Um sistema criado por um aposentado catarinense, há mais de duas décadas, ainda surpreende quem busca reduzir o gasto com chuveiro elétrico sem investir em equipamentos caros. Garrafas PET, canos de PVC e algumas horas de sol bastam para montar um coletor caseiro capaz de esquentar boa parte da água usada no banho. A ideia simples já virou política pública de incentivo à energia limpa em pelo menos dois estados brasileiros.
Quem inventou o aquecedor solar de garrafa PET?
O sistema nasceu em 2002, na cidade de Tubarão, em Santa Catarina, criado pelo técnico em eletromecânica aposentado José Alcino Alano. Incomodado com o descarte incorreto de garrafas plásticas, ele decidiu transformar o próprio lixo doméstico em fonte de energia limpa para a família.
A invenção rendeu a Alano o Prêmio Super Ecologia 2004, concedido pela revista Super Interessante, e logo chamou a atenção de órgãos públicos interessados em soluções de baixo custo para reduzir o consumo elétrico das famílias.
Como funciona o termossifão que aquece a água sem energia elétrica?
O coletor caseiro funciona por um princípio físico chamado termossifão: a água aquecida pelo sol fica mais leve e sobe naturalmente para a parte superior do reservatório, enquanto a água fria, mais densa, desce e ocupa o coletor exposto à luz solar. Esse ciclo se repete sozinho, sem necessidade de bomba elétrica, conforme detalha o manual técnico da CELESC.
As garrafas PET, normalmente pintadas de preto ou revestidas internamente, funcionam como pequenas estufas que retêm o calor. Tubos de PVC conectam as garrafas entre si, formando um painel que distribui a água aquecida até a caixa d’água da residência.

Quais materiais são necessários para montar o sistema?
O modelo original utiliza materiais reaproveitados e de fácil acesso, o que mantém o custo de montagem relativamente baixo. Antes de detalhar a lista completa, vale destacar que as quantidades variam conforme o consumo médio de água quente da casa.
- Garrafas PET de 2 litros, limpas e sem rótulo
- Embalagens longa-vida (tetra pak) para reforçar o isolamento térmico
- Canos e conexões de PVC para estruturar o painel
- Tinta preta fosca para aumentar a absorção de calor solar
Quanto é possível economizar de fato na conta de luz?
O próprio inventor registrou números reais em sua residência: o sistema custou cerca de R$ 83 para ser montado e gerou economia mensal de R$ 46,80, equivalente a 120 quilowatts de energia elétrica não consumidos. Em dias ensolarados, a água chega a 36°C no inverno e 50°C no verão.
Antes de avaliar o potencial de economia, é importante entender como o desempenho varia conforme a estação do ano:
| Estação | Temperatura aproximada | Impacto na conta de luz |
|---|---|---|
| Verão | Até 50°C | Redução mais expressiva |
| Inverno | Até 36°C | Redução de até 30% |
O sistema funciona como complemento ao chuveiro elétrico, reduzindo a demanda em dias de sol, mas não elimina totalmente a necessidade de aquecimento elétrico em períodos de pouca insolação.

Vale a pena montar esse sistema na sua casa?
O projeto de José Alcino Alano já beneficiou mais de 7 mil famílias somente em Santa Catarina, com apoio institucional da CELESC através do programa Energia do Futuro. A iniciativa une economia doméstica real e reaproveitamento de material que normalmente vai para o lixo.
Se você já separa garrafas PET para reciclagem, talvez seja hora de testar esse coletor caseiro no telhado e ver quanto ele realmente reduz na sua conta de luz.
