Covid-19: 166 vacinas estão em desenvolvimento; 24 testam em humanos

Brasil faz parte de testes de duas das cinco vacinas mais avançadas

Guilherme Preta, editado por Cesar Schaeffer 22/07/2020 12h05
Vacina
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Desde o início da pandemia do novo coronavírus, diversos países e empresas têm se mobilizado para buscar um tratamento eficaz contra a Covid-19 e uma vacina que a previna. Segundo balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS), são 166 vacinas atualmente em desenvolvimento, com pelo menos 24 delas já em fase de testes em humanos.


Cinco dessas já estão na Fase 3, a última delas. A desenvolvida pela Sinovac (China), a da Sinopharm com o Instituto Biológico de Wuhan (China), Sinopharm em parceria com o Instituto Biológico de Pequim (China), a desenvolvida pela Universidade de Oxford (Reino Unido) e a da Moderna (Estados Unidos). Dessas, duas (Sinovac e Oxford) estão realizando testes no Brasil.

Fases do teste clínico

A Fase 3, na qual essas candidatas estão, significa que estão sendo testadas em larga escala para avaliar definitivamente sua eficácia e segurança. Também é aqui que são garantidas a durabilidade da imunização e os eventos adversos. Antes disso, porém, tem a Fase 1, na qual é feita uma avaliação preliminar sobre a segurança da vacina. Isso é feito em um número reduzido de adultos saudáveis.

ReproduçãoCinco vacinas estão na Fase 3. Foto: University of Oxford via AP

Já na segunda fase, o número de voluntários aumenta um pouco, focando em pessoas com características semelhantes ao público alvo do imunizante. São levadas em considerações informações como idade e saúde. Aqui o importante é avaliar a segurança, a capacidade de proteção, a dosagem e como a vacina deve ser administrada.

Vacina da Universidade de Oxford

O imunizante desenvolvido pela universidade do Reino Unido conta com a parceria do laboratório AstraZeneca. Segundo os estudos, ele foi capaz de criar a resposta imune até 56 dias após a aplicação. Esta é considerada a vacina mais avançada e está sendo testada em 50 mil pessoas no mundo todo, incluindo 5 mil no Brasil.

Esta vacina utiliza a tecnologia de vetor viral recombinante, e é produzida com uma versão enfraquecida do adenovírus, que causa resfriado em chimpanzés e não afeta humanos. Foi adicionado o material genético responsável pela proteína usada pelo Sars-Cov-2 para invadir a célula humana, induzindo a produção dos anticorpos.

ReproduçãoBrasil já realiza testes de duas das candidatas mais avançadas. Foto: Dado Ruvic/Reuters

Considerada segura, a vacina apresenta alguns efeitos colaterais, como inchaço ao redor da aplicação, febre e dores musculares. Segundo Soraia Smaili, reitora da Universidade Federal de São Paulo, responsável pelos testes no país, o imunizante pode ter registro liberado em junho de 2021.

Vacina da Sinovac

Está é a vacina que iniciou seus testes na última terça-feira (21) no Brasil. O ensaio no país é liderado pelo Instituto Butantan. Para induzir a resposta imune, é utilizado o vírus Sars-Cov-2 inativado, que implanta uma espécie de memória celular em quem recebe o imunizante. Assim, quando o vírus ativo entrar no corpo, ele já está preparado para combater a infecção.

ReproduçãoCovid-19 já matou mais de 616 mil no mundo. Foto: Rost-9D

Se os testes forem bem sucedidos, o Brasil pode iniciar a produção da vacina no início de 2021, segundo o governador de São Paulo, João Doria.

Demais vacinas

A farmacêutica chinesa Sinopharm trabalha em duas vacinas que já estão na Fase 3. Uma delas está testando em 15 mil voluntários nos Emirados Árabes Unidos, e é o primeiro teste de uma vacina inativada em humanos no mundo todo. Esse tipo de imunizante contém o vírus morto ou partes dele, garantindo que ele não consiga se replicar no corpo. Nas fases anteriores, todos os que receberam a vacina geraram anticorpos em 28 dias após a aplicação de duas doses.

Enquanto isso, o laboratório americano Moderna afirma ter uma vacina segura e eficaz. Os efeitos colaterais apresentados foram dor de cabeça, fadiga, calafrios, dores musculares e no local da aplicação. Apesar disso, o número pequeno de voluntários (apenas 45) gera críticas da comunidade científica.

Via: G1



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