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Home Ciência

O Japão anunciou uma estrutura de 40 mil quilômetros que vai capturar energia do sol 24 horas por dia, e o Brasil está na lista dos primeiros a receber

Vanessa Ramos Vanessa Ramos
24/05/2026 10:28
O Japão anunciou uma estrutura de 40 mil quilômetros que vai capturar energia do sol 24 horas por dia, e o Brasil está na lista dos primeiros a receber

O Japão anunciou uma estrutura de 40 mil quilômetros que vai capturar energia do sol 24 horas por dia, e o Brasil está na lista dos primeiros a receber (Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O sol vai virar combustível direto do céu sem depender de nuvens ou da noite. O Japão acelerou o projeto OHISAMA, palavra que significa “Sol” no idioma local, e prepara o lançamento do primeiro satélite capaz de coletar luz solar em órbita e enviá-la para uma estação na Terra. A tecnologia promete romper a maior limitação da energia fotovoltaica atual e abrir caminho para uma matriz elétrica que nunca para de produzir. Quem acompanha o setor de inovação já enxerga o impacto global.

Como o satélite OHISAMA vai gerar energia no espaço?

O projeto coloca em órbita baixa um satélite de 180 quilos equipado com um painel solar de 2 metros quadrados. A altitude prevista é de aproximadamente 400 quilômetros, posição em que a luz solar é mais intensa e constante. A energia captada será convertida em micro-ondas e enviada para uma estação receptora no Japão.

O cálculo inicial prevê transmissão de apenas 1 quilowatt de potência, suficiente para ligar uma cafeteira por algumas horas. O objetivo não é gerar volume, mas validar a tecnologia. A iniciativa é coordenada pela Japan Space Systems com financiamento do governo japonês.

Por que essa fonte é considerada superior à solar terrestre?

A grande vantagem está na constância da geração. Painéis instalados em solo brasileiro funcionam apenas durante o dia e perdem eficiência sob nuvens. No espaço, o sol é eterno e o aproveitamento se torna ininterrupto. As principais vantagens estão organizadas a seguir.

  • Geração contínua: opera 24 horas por dia sem interrupção noturna.
  • Imune a clima: nuvens, chuva e poluição não afetam a captação.
  • Alta eficiência: radiação solar no espaço é mais intensa que ao nível do mar.
  • Sem ocupação de solo: dispensa grandes áreas de plantas solares.
  • Aplicações emergenciais: pode fornecer energia em zonas remotas ou desastres.
Satélite OHISAMA capta energia solar no espaço e envia eletricidade para a Terra (Fonte da imagem: Japan Space Systems)

Quais números reais cercam o projeto japonês?

A discussão pública sobre o OHISAMA mistura cifras de fases diferentes. Vale separar o que está confirmado nesta etapa inicial das metas futuras planejadas pela agência espacial japonesa.

ParâmetroFase atualMeta até 2050
Altitude do satélite400 km36 mil km (geoestacionária)
Peso do equipamento180 kgestrutura em escala industrial
Potência transmitida1 kW1 GW
Área de recepção40 km de raio em Saitamamatrizes de antenas dedicadas
Tecnologia de enviomicro-ondasmicro-ondas em alta escala

É seguro receber energia transmitida do espaço?

A preocupação com radiação é legítima, mas os cientistas envolvidos têm tranquilizado a opinião pública. A densidade do feixe é comparável à da luz solar comum em um dia ensolarado. Sanjay Vijendran, da Agência Espacial Europeia, afirmou que o risco de queimadura solar seria maior do que qualquer dano causado pelo feixe de micro-ondas, segundo análise do NotebookCheck.

A equipe japonesa também vai estudar possíveis impactos na ionosfera, camada da atmosfera que abriga sinais de GPS e telecomunicações. Esse cuidado faz parte do protocolo experimental antes de qualquer ampliação operacional. A precisão da transmissão será o principal indicador de sucesso.

O Brasil pode se beneficiar dessa tecnologia?

O projeto OHISAMA é uma experiência exclusivamente japonesa neste momento, com receptores instalados apenas na região de Saitama. Não há acordo internacional firmado para distribuição de energia para outros países.

O Brasil, no entanto, tem posição estratégica no debate global de energia limpa. O país lidera no Hemisfério Sul a produção fotovoltaica terrestre e pode se tornar receptor natural caso a tecnologia avance para fase comercial nas próximas décadas. Pesquisas similares acontecem nos Estados Unidos com os projetos PRAM e MAPLE, este último liderado pelo Caltech.

Você acompanharia o lançamento dessa nova era da energia?

Pode parecer ficção científica, mas o teste japonês marca o início concreto de uma revolução silenciosa. Acompanhe os anúncios da Japan Space Systems nos próximos meses e veja se essa promessa vai mesmo sair do papel. Quem entende cedo de tecnologias disruptivas costuma estar à frente quando elas viram realidade no nosso cotidiano.

Tags: BrasilenergiajapãoJapão e Brasil
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