Amazon recebe aval para lançar mais de três mil satélites no espaço

Empresa dará início ao projeto Kuiper, cujo objetivo é fornecer internet rápida a regiões remotas; aprovação era aguardada desde julho de 2019

Davi Medeiros, editado por Fabiana Rolfini 31/07/2020 11h30
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A Amazon recebeu permissão da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos para lançar 3.236 satélites no espaço. Com isso, a companhia pode dar início à implementação do projeto Kuiper, idealizado para fornecer acesso à internet para regiões sem infraestrutura de telecomunicação. 


"Ultimamente, ouvimos tantas histórias sobre pessoas que não conseguem trabalhar ou estudar por não possuírem internet de qualidade em casa", afirmou Dave Limp, vice-presidente da empresa. "Ainda existem muitos lugares onde o acesso à banda larga é fraco ou simplesmente não existe. O Kuiper mudará isso". 

A aprovação vinha sendo aguardada desde julho de 2019, e foi unânime entre os membros da Comissão. Entretanto, algumas condições foram estabelecidas: para manter a autorização, o Kuiper deve ter pelo menos 50% de sua capacidade operando até 30 de julho de 2026, e 100% até 2029.

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Jeff Bezos, CEO da Amazon e homem mais rico do mundo. Imagem: Reprodução

Para acelerar o processo, a companhia de Jeff Bezos planeja um investimento inicial de US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões) no projeto. Segundo declaração publicada no blog oficial da empresa, isso criará uma série de empregos nos Estados Unidos. 

“Projetos como o Kuiper apresentam enormes desafios, e nós reunimos um time de engenheiros e cientistas de classe mundial para nos ajudar nessa missão, mantendo o espaço um ambiente seguro e sustentável para todos”, afirmou Rajeev Badyal, vice-presidente de tecnologia do projeto.

Quando for implementado, o Kuiper fará concorrência à Starlink, iniciativa semelhante da SpaceX. Até o momento, a empresa de Elon Musk está bem adiantada, com cerca de 500 satélites já posicionados na órbita baixa da Terra. Se tudo der certo, a SpaceX deve começar os primeiros testes de sua internet já em agosto. 

Além disso, a Starlink deve alcançar um total de 12 mil satélites, número quase quatro vezes maior que o projeto da Amazon.

Observação astronômica prejudicada

Embora a declaração de Rajeev Badyal tenha destacado o desejo de manter o espaço “seguro e sustentável para todos”, astrônomos ao redor do mundo afirmam que projetos como o da Amazon fazem justamente o contrário. 

Como os satélites refletem a luz do Sol, a presença deles em grande quantidade acaba prejudicando aqueles que tentam observar o espaço por meio de telescópios. Isso ficou evidente durante a passagem do cometa Neowise, em meados de julho. 

O astrofotógrafo Daniel López postou no Instagram o resultado de sua tentativa de registro do cometa. A imagem ficou repleta de “arranhões” brilhantes graças aos satélites da Starlink, que passaram bem em frente ao Neowise. 

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Fotografia tirada pelo astrofotógrafo Daniel López. Imagem: Reprodução/Instagram

Os frequentes relatos desse tipo de problema levaram o ganhador do Prêmio Nobel Didier Queloz a declarar que, se nada for feito, os astrônomos “perderão o céu”. Segundo ele, embora projetos como Kuiper e Starlink sejam o início de uma nova era para a internet, eles representam o “início do fim” para a astronomia. 

Via: Engadget 


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