6 motivos para ficar mais otimista com o combate ao coronavírus

Mesmo diante da crise, há notícias positivas sobre os avanços da ciência e a situação brasileira diante da pandemia

Renato Santino 10/04/2020 06h00
Pesquisador da Unicamp com amostra do Coronavírus
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Em meio à pandemia e à rápida difusão do coronavírus pelo Brasil e as complicações econômicas que isso invariavelmente acarretará, é fácil se perder entre incontáveis notícias negativas. No entanto, também há motivos para ser otimista em relação aos avanços no combate ao vírus.


Abaixo estão algumas das perspectivas que permitem um pouco de otimismo neste momento sombrio:

1. A maior parte dos casos são leves

Infelizmente, as mortes estão se acumulando, e elas incluem até mesmo pessoas jovens e que não faziam parte de um grupo de risco específico. No entanto, a maioria absoluta das pessoas que forem contaminadas com o coronavírus sentirão sintomas leves ou simplesmente não desenvolverão nenhum sintoma. Estima-se que cerca de 80% dos contaminados se enquadram nesta categoria.

Claro, isso traz algumas complicações: pessoas com sintomas leves ou sem sintomas têm menos incentivos para se isolarem em suas casas, facilitando a propagação do vírus, mas é um fato que a maioria dos casos não serão letais. Nos países que têm testado sua população de forma ampla e que conseguem detectar melhor os casos assintomáticos ou leves, a mortalidade fica entre 1% e 2%.

Contudo, mesmo que a maioria dos casos seja leve e não-letal, é importante respeitar as medidas de contenção e evitar aglomerações e espaços públicos para não levar o vírus até uma pessoa que esteja no grupo de risco. Isso vale tanto para não contaminar alguém na rua, quanto para não trazer da rua o vírus para infectar alguém na sua casa.

2. Há bem mais curados do que mortos

As estatísticas não mentem. Até o momento, o número de casos fatais de Covid-19 está na faixa dos 93 mil, enquanto os casos recuperados já superam os 346 mil.

Quando se leva em consideração que o mundo inteiro sofre com a falta de testes para detectar os casos leves e assintomáticos, o número de recuperados desconhecidos tende a ser bem maior. Em contrapartida, as mortes precisam passar por análise, reduzindo o percentual de casos letais desconhecidos.

3. Os testes estão chegando

Uma das dificuldades no combate efetivo ao coronavírus no mundo inteiro tem sido a escassez de kits para testar os casos suspeitos de Covid-19, o que causou um surto de demanda global e dificultou sua importação. No Brasil, aos poucos as soluções internas começam a aparecer, mesmo com a falta de reagentes vindos do exterior.

Um exemplo é o da Hi Technologies, empresa de Curitiba, que desenvolveu um equipamento capaz de emitir um diagnóstico em questão de 10 minutos. A máquina detecta os anticorpos produzidos pelo organismo, o que dá uma ideia se o corpo do paciente já está combatendo o vírus. Se estiver, é porque ele está contaminado. A precisão chega a 99% e aumenta conforme a doença avança.

Além disso, foi noticiado recentemente que a Unicamp está conseguindo desenvolver kits para testes utilizando reagentes totalmente nacionais, eliminando a dependência da importação de componentes com o mercado. O ritmo de produção está aumentando para atender a demanda nacional.

Universidades de todo o Brasil estão trabalhando nessa questão para que seja possível desenvolver testes distintos, com aplicações que valorizem agilidade ou precisão, sem depender do mercado externo. Em São Paulo, as principais universidades estaduais anunciaram uma aliança para ampliar a testagem do coronavírus.

4. As vacinas estão avançando

Ninguém vai mentir falando que uma vacina contra o coronavírus sairá nos próximos meses. A comunidade científica é unânime em falar que é pouco provável que tenhamos algo funcional e seguro antes de um período de 18 meses, mas é preciso começar por algum lugar.

Neste momento, já há alguns projetos começando a dar resultados positivos nas etapas iniciais de testes e que podem começar a ser a experimentados em humanos ainda neste ano.

Em Israel, já se estima que os testes de uma vacina oral em humanos podem começar em junho. O composto é elaborado com base na pesquisa de uma vacina animal para tratar bronquite infecciosa das galinhas, doença comum em aves dessa espécie. A pesquisa desenvolveu uma “tecnologia geral”, que não é específica de um só tipo de vírus, segundo Chen Katz, líder do Instituto de Pesquisas da Galileia.

Já nos Estados Unidos, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh anunciaram sucesso na imunização de ratos contra o Sars-Cov-2 (o vírus da Covid-19) em um dos poucos estudos do tema revisados pela comunidade científica até o momento. Os cientistas viram um aumento nos anticorpos contra a doença após duas semanas, embora ainda não se saiba por quanto tempo o sistema imunológico permaneceria capaz de combater o vírus. Os pesquisadores estão buscando a autorização para começar a testar em humanos em breve, mas ainda não há um prazo para isso acontecer.

5. Os países mais afetados estão se recuperando

Wuhan, a cidade chinesa mais afetada pelo coronavírus, iniciou sua reabertura nesta semana após um período severo de supressão. Foram necessárias 10 semanas de isolamento para conter os novos contágios e dar aos hospitais o tempo necessário para tratar adequadamente os pacientes na região de Hubei, mas aos poucos a situação começa a ser normalizada.

Esse ponto ainda está distante nos países europeus mais afetados, como é o caso da Itália e da Espanha, que viram seus sistemas de saúde entrarem em colapso. No entanto, as medidas de contenção e quarentena estão, aos poucos, começando a dar resultado.

O gráfico abaixo mostra a média de mortes nos três dias anteriores. Por exemplo: olhando o dia 3 de abril, o gráfico mostra a soma de mortes nos dias 1, 2 e 3 de abril e divide por três, e assim por diante. Isso permite entender melhor a tendência de crescimento e redução nos óbitos. Veja como a curva começou a declinar em ambos os países, apesar de um novo pico recente na Espanha.

Reprodução Da mesma forma, a média de três dias de novos casos também está caindo:

 Reprodução

Vale notar, no entanto, que a redução do número de casos e óbitos não significa que a vida voltará totalmente ao normal nestas regiões. Em Wuhan, ainda se discute como evitar uma segunda onda de contágio, o que também precisará ser analisado quando Espanha e Itália conseguirem se estabilizar.

6. A curva brasileira de óbitos está abaixo dos países mais afetados

É um fato que é difícil analisar o número de casos no Brasil pela dificuldade em testar a população, mas as mortes são uma estatística um pouco mais confiável (ainda que não totalmente). Neste ponto, a curva de óbitos está abaixo do que foi visto na Espanha e na Itália.

O gráfico abaixo (em escala logarítmica) mostra como o número de mortes começou a acelerar diariamente após a confirmação da quinta fatalidade, e é possível ver que o Brasil está abaixo.

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No entanto, isso não é motivo para comemoração tão cedo. Não é porque os números brasileiros estão abaixo que eles não podem começar a subir. Basta ver o que aconteceu com os Estados Unidos. O país estava abaixo do ritmo de fatalidade de Espanha e Itália, até o momento em que a Covid-19 saiu do controle. Hoje, o país tem mais casos que qualquer outro e caminha para superar a Itália em número total de óbitos.

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Por esse motivo, não é uma boa ideia relaxar as medidas de contenção. Ainda que os números brasileiros sejam favoráveis, isso pode se reverter em poucas semanas.



Confira em tempo real a COVID-19 no Brasil:



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