Em 1943, uma instalação militar no Novo México começou a arder por causa de uma arma que parecia saída da ficção. O fogo não veio de um ataque inimigo, mas de morcegos carregando pequenos dispositivos incendiários. Eles despertaram antes do momento previsto, buscaram abrigo nos prédios da própria base e expuseram o risco escondido no Projeto X-Ray.
Como nasceu o Projeto X-Ray
O projeto começou poucas semanas após o ataque a Pearl Harbor. Em 12 de janeiro de 1942, o dentista Lytle S. Adams enviou uma carta ao presidente Franklin D. Roosevelt. Ele propôs liberar morcegos sobre cidades japonesas para espalhar focos de incêndio em construções de madeira e papel. A ideia nasceu depois de uma visita às Cavernas de Carlsbad, onde Adams observou grandes colônias saindo ao anoitecer.
Roosevelt não descartou a proposta. Pelo contrário, encaminhou o plano para avaliação, mesmo reconhecendo seu caráter incomum. No verão de 1942, as Forças Aéreas do Exército e o Serviço de Guerra Química apoiavam o desenvolvimento militar. Segundo o Exército dos Estados Unidos, Adams venceu a resistência inicial de cientistas. Depois, participou da busca por uma espécie capaz de carregar a carga sem perder a capacidade de voo.
O segredo estava no tamanho do incendiário
Os morcegos não receberiam bombas explosivas convencionais. O químico Louis Fieser desenvolveu um incendiário de napalm com temporizador, pesando cerca de 17,5 gramas. Testes militares indicaram que o morcego mexicano de cauda livre suportava até 18 gramas, carga superior ao próprio peso de alguns exemplares. O dispositivo precisava permanecer leve, preso ao animal e ativo apenas depois que ele encontrasse um abrigo.
Antes do lançamento, as equipes resfriariam os animais para induzir hibernação. Em seguida, colocariam os morcegos em camadas dentro de um recipiente semelhante a bandejas de ovos. A cápsula desceria com paraquedas e se abriria a cerca de mil pés do solo. Conforme o Centro de Testes da Força Aérea, mais de mil animais poderiam sair de uma única cápsula. Eles voariam por uma ampla área e se esconderiam em beirais ou sótãos antes da ignição.

Quando o Projeto X-Ray voltou o fogo contra a base
O acidente ocorreu no Campo Aéreo Auxiliar do Exército em Carlsbad, no Novo México, em 1943. O Exército relata que alguns morcegos em exibição para uma filmagem de treinamento despertaram e escaparam. Eles seguiram o próprio instinto, procuraram frestas e partes cobertas das construções militares, justamente os locais que deveriam alcançar em cidades japonesas.
Quando os temporizadores acionaram os incendiários, o fogo atingiu a instalação. A extensão permanece controversa nas fontes oficiais. O Exército afirma que a ocorrência queimou a maior parte dos prédios. O Arquivo Nacional dos Estados Unidos, porém, menciona um hangar incendiado por animais libertados acidentalmente. Portanto, o incêndio é um fato documentado, mas a lista completa de hangares, escritórios e alojamentos destruídos não está confirmada de maneira uniforme.
Por que o plano continuou após o incêndio
| Tipo | Foco |
|---|---|
| Fato documentado | A Marinha assumiu o Projeto X-Ray em agosto de 1943 e encerrou o programa em 1944. |
| Hipótese histórica | A mudança de atenção para a bomba atômica pode ter pesado, mas a causa não está encerrada. |
O plano continuou porque os testes indicavam uma vantagem militar concreta. Conforme o Exército, o sistema produziu dez vezes mais focos de incêndio que uma carga equivalente de bombas incendiárias comuns. Os morcegos também alcançariam espaços internos e protegidos, onde munições lançadas diretamente teriam menor efeito. Assim, o acidente não provou apenas o risco do método. Ele também mostrou que os pequenos dispositivos conseguiam iniciar incêndios após os animais encontrarem abrigo.
Em agosto de 1943, a Marinha dos Estados Unidos assumiu o programa e adotou o nome Projeto X-Ray. O Arquivo Nacional informa que o Corpo de Fuzileiros Navais gastou mais de US$ 2 milhões no desenvolvimento. Na primavera de 1944, a Marinha cancelou o projeto. O Exército atribui a decisão a numerosas incertezas sobre sua utilidade. O Arquivo Nacional cita como possibilidade a mudança de atenção para a bomba atômica. Contudo, essa relação permanece uma hipótese, não uma causa comprovada de forma definitiva.
O limite de uma arma imprevisível
O Projeto X-Ray nunca chegou aos campos de batalha, embora tenha avançado muito além de uma proposta excêntrica. O incêndio em Carlsbad demonstrou que a arma podia funcionar, mas também revelou sua fragilidade. Temperatura, tempo de despertar e comportamento animal exigiam um cálculo preciso. A história permanece relevante porque mostra como uma solução engenhosa pode criar um perigo novo quando seus criadores não conseguem controlar cada etapa.
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