Covid-19: impacto cognitivo pode equivaler a envelhecimento de 10 anos

Informação é de estudo do Imperial College de Londres que analisou o impacto no cérebro de mais de 84 mil pessoas; cientistas sem envolvimento na pesquisa pedem cautela com os resultados

Guilherme Preta, editado por Fabiana Rolfini 28/10/2020 11h22
Coronavírus no cérebro
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A mais nova descoberta sobre o novo coronavírus, divulgada nesta terça-feira (27), mostra que os impactos da doença nas funções cognitivas podem equivaler a um envelhecimento de 10 anos do cérebro nos casos mais graves. A informação foi revelada por pesquisadores do Imperial College de Londres.


Coordenado por Adam Hampshire, o projeto chamado Grande Exame da Inteligência Britânica analisou 84.285 pessoas. A equipe descobriu que os impactos nos cérebros podem durar meses após a infecção. "Pessoas que se recuperaram, incluindo aqueles que não relatam sintomas, exibiram déficits cognitivos significativos", destacaram.

Os pesquisadores afirmaram que os problemas cognitivos foram "de efeito significativo", e, nos piores casos, os impactos foram "equivalentes ao declínio médio de 10 anos no desempenho global entre os 20 e os 70 anos". Apesar disso, cientistas sem envolvimento no estudo afirmaram que os resultados precisam ser vistos com cautela.

ReproduçãoEstudo mostra que coronavírus tem impacto significativo na função cognitiva dos infectados. Foto: Shutterstock

"A função cognitiva dos participantes não era conhecida antes da Covid-19, e os resultados tampouco refletem a recuperação de longo prazo", afirmou Joanna Wardlaw, professora de neuroimagética aplicada na Universidade de Edimburgo, na Escócia. "Quaisquer efeitos sobre a cognição podem ser de curto prazo", acrescentou.

Já Derek Hill, professor de ciência imagética medicinal do University College de Londres, observou que as descobertas podem não ser totalmente confiáveis. Isso porque não foram comparadas aos resultados anteriores à infecção e ainda envolvem um grande número de pessoas que declararam ter Covid-19 sem ter sido diagnosticadas.

Portanto, até que os resultados do estudo sejam revisados, é preciso cautela ao analisá-los. De qualquer forma, este é um primeiro passo para novas pesquisas em relação ao efeito do coronavírus nas funções cognitivas dos pacientes.

Via: G1


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