❄️ Adeus, selo A+++ na geladeira
A etiqueta do Inmetro perdeu as classes com sinal de mais em 1º de janeiro. Agora são só três letras: A, B e C. O varejo tem até 31 de dezembro para vender o estoque antigo. Entenda o que muda na hora de escolher seu próximo refrigerador. ⬇️
Quem entrar numa loja de eletrodomésticos hoje e procurar uma geladeira classe A+++ vai estranhar. O selo de eficiência energética que diferenciava os refrigeradores mais econômicos com sinais de mais deixou de existir. Desde 1º de janeiro de 2026, a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) aplicada a refrigeradores exibe apenas três faixas: A, B e C. A mudança, estabelecida pelas Portarias nº 332/2021 e nº 736/2024 do Inmetro, reorganiza o mercado e exige atenção redobrada do consumidor na hora da compra.
O que mudou na classificação energética dos refrigeradores?
A principal alteração é o fim das subclasses. Até dezembro de 2025, a etiqueta do Inmetro para geladeiras podia exibir classificações que iam de A+++ até letras inferiores, o que criava uma escala extensa e confusa. Dois modelos podiam ser “classe A” e, mesmo assim, ter diferenças relevantes de consumo, mascaradas pela quantidade de subdivisões.
Com a nova regra, a escala encolheu para três letras. A classe A reúne agora os modelos mais eficientes do mercado. A B indica desempenho intermediário. E a C marca o limite inferior permitido para comercialização. Produtos que se enquadrariam nas classes D, E ou F já estão proibidos no mercado brasileiro por resolução do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE).

Por que o Inmetro eliminou os sinais de mais?
Porque a escala inflacionou. Quando quase todos os refrigeradores se concentram entre A+ e A+++, a classificação perde a capacidade de diferenciar produtos. O consumidor olha a etiqueta, vê três modelos “A++” lado a lado e não consegue distinguir qual realmente gasta menos energia no fim do mês.
A nova classificação energética resolve esse problema ao apertar a régua. Segundo João Nery, diretor de Avaliação da Conformidade do Inmetro, os critérios agora exigem que os refrigeradores disponíveis nas lojas sejam, em média, 17% mais eficientes do que os comercializados anteriormente. A atualização adota a norma internacional IEC 62552:2020 para os ensaios de desempenho, alinhando o Brasil aos padrões de teste usados na Europa e em outros mercados.
Como o consumidor deve ler a nova etiqueta na loja?
A letra continua sendo o primeiro ponto de comparação, mas agora ela diz mais. Com apenas três faixas, a distância entre um modelo A e um modelo C é significativa. O selo de conservação de energia passou a funcionar como um filtro mais preciso para quem quer economizar na conta de luz.
Dois dados merecem atenção especial dentro da nova etiqueta. O primeiro é o consumo mensal em quilowatt-hora, que permite calcular o impacto direto no orçamento. O segundo é o volume útil dos compartimentos, que ajuda a comparar modelos de tamanhos diferentes sem distorção.
- Classe de eficiência (A, B ou C): indica o desempenho energético do refrigerador em relação aos demais do mercado. A é o melhor, C é o limite mínimo.
- Consumo mensal (kWh/mês): mostra o gasto estimado de energia. Quanto menor o número, menor a conta. Esse dado permite comparar modelos de portes diferentes.
- Volume dos compartimentos: informa a capacidade em litros, separando o espaço de alimentos frescos do congelador. Ajuda a evitar a compra de um modelo maior do que a família precisa.
O que acontece com as geladeiras que ainda têm o selo antigo?
Elas podem continuar sendo vendidas, mas com prazo. Refrigeradores fabricados até 31 de dezembro de 2025 que ainda carregam a etiqueta antiga, com as classes A+, A++ ou A+++, podem ser comercializados até o fim de 2026. O varejo tem o ano inteiro para escoar esse estoque. Depois de 31 de dezembro, todo refrigerador nas prateleiras precisa exibir a nova ENCE com as três faixas atualizadas.
Isso não significa que os modelos antigos são ruins. Uma geladeira que era classificada como A+++ no sistema anterior continua sendo eficiente. A diferença é que ela pode não alcançar a classe A na nova régua. O consumidor que encontrar dois aparelhos lado a lado, um com selo antigo e outro com o novo, deve comparar diretamente o consumo em kWh/mês, já que as letras de cada sistema não são equivalentes entre si.
Qual é o impacto real no bolso de quem compra uma geladeira em 2026?
É direto. Dados da PNAD Contínua do IBGE indicam que 98,3% dos domicílios brasileiros possuem geladeira. É o eletrodoméstico mais presente no país, funciona 24 horas por dia e responde por uma fatia significativa da conta de luz. A diferença entre um modelo classe A e um classe C pode representar dezenas de reais por mês, valor que se acumula ao longo dos 10 a 15 anos de vida útil do aparelho.
A nova ENCE para refrigeradores facilita essa conta. Com menos faixas e critérios mais rígidos, a página oficial do Inmetro orienta o consumidor a priorizar o consumo mensal em kWh como critério de desempate. Dois refrigeradores classe B podem ter consumos bem diferentes, e é o número, não a letra, que vai determinar quanto sai do seu bolso todo mês.
Vale a pena esperar ou comprar agora com a etiqueta antiga?
Depende do preço e do consumo declarado. Um refrigerador com selo antigo A+++ pode estar mais barato justamente porque a loja precisa liberar espaço no estoque. Se o consumo mensal em kWh for baixo, a compra pode ser vantajosa. O importante é não se guiar apenas pela letra, seja a antiga ou a nova, e sempre conferir o número de quilowatt-hora por mês impresso no selo.
Na próxima vez que você parar diante da prateleira de geladeiras, vire a etiqueta a seu favor: compare o consumo, calcule o custo mensal e escolha pelo número, não pela nostalgia do A+++. A letra mudou, mas a conta de luz continua chegando todo mês.
