No oeste do Rio Grande do Norte, a paisagem seca da Caatinga esconde um mundo subterrâneo que muda completamente a escala do sertão. Em Baraúna, o Parque Nacional da Furna Feia reúne centenas de cavidades, abriu a Furna Nova ao turismo em 2025 e protege paredes marcadas por pinturas rupestres atribuídas a grupos que viveram na região há milênios.
Por que Baraúna concentra tantas cavernas?
O número impressiona porque a unidade conserva 207 cavernas conhecidas em seu interior e outras 44 na zona de amortecimento. A página atual do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) registra 8.517,63 hectares protegidos no bioma Caatinga, entre Baraúna e Mossoró.
Criado em 5 de junho de 2012, o parque nasceu após anos de levantamentos sobre a Caatinga preservada e as cavidades subterrâneas da região, tornando-se o primeiro parque nacional do estado. A Furna Feia, que dá nome à unidade, alcança 739 metros de desenvolvimento, enquanto a Furna Nova possui pelo menos 250 metros mapeados. Essa concentração transforma o subsolo em parte central da identidade natural de Baraúna e explica por que a conservação precisa alcançar tanto a superfície quanto os ambientes cavernícolas.
Como visitar a Furna Nova?
A Furna Nova é a caverna preparada para receber turistas no parque. O ICMBio inaugurou seu uso turístico em 2025, depois da aprovação de um plano de manejo espeleológico e da implantação de estruturas planejadas para reduzir impactos no ambiente subterrâneo. Entre as formações registradas estão uma cortina com mais de seis metros e o maior ninho de pérolas de caverna conhecido no estado.
Segundo a orientação mais recente do ICMBio/Cecav, quem pretende conhecer o parque e os atrativos de Baraúna deve preencher o formulário de pré-agendamento indicado pelo órgão. A visitação foi anunciada de terça a domingo. Nos primeiros cinco meses após a abertura de 2025, a unidade recebeu mais de mil visitas, segundo balanço publicado pelo instituto em 2026. O passeio ainda pode ser combinado com serviços de turismo de base comunitária oferecidos no entorno, como hospedagem, alimentação, artesanato e produtos locais.

O que as pinturas rupestres revelam?
O Abrigo do Letreiro conserva pinturas rupestres distribuídas pelas paredes e por partes do teto da cavidade. A publicação técnica Entre Furnas e Lajedos, do ICMBio, relaciona essas pinturas à Tradição Agreste, associada a grupos de caçadores-coletores que viveram no Nordeste há cerca de 5.000 anos.
A cavidade também ajuda a contar uma história geológica. Sua forma semicircular e as cúpulas de dissolução indicam uma fase em que um curso d’água preenchia o conduto, enquanto o desabamento de parte do teto criou uma claraboia que ilumina o interior. O material técnico registra ainda a presença de um mulungu estabelecido nesse ponto de luz. Em publicação de 2026, o ICMBio informou que o Abrigo do Letreiro ainda aguardava abertura ao turismo, embora seu plano de manejo espeleológico estivesse aprovado.
Quando visitar Baraúna?
O clima de Baraúna permanece quente durante todo o ano, com médias mensais de mínimas entre 23 °C e 24 °C e máximas entre 31 °C e 34 °C. A chuva se concentra sobretudo entre fevereiro e maio, enquanto agosto, setembro e outubro apresentam volumes climatológicos muito baixos.
Dica: O calor é intenso; mantenha a hidratação em dia.
Status: Clima muito quente, antecedendo as chuvas.
Atenção: Concentra os maiores volumes de chuva do ano, o que pode afetar estradas locais.
Status: Período mais úmido.
Vantagem: Fim do período chuvoso, a vegetação ainda está viva e o acesso fica mais fácil.
Status: Transição para o tempo seco.
Dica: É a época com os volumes de chuva mais baixos do ano, garantindo acesso tranquilo.
Status: 🌟 Melhor Época! Clima extremamente seco e propício para espeleologia.
Nota: valores organizados a partir da climatologia de 30 anos apresentada pelo Climatempo para Baraúna.
Baraúna merece a viagem?
O município oferece uma combinação incomum no sertão potiguar, onde a Caatinga, a geologia e registros arqueológicos ocupam o mesmo território protegido. A abertura controlada da Furna Nova mostra como a visitação pode aproximar o público de cavernas sensíveis sem transformar todo o patrimônio em atração imediata. Para quem gosta de turismo científico e natureza, eu colocaria Baraúna no roteiro com tempo para observar a paisagem, conhecer a caverna aberta e entender por que esse mundo subterrâneo exige tanto cuidado e como ciência, memória e conservação se encontram ali.
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