O caminho atravessa o Cerrado, segue por estradas de terra e termina diante de uma cena que parece deslocada do mapa. Em Mateiros, no leste do Tocantins, montanhas de areia dourada surgem entre serras, veredas e campos secos. A paisagem lembra uma praia sem mar, mas nasceu do vento e das rochas da Serra do Espírito Santo.
Como surgem dunas tão longe do mar?
As Dunas do Jalapão não dependem do oceano para existir. Segundo o Portal oficial do Jalapão, os ventos carregam partículas das rochas de arenito da Serra do Espírito Santo e acumulam esse material ao longo do tempo. O processo cria ondas de areia cercadas pela vegetação do Cerrado.
Essa origem explica o contraste que confunde tantos visitantes. De um lado aparecem encostas secas, campos e árvores retorcidas. Do outro, a areia ganha tons dourados e desenha uma paisagem associada ao litoral. A semelhança é visual, porque o cenário nasceu da erosão, do transporte de sedimentos e da ação contínua do vento.
Mateiros ocupa um território maior do que a cidade aparenta
Mateiros possui 9.589,273 km² de área territorial e densidade de apenas 0,29 habitante por km², segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Esses números ajudam a entender por que as distâncias dominam a experiência e por que a sede urbana parece pequena diante do território.
O município abriga parte decisiva do Parque Estadual do Jalapão, criado em 2001 com 158.885,4662 hectares para proteger fauna, flora e recursos naturais. A identidade local também aparece na comunidade Mumbuca, referência na produção de artesanato com capim dourado, atividade que liga conservação, memória e renda.

O que fazer além de contemplar a areia?
O município reúne experiências que mudam rapidamente de aparência, embora estejam conectadas pelo Cerrado e pela água. O portal oficial apresenta atrativos capazes de ocupar vários dias, por isso a rota ganha mais sentido quando combina contemplação, banho e contato com comunidades locais.
- Dunas do Jalapão: oferecem a paisagem mais conhecida, com caminhada sobre a areia e visão aberta para a Serra do Espírito Santo.
- Cachoeira do Formiga: reúne água cristalina esverdeada, vegetação próxima e uma queda de quase dois metros.
- Fervedouros: permitem flutuar sobre nascentes onde a pressão da água dificulta que o corpo afunde.
- Cachoeira da Velha: impressiona pelo volume do Rio Novo, enquanto a Prainha próxima oferece um trecho mais calmo.
- Serra do Espírito Santo: revela a origem geológica das dunas e amplia a leitura da paisagem vista no nível da areia.
A variedade impede que Mateiros seja resumida a uma única fotografia. A areia chama a atenção primeiro, porém as águas transparentes e a vegetação mostram um território mais complexo. Essa sequência transforma a viagem em uma leitura gradual do Cerrado, não em uma simples visita a um mirante.
Como chegar e visitar sem improviso?
Palmas fica a 241 km de Mateiros, enquanto o trecho entre Ponte Alta do Tocantins e o município soma 160 km. O portal estadual recomenda veículo 4×4, inclusive para alcançar os atrativos. As estradas de terra, a areia solta e as longas distâncias exigem planejamento de combustível, água e horários.
Nas dunas, o visitante percorre cerca de 20 minutos de caminhada leve a moderada depois da entrada. O Instituto Natureza do Tocantins informa que a entrada depende de voucher, agendamento e presença de guia de turismo ou condutor ambiental local. Como os procedimentos podem mudar, confirme as regras antes de sair da sua cidade.
| Etapa | Foco |
|---|---|
| Deslocamento | Veículo 4×4, combustível planejado e atenção às grandes distâncias. |
| Visitação | Voucher, agendamento, guia local e respeito às regras ambientais. |
Entre no mistério do Cerrado de Mateiros
Mateiros reúne uma das imagens mais inesperadas do interior brasileiro, porque faz a areia parecer parte de uma costa que nunca esteve ali. As dunas, as serras e as águas revelam como o Cerrado constrói contrastes sem precisar imitar o litoral. Vá com tempo, siga as orientações locais e deixe a paisagem explicar por que esse canto do Tocantins permanece tão difícil de esquecer. Quando chegar ao alto da areia, observe primeiro o silêncio e só depois procure a melhor fotografia.
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