No calor do sertão da Paraíba, marcas abertas na rocha aproximam tempos separados por milhões de anos. Em Sousa, pegadas de dinossauros com cerca de 140 milhões de anos dividem o terreno com gravuras indígenas. A viagem combina ciência, memória urbana e paisagens da Caatinga, criando um dos roteiros mais incomuns do interior nordestino.
O que os símbolos ao lado das pegadas escondem?
O Serrote do Letreiro preservou marcas de dinossauros do Cretáceo Inferior e inscrições feitas muito depois por povos indígenas. O sítio fica a 11 km do centro e possui três afloramentos, que somam mais de 15 mil m². Pesquisadores identificaram pegadas de terópodes, saurópodes e ornitópodes, algumas separadas das gravuras por poucos centímetros.
O estudo publicado na revista Scientific Reports observou que as inscrições não cortam nem danificam as pegadas. Por isso, a posição dos desenhos alimenta perguntas sobre como seus autores interpretaram aquelas marcas. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) classificou a associação como única entre os sítios conhecidos. Ainda assim, o motivo das gravuras permanece sem resposta definitiva. Sem visitação regular confirmada, o viajante deve considerar o Serrote uma área científica.
Como visitar o Vale dos Dinossauros?
A visita permite observar rastros fossilizados no próprio terreno e entender como a paisagem ajudou a preservá-los. Durante o percurso, guias transformam detalhes discretos da rocha em pistas sobre movimento, tamanho e comportamento. Assim, uma manhã ou tarde basta para acompanhar as principais experiências.
- Passagem de Pedras: concentra as trilhas fossilizadas mais conhecidas e permite observar marcas deixadas no antigo ambiente sedimentar da Bacia do Rio do Peixe.
- Passarelas: conduzem o visitante sobre a área protegida e aproximam o olhar das pegadas sem exigir contato direto com as rochas.
- Mirantes: revelam o desenho do terreno, a vegetação da Caatinga e a relação entre o leito rochoso e os rastros.
- Espaço museológico: apresenta informações paleontológicas, registros de pesquisas e materiais que ajudam a interpretar os animais encontrados na região.
- Leitura da paisagem: mostra como rios, lama, sedimentos e períodos secos participaram da formação e da exposição das marcas.
A Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) informa visitas guiadas de terça a domingo. O órgão divulga horários às 9h, 10h, 11h, 15h e 16h. Como calendários especiais podem alterar o funcionamento, convém consultar a página antes da viagem.

O que Sousa preserva além das pegadas?
O centro preserva referências de uma ocupação iniciada no fim do século XVII, às margens do rio do Peixe. A antiga povoação cresceu ao redor de fazendas, atividades agrícolas e da devoção a Nossa Senhora dos Remédios. Segundo a Prefeitura de Sousa, a primeira capela dedicada à padroeira corresponde à atual Igreja do Rosário dos Pretos.
Enquanto as pegadas revelam uma escala geológica, as ruas centrais mostram a formação humana do município. Igrejas, fachadas antigas e o antigo ambiente ferroviário ampliam essa leitura, enquanto o passeio oferece uma pausa sombreada. Em 2025, o município e o órgão estadual de patrimônio iniciaram um novo estudo sobre a delimitação da área histórica protegida.
Qual período favorece a viagem a Sousa?
Entre maio e agosto, Sousa tem pouca chuva e temperaturas ligeiramente mais amenas, favoráveis às atividades externas. Depois, a estiagem e as máximas aumentam, por isso a tabela ajuda a escolher horários e atividades.
Observação: Período em que se concentram as principais precipitações do ano na região.
Status: Estação de calor associada à maior umidade.
Vantagem: As temperaturas iniciam uma queda sutil e as chuvas diminuem significativamente.
Status: Clima de transição para o período mais seco.
Dica: Época de pouquíssima chuva e com máximas ligeiramente mais suaves para roteiros externos.
Status: 🌟 Melhor Época! Clima ideal para atividades ao ar livre.
Evitar: Exposição solar direta e atividades físicas intensas nos horários mais quentes do dia.
Status: Estiagem severa com picos de calor intenso.
Consulte a página de climatologia do Climatempo antes de organizar as atividades. Em seguida, confira a previsão atualizada para a data da viagem.
Por estrada, Sousa fica a cerca de 432 km de João Pessoa, com acesso principal pela BR-230. A saída para o monumento segue pela PB-391. Quem viaja de ônibus deve confirmar horários com as empresas, pois as frequências mudam.
Uma viagem capaz de atravessar tempos
Sousa transforma as rochas do sertão em uma narrativa que conecta dinossauros, povos indígenas, paisagem semiárida e a própria formação urbana da Paraíba no presente. O destino recompensa quem aprecia ciência, caminhadas curtas e histórias preservadas fora dos roteiros turísticos mais conhecidos do interior nordestino, sem exigir muitos dias inteiros. Reserve uma manhã para o vale e outra para o centro, observando cada detalhe com a curiosidade de quem encontra história rara sob os pés.
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