Aquele cilindro vermelho ainda serve para alguma coisa?
A data que decide isso está gravada no corpo do aparelho, e quase ninguém olha para ela. ⬇️
Abra o porta-malas ou espie sob o banco do motorista. Se o cilindro vermelho está ali desde a compra do carro, há boa chance de ele já não servir para nada. A vida útil é curta, a norma manda trocar em vez de recarregar, e o pequeno relógio no topo do equipamento conta apenas parte da história.
Quanto tempo dura o extintor do seu carro?
Cinco anos, contados da data de fabricação. A Resolução CONTRAN nº 556, de 17 de setembro de 2015, que alterou a Resolução nº 157/2004, fixa para automóveis a durabilidade mínima e a validade do teste hidrostático em cinco anos, e determina que, ao fim do prazo, o aparelho seja obrigatoriamente substituído por um novo.
A palavra da norma é substituição, não recarga. Em caminhões, ônibus e micro-ônibus a conta muda: durabilidade mínima de três anos e teste hidrostático válido por cinco. A data de fabricação vem gravada no próprio cilindro, e é dela que o relógio começa a correr.

O ponteiro na faixa verde garante que funciona?
Ele garante pressão, e só isso. Segundo as perguntas frequentes do Inmetro sobre extintores de incêndio, o equipamento precisa de recarga quando a pressão cai abaixo da faixa verde, nos modelos com indicador, ou abaixo do peso cheio marcado na válvula, nos modelos carregados com dióxido de carbono.
A pesagem, portanto, é o teste dos extintores de CO2. No pó ABC que equipa os carros, quem denuncia a perda de carga é o manômetro. O instituto acrescenta um alerta que costuma passar batido: recarregar sozinho não resolve. Um vazamento pode vir de trinca na rosca do cilindro ou de falta de estanqueidade da válvula, e essas causas precisam ser investigadas por empresa registrada no Inmetro.
A boa notícia é que a checagem visual leva menos de um minuto. Cabe em qualquer parada de abastecimento, e são só quatro pontos:
- Data de fabricação gravada no cilindro, para saber quanto falta para os cinco anos
- Ponteiro dentro da faixa verde, com o vidro limpo e sem trincas
- Lacre íntegro e selo de identificação da conformidade do Inmetro visível
- Corpo sem ferrugem, sem amassados e com etiqueta legível
Nem tudo o que circula como regra vem da mesma norma. Três informações resumem o que está de fato escrito nos documentos oficiais:
Ainda é obrigatório levar extintor no automóvel?
Não é. Desde setembro de 2015, o uso passou a ser facultativo para automóveis, utilitários, camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada. Quem decide manter o equipamento, porém, precisa seguir exatamente as mesmas regras de quem é obrigado a carregá-lo.
A obrigatoriedade continua de pé para uma lista específica. Nela estão justamente os veículos que rodam com mais carga e mais gente:
- Caminhão e caminhão-trator
- Micro-ônibus e ônibus
- Veículos destinados ao transporte de produtos inflamáveis, líquidos ou gasosos
- Todo veículo utilizado no transporte coletivo de passageiros
Onde o extintor precisa ficar dentro do veículo?
Na parte dianteira do habitáculo, ao alcance do condutor. A norma é explícita quanto à posição, e o motivo é prático: um princípio de incêndio dá segundos de vantagem, não minutos. O aparelho precisa estar onde a mão chega sem sair do banco.
Solto no porta-malas ou rolando sob o assento, ele falha duas vezes. Demora a ser alcançado e vira projétil numa freada brusca. Desde 2015, vale lembrar, só é aceito o modelo com carga de pó ABC, que cobre sólidos, líquidos inflamáveis e equipamentos energizados.
Vale checar o extintor antes da próxima viagem?
Vale, e o teste custa um minuto. Confira a data no cilindro, olhe o ponteiro e verifique o lacre. Se qualquer um dos três estiver fora do lugar, o que você carrega é peso morto com aparência de segurança.
Se o seu está guardado há mais tempo do que você lembra, tire dois minutos hoje para procurar a gravação no corpo dele. É o tipo de coisa que a gente costuma descobrir na hora errada.
