Em 29 de outubro de 1969, pesquisadores conectaram dois computadores da Arpanet, rede experimental que se tornou precursora da internet. A primeira mensagem deveria ser “LOGIN”, mas o sistema travou depois de transmitir apenas as letras “LO”.
A transmissão marcou uma etapa importante da comunicação entre computadores. A internet atual, porém, surgiu de um processo que envolveu a padronização de protocolos e o desenvolvimento de tecnologias que facilitaram o acesso à rede.

Como surgiu a Arpanet
No fim da década de 1960, o governo dos Estados Unidos colocou em funcionamento a Arpanet (Advanced Research Projects Agency Network), uma rede experimental que conectava computadores de instituições de pesquisa. O objetivo era permitir que cientistas acessassem máquinas remotamente e compartilhassem recursos.
Na época, os computadores eram grandes e caros. A possibilidade de utilizar esses equipamentos à distância permitia que pesquisadores de diferentes instituições compartilhassem sua capacidade de processamento.
A primeira transmissão ocorreu entre a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e o Stanford Research Institute, posteriormente conhecido como SRI International. A rede também conectou computadores da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e da Universidade de Utah.
Leonard Kleinrock, pesquisador da UCLA, participou da equipe envolvida na primeira conexão. Embora a tentativa de enviar “LOGIN” tenha terminado após as duas primeiras letras, a Arpanet demonstrou que computadores de instituições diferentes podiam se comunicar por uma rede comum.
Do TCP/IP à popularização da internet
A conexão de 1969 foi apenas uma etapa dessa evolução. Em 1º de janeiro de 1983, os protocolos TCP (Transmission Control Protocol) e IP (Internet Protocol) foram adotados como padrões para a Arpanet e outras redes de computadores.
Esses protocolos estabeleceram regras comuns para a comunicação entre máquinas. Por isso, sua adoção é considerada por alguns como o verdadeiro início da internet: enquanto a Arpanet permitiu conectar computadores, o TCP/IP ajudou a integrar redes distintas.
Em 2009, Marc Weber, curador fundador do Programa de História da Internet do Computer History Museum, destacou que a Arpanet ajudou a superar o isolamento de grupos que utilizavam grandes computadores separadamente, abrindo caminho para um ambiente conectado.
Outro marco ocorreu na década de 1990, quando o cientista britânico Tim Berners-Lee desenvolveu a World Wide Web (WWW). O sistema facilitou o acesso a conteúdos pela internet e contribuiu para sua popularização. A Web não criou a conexão entre computadores, mas tornou mais acessível a navegação pela rede.
A expansão foi acompanhada pelo surgimento de navegadores e pela multiplicação de sites e serviços. Entre os exemplos estão Internet Explorer, Netscape, Mozilla Firefox, Google Chrome, Opera e Lynx. Serviços de comunicação e redes sociais, como Orkut, Facebook, MSN e Twitter, ampliaram as possibilidades de interação entre usuários.

A expansão da internet no Brasil
A chegada da internet ao Brasil também começou em ambientes acadêmicos. No fim da década de 1980, universidades brasileiras passaram a trocar informações com instituições dos Estados Unidos, estabelecendo conexões que ajudaram a introduzir a tecnologia no país.
Em 1989, foi criada a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), iniciativa voltada à conexão de instituições de ensino e pesquisa. A rede fez parte dos primeiros esforços para estruturar a comunicação entre esses centros e ampliar o uso da tecnologia no meio acadêmico.
Outro passo ocorreu em 1997, quando redes locais de conexão contribuíram para levar o acesso a outras partes do território nacional. Esses marcos mostram uma mudança gradual: a internet, inicialmente ligada à comunicação entre instituições de pesquisa, passou a contar com uma estrutura de conexão mais ampla, que serviria de base para sua expansão no Brasil.
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).