🎭 Otimismo forçado já não cola mais com você?
Uma frase de um dramaturgo pernambucano morto há mais de dez anos voltou a circular em grupos e redes sociais, e ela não pede para ninguém fingir que está tudo bem. ⬇️
Uma frase curta resume uma postura difícil de sustentar todos os dias. O dramaturgo pernambucano Ariano Suassuna resumiu sua visão de mundo assim: não era nem otimista nem pessimista, porque os otimistas soam ingênuos e os pessimistas soam amargos, então preferia se descrever como um realista esperançoso. Mais de uma década após sua morte, em 2014, a frase voltou a circular justamente quando timelines e grupos de família parecem uma sequência interminável de más notícias. Ela oferece uma terceira via entre negar o problema e desistir dele.
O que Ariano Suassuna quis dizer com “realista esperançoso”?
A ideia central é enxergar a realidade sem filtro, sem por isso abandonar a vontade de agir. O escritor rejeitava o otimismo que finge que tudo vai se resolver sozinho, porque essa postura costuma andar junto da inércia. Ao mesmo tempo, recusava o pessimismo que trata qualquer esforço como inútil diante de um mundo que não muda. Entre esses dois extremos, ele escolhia manter os pés no chão sem abrir mão da esperança como motor para continuar.

Por que essa frase voltou a circular agora?
O contexto atual ajuda a explicar o motivo.
Vários fatores tornaram essa combinação de palavras mais atual do que nunca. Veja os principais:
- O volume de notícias negativas em redes sociais aumentou a sensação de esgotamento diante da timeline.
- Discursos puramente otimistas soam vazios quando os problemas relatados são concretos e recorrentes.
- O pessimismo declarado também cansa, porque tira qualquer motivação para continuar trabalhando ou se engajando.
Como aplicar o realismo esperançoso no dia a dia?
A prática começa por separar dois momentos que costumam se misturar: reconhecer o problema e decidir agir sobre ele.
Um pequeno roteiro ajuda a transformar a frase em hábito, não apenas em citação bonita. Veja como começar:
- Nomeie o problema com clareza, sem minimizar nem exagerar sua gravidade.
- Escolha uma ação pequena e possível dentro do seu alcance real, não uma solução para o mundo inteiro.
- Revise a rotina de notícias, limitando o tempo de exposição sem deixar de se informar.
Esses passos simples evitam tanto a paralisia quanto a negação. Veja o resumo visual das três posturas que a frase contrapõe:
Quem foi o autor da frase, Ariano Suassuna?
O escritor nasceu em 1927, na Paraíba, e se tornou um dos nomes mais lembrados da literatura nordestina brasileira. É autor de “Auto da Compadecida” e fundador do Movimento Armorial, dedicado a valorizar a cultura popular do Nordeste. Suassuna também ocupou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, instituição que reúne parte da tradição literária do país. A frase sobre realismo esperançoso circula até hoje em artigos acadêmicos e reflexões sobre como lidar com crises prolongadas, como mostra um texto recente do Instituto Humanitas Unisinos que volta a citar o dramaturgo.

Essa mentalidade tem espaço fora da literatura?
Sim, e talvez por isso a frase resista tão bem ao tempo. A mesma lógica aparece em discussões sobre saúde mental, produtividade e engajamento social, sempre girando em torno do mesmo equilíbrio. Reconhecer o problema sem se afundar nele preserva energia para continuar trabalhando, mesmo em contextos difíceis. É essa mistura de lucidez e persistência que faz a Academia Brasileira de Letras ainda lembrar do autor em debates sobre o tema.
Vale adotar essa postura na sua rotina?
Vale, principalmente para quem sente que otimismo forçado já não convence mais ninguém. A frase de Suassuna funciona como um lembrete de que dá para olhar o mundo de frente sem perder a vontade de agir. Na próxima notícia ruim que aparecer na timeline, vale perguntar qual pequena ação ainda está ao seu alcance.
