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Home Cidades

Uma cidade guarda árvores de 230 milhões de anos transformadas em pedra

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
04/08/2026 11:17
Uma cidade guarda árvores de 230 milhões de anos transformadas em pedra

A cidade de Mata abriga troncos petrificados de uma floresta triássica - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

À primeira vista, os blocos avermelhados parecem rochas comuns, mas veios, anéis e texturas revelam outra origem. Em Mata, no Rio Grande do Sul, troncos de uma floresta do Triássico atravessam cerca de 230 milhões de anos. Eles reaparecem no chão, nas praças e ao redor da igreja, sob o céu do interior gaúcho.

Como uma floresta inteira virou pedra?

🏛️ Há cerca de 230 milhões de anos: Uma grande enchente derruba a floresta e inicia a fossilização.
🌿 1980: Uma área de 3,6 hectares torna-se o Jardim Paleobotânico.
🚀 2018: O tombamento estadual reconhece o valor científico e paisagístico.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul, uma grande enchente derrubou a antiga floresta no período Triássico. Depois, minerais substituíram gradualmente a matéria vegetal e preservaram os troncos na forma encontrada atualmente.

Nesse processo, a celulose deu lugar à sílica e ao dióxido de silício, enquanto parte da estrutura interna permaneceu registrada. Os fósseis também documentam alterações climáticas do Triássico, por isso ajudam a reconstruir ambientes desaparecidos e etapas da evolução geológica da Terra.

Por que os troncos ainda parecem madeira?

Os minerais ocuparam espaços microscópicos sem apagar completamente o desenho dos tecidos vegetais. Essa preservação explica veios, rachaduras, anéis e superfícies que confundem o olhar, pois o visitante reconhece uma árvore em um material transformado em rocha há milhões de anos.

O Serviço Geológico do Brasil classifica os Sítios Paleobotânicos do Arenito Mata entre as mais importantes florestas petrificadas do planeta. Os lenhos fósseis silicificados aparecem em arenitos, sedimentos e pontos da área urbana, aproximando pesquisa, educação, turismo e cotidiano.

Uma cidade guarda árvores de 230 milhões de anos transformadas em pedra
A substituição mineral preservou veios e tecidos vegetais nos troncos fósseis – Créditos: Wikimedia Commons

Como os fósseis entraram na paisagem da cidade gaúcha?

A integração dos fósseis ao espaço urbano ganhou força na década de 1970, ligada à atuação do padre Daniel Cargnin. Ao perceber que os troncos petrificados precisavam de proteção, ele ajudou a incorporá-los à paisagem e fortaleceu uma identidade que ainda marca o centro do município.

A Igreja Matriz Santo Antônio recebeu, em 1977, escadarias, cruz, praça e calçadas ornamentadas com fósseis vegetais. Na Praça Santo Brugalli, fragmentos também aparecem na ornamentação, lembrando a busca comunitária por conservação, pesquisa e memória coletiva.

O Jardim Paleobotânico de Mata conserva fósseis no próprio solo

TipoFoco
Jardim PaleobotânicoFósseis vegetais preservados no terreno em uma área de 3,6 hectares.
Paisagem urbanaPraça, escadarias e calçadas ornamentadas com madeira petrificada.

O Jardim Paleobotânico de Mata conserva exemplares no local onde foram encontrados, condição definida pelo termo científico in situ. Em 1980, a prefeitura delimitou cerca de 3,6 hectares por meio de convênio com a Universidade Federal de Santa Maria, unindo proteção, pesquisa, educação e visitação.

O estado tombou o jardim em 19 de junho de 2018 e o registrou no Livro Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Os troncos ainda afloram junto às encostas, enquanto o inventário federal indica acesso pela BR-287 e pela RS-532, em um percurso de cerca de 12,45 km até o centro.

Mata é para olhar devagar

Essa cidade aproxima a rotina de uma pequena cidade gaúcha aos vestígios de uma floresta triássica, preservados por cerca de 230 milhões de anos. Entre o jardim, as calçadas e as escadarias, a pedra conserva formas, texturas e histórias que pertenciam a árvores de um mundo desaparecido. Reserve tempo para caminhar sem pressa e observar cada detalhe, porque este é daqueles lugares capazes de mudar nossa percepção sobre o passado.

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Tags: ciênciacuriosidadenatureza
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