Em 5 de maio de 1945, com a derrota nazista já próxima, uma batalha incomum ocorreu no Castelo de Itter, na Áustria. Um pequeno grupo de soldados americanos, militares alemães e prisioneiros franceses enfrentou tropas da Waffen-SS. O episódio nasceu do colapso militar alemão e de uma prisão ligada ao campo de Dachau.
Por que o Castelo de Itter virou uma prisão para franceses importantes?
O castelo não era uma fortaleza comum naquele momento. O Bundesarchiv registra Schloss Itter como um comando externo do campo de concentração de Dachau entre fevereiro de 1943 e abril de 1945. A finalidade registrada era abrigar prisioneiros franceses proeminentes. Portanto, o local fazia parte da estrutura repressiva nazista, embora tivesse um perfil de detenção diferente dos grandes campos.
Entre os detidos havia generais franceses, ex-primeiros-ministros, um antigo ministro da Defesa, um dirigente sindical e um conhecido tenista. A publicação oficial do Exército dos Estados Unidos destaca também as profundas rivalidades políticas entre alguns deles. Esse detalhe ajuda a entender o cenário: o castelo reunia pessoas influentes, mas não formava um grupo politicamente coeso. A ameaça comum, porém, mudou a dinâmica quando os guardas começaram a abandonar o local.
Como americanos e militares alemães acabaram no mesmo lado?
A cooperação surgiu do colapso das forças alemãs, não de uma reconciliação entre os dois exércitos. Segundo a Army University Press, a força tinha 14 soldados americanos, 10 militares alemães e um tanque Sherman. Os próprios franceses também participaram da defesa. Eles se prepararam para impedir que a Waffen-SS retomasse o prédio e alcançasse os detidos. A mesma fonte relata que um funcionário croata do castelo ajudou a levar um pedido de socorro até as forças aliadas que avançavam pela região.
Essa composição torna a batalha tão incomum, mas exige precisão. A Wehrmacht inteira não mudou de lado, nem houve uma aliança formal entre Alemanha e Estados Unidos. Alguns militares alemães atuaram localmente com os americanos em uma situação extrema. O major Josef “Sepp” Gangl aparece nas fontes austríacas como um defensor ligado à resistência naquele momento. Sua participação mostra como a autoridade nazista estava se fragmentando em diferentes grupos e lealdades.

A Waffen-SS ainda queria lutar quando a guerra já estava perdida
Sim. O Tiroler Landesarchiv registra que unidades formadas sobretudo por integrantes da Waffen-SS continuavam dispostas a combater. Isso acontecia no baixo vale do Inn e na região de Kitzbühel, quando tropas americanas já avançavam pelo Tirol. Milhares de soldados alemães se rendiam. O combate em Itter pertence exatamente a esse ambiente de desintegração militar. No mesmo 5 de maio, o 19º Exército capitulou em Innsbruck e o 1º Exército em Munique. O registro mostra quão próximo estava o fim.
A fonte militar americana identifica os atacantes como integrantes da 17ª Divisão Panzergrenadier da Waffen-SS. O objetivo imediato era o castelo, onde estavam os franceses e seus defensores improvisados. Não há necessidade de transformar o episódio em uma batalha gigantesca para reconhecer sua singularidade. O que chama atenção é a combinação de adversários recentes na mesma posição defensiva, enquanto outra força alemã ainda seguia ordens de combate.
O que aconteceu durante a defesa do Castelo de Itter?
Durante o confronto, a Waffen-SS conseguiu inutilizar o tanque Sherman que apoiava a defesa. A mesma ofensiva matou Sepp Gangl, segundo o arquivo estadual do Tirol. Mesmo com essa perda, os defensores mantiveram a posição até a chegada de uma força de socorro americana. A publicação militar dos Estados Unidos resume o desfecho como uma resistência suficiente para impedir a tomada do castelo. O arquivo do Tirol registra que Gangl foi atingido por fogo de metralhadora na manhã de 5 de maio, quando atuava entre os defensores.
Os prisioneiros franceses também aparecem nas fontes como participantes da defesa, embora os detalhes individuais variem em relatos posteriores. Por isso, o episódio deve ser descrito com cautela. O fato sólido é a presença conjunta de americanos, alemães e franceses contra a Waffen-SS. O número exato de atacantes não será tratado como certeza aqui, pois as fontes oficiais consultadas não oferecem uma contagem segura e uniforme.
Uma aliança no fim da guerra
A Batalha do Castelo de Itter mostra como o colapso nazista produziu situações militares excepcionais e uma cooperação local, breve e limitada. Antigos inimigos combateram lado a lado enquanto a guerra na Europa chegava aos últimos dias, sem apagar as responsabilidades anteriores. O episódio revela a desordem política e militar do fim do regime e explica por que essa aliança continua tão incomum.
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