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Mais de 200 cavernas ficam protegidas entre dois municípios do sertão, e uma delas abriu oficialmente aos turistas em 2025 enquanto outra conserva pinturas rupestres nas paredes e no teto

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
28/08/2026 12:08
Mais de 200 cavernas ficam protegidas entre dois municípios do sertão, e uma delas abriu oficialmente aos turistas em 2025 enquanto outra conserva pinturas rupestres nas paredes e no teto

Parque no sertão potiguar abriga centenas de cavernas e arte rupestre milenar - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

No oeste do Rio Grande do Norte, a paisagem seca da Caatinga esconde um mundo subterrâneo que muda completamente a escala do sertão. Em Baraúna, o Parque Nacional da Furna Feia reúne centenas de cavidades, abriu a Furna Nova ao turismo em 2025 e protege paredes marcadas por pinturas rupestres atribuídas a grupos que viveram na região há milênios.

Por que Baraúna concentra tantas cavernas?

🏛️ 2012: Criação do primeiro parque nacional do Rio Grande do Norte.
🌿 2025: Furna Nova recebe a inauguração do uso turístico.
🚀 2026: Parque supera mil visitas nos primeiros cinco meses de abertura.

O número impressiona porque a unidade conserva 207 cavernas conhecidas em seu interior e outras 44 na zona de amortecimento. A página atual do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) registra 8.517,63 hectares protegidos no bioma Caatinga, entre Baraúna e Mossoró.

Criado em 5 de junho de 2012, o parque nasceu após anos de levantamentos sobre a Caatinga preservada e as cavidades subterrâneas da região, tornando-se o primeiro parque nacional do estado. A Furna Feia, que dá nome à unidade, alcança 739 metros de desenvolvimento, enquanto a Furna Nova possui pelo menos 250 metros mapeados. Essa concentração transforma o subsolo em parte central da identidade natural de Baraúna e explica por que a conservação precisa alcançar tanto a superfície quanto os ambientes cavernícolas.

Como visitar a Furna Nova?

A Furna Nova é a caverna preparada para receber turistas no parque. O ICMBio inaugurou seu uso turístico em 2025, depois da aprovação de um plano de manejo espeleológico e da implantação de estruturas planejadas para reduzir impactos no ambiente subterrâneo. Entre as formações registradas estão uma cortina com mais de seis metros e o maior ninho de pérolas de caverna conhecido no estado.

Segundo a orientação mais recente do ICMBio/Cecav, quem pretende conhecer o parque e os atrativos de Baraúna deve preencher o formulário de pré-agendamento indicado pelo órgão. A visitação foi anunciada de terça a domingo. Nos primeiros cinco meses após a abertura de 2025, a unidade recebeu mais de mil visitas, segundo balanço publicado pelo instituto em 2026. O passeio ainda pode ser combinado com serviços de turismo de base comunitária oferecidos no entorno, como hospedagem, alimentação, artesanato e produtos locais.

Mais de 200 cavernas ficam protegidas entre dois municípios do sertão, e uma delas abriu oficialmente aos turistas em 2025 enquanto outra conserva pinturas rupestres nas paredes e no teto
Abertura turística controlada da Furna Nova protege formações e estruturas espeleológicas – Créditos: Bento de Diego de Medeiros via Wikimedia Commons

O que as pinturas rupestres revelam?

O Abrigo do Letreiro conserva pinturas rupestres distribuídas pelas paredes e por partes do teto da cavidade. A publicação técnica Entre Furnas e Lajedos, do ICMBio, relaciona essas pinturas à Tradição Agreste, associada a grupos de caçadores-coletores que viveram no Nordeste há cerca de 5.000 anos.

A cavidade também ajuda a contar uma história geológica. Sua forma semicircular e as cúpulas de dissolução indicam uma fase em que um curso d’água preenchia o conduto, enquanto o desabamento de parte do teto criou uma claraboia que ilumina o interior. O material técnico registra ainda a presença de um mulungu estabelecido nesse ponto de luz. Em publicação de 2026, o ICMBio informou que o Abrigo do Letreiro ainda aguardava abertura ao turismo, embora seu plano de manejo espeleológico estivesse aprovado.

Quando visitar Baraúna?

O clima de Baraúna permanece quente durante todo o ano, com médias mensais de mínimas entre 23 °C e 24 °C e máximas entre 31 °C e 34 °C. A chuva se concentra sobretudo entre fevereiro e maio, enquanto agosto, setembro e outubro apresentam volumes climatológicos muito baixos.

🦇 Verão
Dezembro a Fevereiro 24 °C a 33 °C
🌤️ 20 a 86 mm/mês
O que fazer: Visitar a Furna Nova com horário confirmado e combinar o passeio com experiências comunitárias.
Dica: O calor é intenso; mantenha a hidratação em dia.
Status: Clima muito quente, antecedendo as chuvas.
🦇 FURNA NOVA E CULTURA
🌧️ Outono
Março a Maio 24 °C a 32 °C
🌧️ 68 a 135 mm/mês
O que fazer: Priorizar a programação agendada e confirmar as condições de acesso antes do deslocamento.
Atenção: Concentra os maiores volumes de chuva do ano, o que pode afetar estradas locais.
Status: Período mais úmido.
📅 ROTEIROS AGENDADOS
🌵 Inverno
Junho a Agosto 23 °C a 33 °C
☀️ 4 a 34 mm/mês
O que fazer: Combinar a visita subterrânea com a observação das incríveis paisagens da Caatinga.
Vantagem: Fim do período chuvoso, a vegetação ainda está viva e o acesso fica mais fácil.
Status: Transição para o tempo seco.
🌵 PAISAGENS DA CAATINGA
🌟 Primavera
Setembro a Novembro 23 °C a 34 °C
☀️ 2 a 5 mm/mês
O que fazer: Planejar atividades externas e a visita à caverna (sempre com pré-agendamento).
Dica: É a época com os volumes de chuva mais baixos do ano, garantindo acesso tranquilo.
Status: 🌟 Melhor Época! Clima extremamente seco e propício para espeleologia.
🌟 ATIVIDADES EXTERNAS

Nota: valores organizados a partir da climatologia de 30 anos apresentada pelo Climatempo para Baraúna.

Baraúna merece a viagem?

O município oferece uma combinação incomum no sertão potiguar, onde a Caatinga, a geologia e registros arqueológicos ocupam o mesmo território protegido. A abertura controlada da Furna Nova mostra como a visitação pode aproximar o público de cavernas sensíveis sem transformar todo o patrimônio em atração imediata. Para quem gosta de turismo científico e natureza, eu colocaria Baraúna no roteiro com tempo para observar a paisagem, conhecer a caverna aberta e entender por que esse mundo subterrâneo exige tanto cuidado e como ciência, memória e conservação se encontram ali.

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Tags: curiosidadenaturezaturismo
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