Quando a noite cai no extremo oeste paulista, ruas, escolas e praças revelam uma mudança menos simples do que parece. Andradina tenta trocar uma despesa pública milionária por energia produzida sob o próprio sol. A história real, porém, envolve metas, etapas e tecnologias diferentes, sem confirmar que cada poste seja solar.
O projeto que promete apagar uma conta milionária
Em 11 de maio de 2022, a prefeitura informou que a Câmara Municipal autorizou um financiamento de R$ 16 milhões para construir uma usina fotovoltaica. O projeto oficial de autossuficiência energética previa atender prédios, espaços públicos e iluminação das ruas, com economia estimada em R$ 5 milhões por ano. O estudo calculou retorno em três anos e oito meses e economia aproximada de R$ 230 milhões durante 25 anos, valores apresentados como projeções.
A proposta não exigia um painel em cada poste. A usina central produziria eletricidade, enquanto o excedente compensaria o consumo de diferentes unidades públicas. Essa arquitetura explica como uma cidade pode buscar autossuficiência sem transformar toda luminária em equipamento solar independente.
Andradina começa a mudança pelos telhados das escolas
A parte mais concreta da transformação apareceu na rede municipal de ensino. Em janeiro de 2023, a administração anunciou 2,5 mil placas fotovoltaicas para escolas, creches, setores administrativos e a Cozinha Piloto. Dois meses depois, 11 prédios da educação produziam a própria eletricidade, enquanto o plano previa alcançar 21 escolas e creches. Segundo o balanço oficial da educação, a geração estimada superaria a despesa mensal do setor.
A prefeitura calculou produção equivalente a cerca de R$ 130 mil por mês, diante de uma conta próxima de R$ 100 mil mensais após a instalação de aparelhos de ar condicionado. O excedente projetado reforçava a intenção de levar o modelo a outros serviços, embora a experiência ainda estivesse concentrada em um conjunto definido de prédios.

Por que LED não significa poste movido a energia solar?
LED descreve a tecnologia da luminária, não a origem da eletricidade. Essa diferença muda completamente a interpretação da pauta. Em outubro de 2024, o município informou que 85% da cidade usava LED. O plano previa substituir 9 mil pontos, 6,5 mil pela prefeitura e 2,5 mil em parceria com a concessionária.
A publicação citou luminárias LED solares apenas no prolongamento da Avenida Guanabara. Em 3 de março de 2026, a cobertura geral chegou a 95% e, no dia seguinte, uma praça recebeu iluminação fotovoltaica sem fiação convencional. Em janeiro de 2025, a administração também projetou economia de 30% com LED nas praças. Os exemplos mostram que eficiência, geração solar e autossuficiência se relacionam, mas não significam a mesma coisa.
A conta zero existe hoje em Andradina?
| Situação | O que as fontes oficiais mostram |
|---|---|
| Confirmado | 2,5 mil placas e 11 prédios da educação gerando energia. |
| Meta anunciada | Usina para atender prédios, espaços públicos e iluminação das ruas. |
A conta zero continua apresentada como objetivo nas fontes localizadas. A notícia de 2022 descreveu uma usina destinada a zerar a compra de energia das concessionárias. Em 2023, a prefeitura repetiu que a meta incluía toda a demanda pública e a iluminação dos postes. Contudo, os textos não apresentaram demonstrativo financeiro capaz de comprovar a eliminação integral da despesa municipal.
O relatório municipal de março de 2026 informou cobertura LED de 95%, mas diferenciou essas luminárias dos modelos fotovoltaicos instalados em áreas determinadas. Em 19 de março de 2026, outro comunicado tratou de um projeto ainda encaminhado à concessionária para o assentamento Pérola Negra. A rede segue em expansão, portanto a curiosidade está na ambição e na execução gradual, não em uma conta comprovadamente extinta.
Olhe para a cidade além da promessa
Andradina transformou telhados escolares, praças e avenidas em partes de uma experiência energética que combina geração solar, luminárias eficientes e redução de consumo. A cidade não confirma a lenda de todos os postes solares. Em troca, oferece algo mais revelador, um projeto público que avança por etapas e expõe a distância entre anúncio, implantação e resultado. Acompanhe cada nova fase como faria um amigo curioso, conferindo números e observando as ruas com atenção antes de aceitar a versão mais espetacular.
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