Pesquisadores da USP cultivam coronavírus em laboratório

Com isso, laboratórios específicos vão receber amostras para auxiliar na detecção; o vírus será enviado inativo, ou seja, sem a capacidade de infectar células

Luiz Nogueira 09/03/2020 12h03
Coronavírus
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Cientistas brasileiros estão cada vez mais perto no desenvolvimento de soluções para o coronavírus. Usando amostras do coronavírus SARS-CoV-2, obtidas dos dois primeiros pacientes diagnosticados em São Paulo, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) conseguiram isolar e cultivar o vírus em laboratório.


A partir disso, amostras serão enviadas para grupos de pesquisa e laboratórios públicos e privados de todo o país. O objetivo é o de ampliar a capacidade de realizar exames de detecção, além de ajudar em estudos sobre as causas da doença e sua propagação.

De acordo com Edison Luiz Durigon, professor do ICB-USP e coordenador do projeto, a falta de amostras do vírus é um dos fatores que dificulta o diagnóstico da doença no país. Com a disponibilização, o teste para positivo pode ser feito em mais locais – isso pode representar um fator decisivo para o combate ao coronavírus.

Até então, as amostras utilizadas para a detecção foram importadas. Como o vírus surgiu no exterior, era necessário trazê-las ao país, a um custo que variava de RS 12 mil a R$ 14 mil. As amostras eram transportadas em certas condições de refrigeração, isso encarecia o preço da viagem. 

A disponibilização fará com que mais locais possam realizar o primeiro exame de diagnóstico. Os laboratórios receberão o vírus em estado inativo, ou seja, sem a capacidade de infectar células, além de estarem em temperatura ambiente. 

Teste de detecção

Foto: Martin Lopez

Serão enviadas amostas contendo o equivalente a um mililitro do vírus. Para realizar os testes, o ácido nucleico deverá ser extraído pelos laboratórios e, usando um procedimento chamado reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR em inglês), o diagnóstico é feito. 

Essa técnica permite que os pesquisadores ampliem o genoma do vírus em uma amostra de laboratório, fazendo com que o número de cópias do RNA do coronavírus seja aumentado em milhões. Com isso, é possível detectar sua existência e quantificá-la em pequenas amostras.

No entanto, Durigon destaca que são poucos os laboratórios que possuem equipamento disponível para aplicar essa técnica. Para contornar isso, ele informa que outros testes de diagnóstico estão sendo pensados. Todos eles baseados em métodos mais acessíveis, como o procedimento por imunofluorescência – em que a verificação de antígenos é feita usando a visualização de cores fluorescentes.

Via: Exame


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