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Home Cidades

A ‘Mesopotâmia brasileira’ que guarda uma floresta fossilizada de 270 milhões de anos numa avenida

Núbia Rangel Núbia Rangel
08/08/2026 17:47
A 'Mesopotâmia brasileira' que guarda uma floresta fossilizada de 270 milhões de anos numa avenida

Troncos com até 280 milhões de anos surpreendem visitantes.

Destaques

  • A cidade fica entre dois rios, o Parnaíba e o Poti, o que lhe rendeu o apelido de Mesopotâmia brasileira.
  • O Parque Municipal da Floresta Fóssil guarda entre 60 e 70 troncos petrificados em posição de vida, do período Permiano, conforme a fonte consultada.
  • O sítio é tombado pelo IPHAN e é considerado único dentro de uma capital brasileira.

Imagine caminhar por uma avenida movimentada e, a poucos metros do asfalto, encontrar troncos de árvores que existiam muito antes dos dinossauros. Em Teresina, capital do Piauí, essa cena não é ficção. A cidade guarda uma floresta fossilizada com mais de 270 milhões de anos bem no meio da paisagem urbana.

Uma capital nascida entre dois rios

Teresina surgiu em 16 de agosto de 1852, quando a capital do Piauí deixou de ser Oeiras, no interior do estado. O isolamento atrapalhava o comércio, e as autoridades decidiram fundar uma nova sede administrativa entre dois grandes rios.

A cidade nasceu batizada de Vila Nova do Poty, entre o Rio Parnaíba e o Rio Poti, e logo recebeu o nome de Teresina, em homenagem à imperatriz Teresa Cristina. Foi a primeira cidade planejada do Brasil, desenhada em quadras regulares antes mesmo de ter moradores, e por isso é chamada hoje de Mesopotâmia brasileira.

Confira o vídeo do Instagram do @claudeanaraujo sobre a Floresta Fóssil de Teresina:

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Um post compartilhado por Claudean Araújo (Turista do Piauí) (@claudeanaraujo)

Passeio que vira aula de geologia ao ar livre

A cerca de 343 quilômetros do litoral, Teresina é a única capital nordestina sem acesso direto ao mar. Mas quem visita a cidade encontra outro tipo de paisagem rara, bem às margens do Rio Poti.

Entre a avenida e o leito do rio fica o Parque Municipal da Floresta Fóssil, onde dá para caminhar ao lado de troncos petrificados sem precisar de roteiro especial ou equipamento de expedição.

Antes dos dinossauros, essas árvores já estavam aqui

Os troncos fossilizados às margens do Rio Poti pertencem ao período Permiano, com idade estimada entre 270 e 280 milhões de anos, quando o planeta ainda nem tinha dinossauros. Eles fazem parte da formação geológica Pedra de Fogo, dentro da Bacia do Parnaíba.

O que torna o local ainda mais raro é a forma como os fósseis foram preservados. Alguns detalhes ajudam a entender por que a Floresta Fóssil chama tanta atenção de pesquisadores:

  • Os troncos aparecem em posição de vida, ou seja, eretos, do jeito que cresceram há milhões de anos.
  • A descoberta aconteceu em 1909, pelo geólogo Miguel Arrojado Lisboa.
  • O sítio integra a formação Pedra de Fogo, uma das camadas mais antigas da Bacia do Parnaíba.
  • A Prefeitura de Teresina descreve o parque como único do tipo no mundo dentro de uma capital, embora fontes acadêmicas mais cautelosas restrinjam a exclusividade ao cenário brasileiro.
  • O conjunto é tombado pelo IPHAN, o que garante proteção legal ao patrimônio.

Pontos-chave

1909

Ano em que o geólogo Miguel Arrojado Lisboa descobriu os primeiros troncos fossilizados.

270 a 280 milhões de anos

Idade estimada dos fósseis, datados do período Permiano, antes dos dinossauros.

Patrimônio único

Tombado pelo IPHAN, é considerado único dentro de uma capital brasileira.

Vale a pena conhecer de perto, e não custa caro

Para quem mora ou visita Teresina, o parque funciona como um lembrete de que a história do planeta pode estar a poucos passos de casa, sem viagem longa nem ingresso caro.

A experiência também aproxima crianças e adultos de temas de geologia e paleontologia de um jeito concreto, olhando de perto para algo que normalmente só aparece em livros ou documentários.

A 'Mesopotâmia brasileira' que guarda uma floresta fossilizada de 270 milhões de anos numa avenida
Teresina guarda uma floresta fossilizada no meio da cidade.

Reforma quer transformar o parque em point turístico

A Prefeitura de Teresina prepara uma reforma no parque, com a criação de um museu de paleontologia, trilhas revitalizadas e um centro de apoio ao visitante, viabilizada com apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina.

Teresina segue sendo, de um jeito bem particular, uma cidade que carrega o passado bem debaixo dos pés. Entre o barulho da avenida e o silêncio dos troncos fossilizados, a Mesopotâmia brasileira lembra que o tempo geológico e o tempo urbano podem, sim, dividir o mesmo endereço.

Já pensou em conhecer de perto uma floresta com 270 milhões de anos sem sair da cidade? Compartilhe essa curiosidade com quem também se surpreende com os mistérios escondidos no Brasil.

Tags: Floresta FóssilParque Municipal da Floresta FóssilPiauíTeresina
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