Teste coronavírus

Testes rápidos de detecção do coronavírus podem ser até 75% falhos

Luiz Nogueira, editado por Fabiana Rolfini 02/04/2020 10h06
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Ministério da Saúde foi alertado sobre problemas em 500 mil testes rápidos vindos da China

O Ministério da Saúde declarou ter encontrado "limitações importantes" em 500 mil testes rápidos para detecção do novo coronavírus que foram doados pela mineradora Vale. Os produtos fabricados na China foram submetidos a uma verificação de qualidade realizada por um laboratório privado.


O resultado aponta para uma chance de erro de 75% em resultados negativos – enquanto o percentual cai para 14% em caso positivo. Por esse motivo, o órgão de saúde pede cautela do SUS ao utilizá-los, além de recomendar que sejam aplicados apenas em pessoas que apresentem sintomas por mais de sete dias, para evitar um possível diagnóstico falso.

Esse tipo de teste, que leva menos tempo para ter o resultado pronto, foi adotado pelo país justamente para ser aplicado aos profissionais de saúde que estão à frente do combate ao novo coronavírus. De acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), esse tipo de diagnóstico não deve ser aplicado em toda a população.

Embora a precisão falha dos testes tenha sido frustrante para integrantes do Ministério da Saúde e gestores do SUS, eles informam que os testes ainda serão usados como uma triagem para os profissionais de saúde que podem estar infectados.

"Este percentual baixo em exames negativos é o que justifica a cautela. O exame que é positivo, é positivo. O negativo, dependerá do momento da infecção. A utilidade do teste é encurtar o tempo de isolamento de membro da equipe de saúde. Se alguém tiver sintomático, deverá ser isolado imediatamente. Passados de 7 a 9 dias, deverá fazer o teste rápido – se positivo, completa o isolamento. Se negativo nesta fase, poderá retornar ao trabalho. Podemos ganhar de 5 a 7 dias", declarou Alberto Beltrame, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde.

Testes brasileiros 

Para chegarem ao Brasil, os testes foram registrados pela Celer Biotecnologia. O engenheiro e fundador da empresa, Denilson Laudares Rodrigues, defendeu o produto e disse que ele funciona mais como uma ferramenta de triagem.

"Em conjunto com análise do quadro clínico, é mais uma fonte de informação para sua execução. É um teste rápido, de entrada. É sim muito eficiente. É largamente usado mundo afora", afirmou Rodrigues.

Ainda segundo ele, o produto apresenta sensibilidade de detecção similar a de outros tipos de testes rápidos utilizados atualmente – como os usados para diagnosticar a dengue ou HIV. Por fim, Rodrigues diz que o percentual de acertos é maior em um período de 7 a 14 dias após a infecção do indivíduo.

Situação semelhante na Espanha

Recentemente, a Espanha experimentou uma situação semelhante. Como o terceiro país no número de casos confirmados – mais de 110 mil – se viu em uma situação bastante embaraçosa após ter de devolver mais de 600 mil kits de detecção defeituosos para a empresa chinesa Shenzhen Bioeasy Technology.

Quando os produtos chegaram ao país europeu, microbiologistas realizaram alguns testes em amostras de pacientes já confirmados. O resultado foi alarmante, já que o teste só conseguiu identificar 30% desses infectados.

Para tentar amenizar a situação, a Espanha afirma que pelo menos 30% desses kits são válidos. No entanto, se ocorre uma falha nos resultados de 7 em cada 10 pessoas, não há como atestar a precisão nos três casos supostamente verdadeiros.

Em resposta aos erros, um porta-voz da Shenzen Bioeasy atribuiu os problemas a "falha na coleta de amostras ou no uso correto dos kits", acrescentando que a empresa não deu instruções aos compradores sobre como a coleta deveria ser realizada para um resultado confiável.

Pouco tempo após a polêmica, foi descoberto que a empresa chinesa não fazia parte de uma lista que continha uma série de fornecedores recomendados pelo Ministério da Saúde da Espanha. Além disso, aparentemente, esses testes da Shenzen Bioeasy estão proibidos de serem vendidos e utilizados em seu próprio país de produção.

Via: O Estado de São Paulo/ Washington Times



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