Levantamento mostra que pandemia de coronavírus desacelerou no Brasil

Em compensação, crianças e idosos tomaram o lugar dos adultos jovens e passaram a ser os mais infectados; Norte e Nordeste são as regiões mais afetadas do país agora

Nina Gattis, editado por Daniel Junqueira 16/09/2020 18h55
Coronavírus
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De acordo com a quarta fase do estudo epidemiológico desenvolvido pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, a pandemia de coronavírus está desacelerando no Brasil. Para essa conclusão, foram ouvidas 33.250 pessoas em 133 municípios do país, entre os dias 27 e 30 de agosto.


O levantamento mais recente mostrou que 1,4% dos entrevistados tiveram contato com a Covid-19. Na fase anterior, esse número era 3,8%. Além disso, notou-se que o grupo mais atingido, que antes era o dos adultos jovens, passou a ser o dos idosos e das crianças. "Nas três primeiras fases, nós vimos uma concentração de casos entre os adultos jovens, especialmente aqueles em idade produtiva que trabalham fora. E agora, talvez porque esses adultos já se infectaram mais, aumentou a proporção de infectados entre os idosos e as crianças. Isso é preocupante, especialmente por causa dos idosos, porque os quadros tendem a ser um pouco mais graves", explicou Pedro Hallal, reitor da UFPel.

A diferença entre as incidências do vírus nas distintas regiões do Brasil continuou marcante. Agora, os locais mais impactados estão sendo as regiões Norte e Nordeste, com percentuais de infecção de 2,4% e 1,9%, respectivamente. No Sul, Centro-Oeste e Sudeste, essa taxa é de 0,5%.

Reprodução

No Brasil, 113.119 pessoas já morreram em decorrência da Covid-19. Imagem: Jorge Hely Veiga/Shutterstock

"O Brasil, como um país continental, tem muitas diferenças regionais. Os tempos da pandemia também ocorreram de forma diferente conforme a região. Mas se acentua o que já se vinha observando anteriormente, o maior impacto da pandemia no Norte e Nordeste e menor no Sul, Sudeste e Centro-Oeste", disse Paulo Petry, doutor em Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Vale lembrar que os níveis socioeconômicos também influenciam no modo como a Covid-19 afeta as pessoas. "As pessoas mais pobres têm o dobro do risco de infecção na comparação com as mais ricas. Esse resultado é particularmente preocupante porque são os grupos mais vulneráveis da população", afirmou Hallal.

Confira abaixo todas as constatações do levantamento feito pela UFPel:

  • Diminuiu a proporção da população que apresenta anticorpos. Apesar de parecer algo negativo, a diminuição neste percentual demonstra que o contágio pelo coronavírus desacelerou no Brasil. A queda em níveis de anticorpos ao longo do tempo não indica que os indivíduos deixaram de estar protegidos, já que seus organismos guardam a memória imunológica para produzir anticorpos rapidamente em caso de uma nova infecção;
  • A interiorização da pandemia no Brasil foi confirmada;
  • Houve mudança no perfil das cidades mais afetadas, com as maiores prevalências em Juazeiro do Norte e Sobral, duas cidades do Nordeste brasileiro;
  • Mudou também o padrão etário dos infectados entre junho e agosto. Agora, a pandemia cresceu entre as crianças e idosos, e caiu entre adultos, que inicialmente eram os mais afetados;
  • Pessoas cujas famílias se encontram entre as 20% mais pobres da população apresentaram, em todas as fases do estudo, prevalência mais de duas vezes superior entre os infectados pela Covid-19 em relação à observada entre os 20% mais ricos.

Via: GaúchaZH


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