À primeira vista, Uberaba parece guardar seu passado sob ruas, lavouras e cortes de estrada. Porém, parte dessa história emerge literalmente das rochas: a UNESCO registra mais de 10 mil fósseis do Cretáceo Superior recuperados no município, inclusive em canteiros de obras. A cerca de 22 km da área urbana, Peirópolis transforma esse patrimônio em pesquisa, memória e visitação.
Por que Uberaba guarda tantos fósseis?
A explicação começa nas rochas sedimentares da Bacia Bauru. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) descreve formações do Cretáceo Superior que registraram antigas planícies fluviais, sistemas de rios e lagoas rasas. Esses ambientes favoreceram a preservação de restos e vestígios de animais que viveram há dezenas de milhões de anos.
O resultado aparece em uma escala rara. A UNESCO informa que mais de 10 mil fósseis foram recuperados no território e destaca a Formação Serra da Galga pela abundância paleontológica. Entre os achados estão dinossauros, crocodiliformes, tartarugas e outros organismos. A riqueza fóssil não ficou restrita à zona rural: a instituição confirma descobertas em canteiros de obras dentro da cidade, fazendo do subsolo urbano parte dessa história geológica.
Peirópolis transforma ciência em experiência
A ligação entre pesquisa e comunidade começou muito antes do reconhecimento internacional. A Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) registra os primeiros achados em 1945 e informa que Llewellyn Ivor Price conduziu escavações sistemáticas na região por décadas. Em 2010, o Centro Price e o Museu dos Dinossauros passaram a integrar a universidade.
Hoje, o Complexo Cultural e Científico de Peirópolis reúne pesquisa, ensino e divulgação científica. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) registra mais de 4 mil fósseis no acervo associado ao geossítio, com dinossauros, crocodiliformes, tartarugas, anfíbios, peixes, mamíferos e icnofósseis. Entre os vestígios aparecem ovos de dinossauro, enquanto a Serra da Galga forneceu o primeiro ovo de dinossauro da América do Sul. O território também preserva formas como Uberabatitan ribeiroi, e as exposições reconstroem paisagens de aproximadamente 70 milhões de anos para aproximar a paleontologia do visitante.

O que o visitante encontra em Peirópolis?
A visita funciona melhor quando ciência e paisagem entram no mesmo roteiro. O complexo da UFTM e os geossítios próximos ajudam a entender por que os fósseis aparecem em tantos pontos do município. Antes de circular, vale verificar as orientações oficiais de acesso e funcionamento.
- Museu dos Dinossauros: instalado na antiga estação ferroviária, apresenta fósseis, réplicas de esqueletos, reconstruções em vida, cenários e dioramas ligados à fauna regional.
- Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price: concentra atividades científicas e integra o complexo responsável por pesquisa, preservação, ensino e divulgação da paleontologia.
- Exposição a céu aberto: a UFTM mantém um dos espaços musealizados fora do edifício principal, ampliando a experiência para além das vitrines.
- Geossítio Caieira: aparece entre os pontos paleontológicos próximos citados pelo SGB e ajuda a conectar os fósseis às próprias rochas onde foram preservados.
- Mirante da Bela Vista: integra a relação oficial de locais próximos ao geossítio de Peirópolis, oferecendo uma parada menos óbvia no território.
Peirópolis também mostra como a ciência pode reorganizar a vida de uma comunidade. A UFTM informa que o bairro reúne serviços ligados ao geoturismo, como alimentação, hospedagem, artesanato e receptivo. Assim, os fósseis não ficam isolados em uma coleção: eles ajudam a sustentar atividades locais ligadas à educação, cultura e visitação.
Como chegar e quando visitar Uberaba?
A UFTM informa que Peirópolis fica às margens da BR-262, no km 784, aproximadamente 22 km de Uberaba no sentido Belo Horizonte. Quem depende de transporte coletivo pode usar a linha I58 Ponte Alta/Peirópolis, com saída a partir do Terminal Leste do BRT, conforme a orientação institucional.
Como horários de visitação e transporte podem mudar, a consulta ao site da UFTM deve entrar no planejamento. Para atividades externas, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mantém previsão, avisos e dados da estação automática de Uberaba. Nem todo ponto paleontológico possui estrutura turística: na Serra da Galga, o SGB informa que ainda não existem instalações próprias para visitação e recomenda atenção por causa da proximidade com a rodovia. Por isso, o melhor caminho é priorizar espaços oficialmente preparados para receber público.
Peirópolis merece a viagem
Em Uberaba, a paleontologia atravessa laboratórios, museus, estradas e até obras urbanas. Peirópolis concentra a face mais acessível dessa história, com fósseis, pesquisa e paisagens que remetem a um território ocupado por grandes animais há mais de 60 milhões de anos. Se você gosta de lugares onde a ciência muda a forma de olhar o chão, coloque essa comunidade mineira no roteiro.
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