Fragmento de antigo continente é descoberto na costa do Canadá

Cientistas encontraram pedaço da crosta continental de milhões de anos atrás

Guilherme Preta, editado por Fabiana Rolfini 23/03/2020 12h10
Pesquisadores encontram pedaço de continente antigo no Canadá
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Cientistas encontraram um pedaço de um antigo continente perdido no deserto do norte do Canadá. A Ilha Baffin foi formalmente estabelecida como território canadense em 1999, mas a nova descoberta mostra que esse território possui registros de um éon distante - grande período de tempo geológico.


Ao analisar amostras de rochas, os pesquisadores identificaram uma assinatura mineral antiga. “Os kimberlitos são como foguetes subterrâneos que pegam passageiros a caminho da superfície”, comparou a geóloga da Universidade da Colúmbia Britânica Maya Kopylova. “Os passageiros são pedaços de rochas que carregam uma riqueza de detalhes em condições muito abaixo da superfície”, continuou.

A equipe encontrou rochas formadas a profundidades maiores que 150 quilômetros, levadas à superfície por forças geológicas e químicas. Em termos geológicos, o surgimento da Ilha Baffin representa o fim de uma dispersão que ocorreu há aproximadamente 150 milhões de anos, durante a quebra da placa do cráton do Atlântico Norte (NAC).

Reprodução

Foto: Ilha Baffin /Jennifer Latuperisa-Andresen/Unsplash

“A composição mineral de outras porções do NAC é tão única que não houve dúvida”, destacou Kopylova. “Crátons antigos adjacentes no norte do Canadá têm mineralogias completamente diferentes, acrescentou. Para chegar ao resultado, a equipe usou diversas técnicas analíticas para estudar as rochas. “Concluímos que o manto de Chidliak demonstra uma afinidade com apenas um bloco do manto cratônico”, afirmou a cientista.

A nova descoberta significa cerca de 10% da extensão já conhecida do NAC. Além disso, com as novas técnicas, é possível imaginar o formato de algumas das primeiras formações rochosas. “Com essas amostras, podemos reconstruir as formas dos continentes antigos com base em rochas mais profundas do manto”, destacou Kopylova. “Agora podemos entender e mapear não apenas a camada mais fina da Terra que compõe 1% do volume do planeta, mas nosso conhecimento é literal e simbolicamente mais profundo”, concluiu.

Via: Science Alert

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