em algo curioso, mas cada vez mais levado a sério: a possibilidade de transformar o faro dos cães em um aliado real da medicina.

Valdir Antonelli
Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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