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Nos EUA, brasileiro lidera estudo de tratamento contra o Coronavírus

Victor Pinheiro, editado por Liliane Nakagawa 31/03/2020 23h50
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Iniciativa propõe reprodução de anticorpos em laboratório a partir do material genético de pacientes recuperados

Nascido no Brasil, o imunologista Michel Nussenzweig se mudou para os Estados Unidos no começo da adolescência. Hoje, médico da Universidade Rockefeller, ele lidera um grupo de pesquisadores que estuda a produção artificial de anticorpos como meio para tratar pacientes infectados com o novo coronavírus.


Segundo informações da Folha de São Paulo, Nussenzweig e seus colegas esperam coletar amostras do sangue de pelo menos 100 pacientes curados da Covid-19. O objetivo é analisar o material para identificar as células produtoras dos anticorpos que reagiram ao vírus.

Essas moléculas são proteínas adaptadas para neutralizar a ação de organismos invasores no corpo humano. O novo coronavírus, por exemplo, infecta a célula por meio de espículas espalhadas em volta de sua membrana. Um anticorpo, portanto, poderia ter a função de se encaixar a estas estruturas de forma que anule a capacidade do vírus de usá-las para introduzir seu material genético na célula.

Os cientistas pretendem extrair o gene das amostras dos voluntários, que contém as instruções para produzir mecanismos de defesa. Na sequência, introduzirão o fragmento genético em células cultivadas em laboratório, a fim de obter a fabricação de anticorpos em larga escala.

"É praticamente certo que o nosso alvo serão os anticorpos que neutralizam a proteína da espícula do vírus. Como esse é o caminho que ele usa para invadir as células, é a abordagem que faz mais sentido", diz Nussenzweig.

As soluções de anticorpos produzidas em laboratório seriam então introduzidas em pacientes recém-infectados pela Covid-19, com o intuito de proteger seus organismos já na fase inicial da doença, ou seja, não seria preciso a reação do corpo.

Em partes, o tratamento se assemelha muito à transfusão de plasma, que está em fase de testes em pacientes com quadros graves de coronavírus nos Estados Unidos.

No entanto, o maior problema da terapia com plasma sanguíneo são as limitações do procedimento em larga e escala. Segundo o médico brasileiro, um doador poderia fornecer material suficiente apenas para o tratamento de três ou quatro pacientes infectados.

Os pesquisadores da Universidade de Rockefeller pesquisam a produção de anticorpos em laboratório há décadas, entretanto, a maioria dos experimentos são voltados ao HIV, vírus causador da Aids. O mesmo método já é usado, inclusive, para desenvolver remédios para câncer. Mesmo assim, ainda vão alguns meses meses para o estudo liderado pelo médico brasileiro render resultados confiáveis no tratamento da Covid-19.

 


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