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Marrocos cria plano contra a escassez de água: ligar rios com autopista de água, barragens e dessalinizar o oceano; projeto já atende mais de 11 milhões de pessoas

Alexandre Zambiasi Alexandre Zambiasi
09/09/2026 16:37
Marrocos cria plano contra a escassez de água: ligar rios, barragens e dessalinizar o oceano; projeto já atende mais de 11 milhões de pessoas

Marrocos transporta água entre bacias e reduz a dependência da chuva - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

💧

Um país inteiro decidiu que nunca mais vai depender só da chuva

Depois de sete anos de seca, Marrocos aposta em canos, barragens e água do mar para reescrever sua relação com a escassez hídrica. ⬇️

Enquanto boa parte do mundo ainda debate se vai chover o suficiente, Marrocos resolveu parar de depender só da sorte. O país construiu uma rede de canais que transporta água de uma bacia hidrográfica para outra, apelidada de autopista da água. A obra nasceu para enfrentar uma seca que durou sete anos e hoje já garante o abastecimento da região mais populosa do reino.

Como funciona a autopista da água marroquina?

A resposta está numa engenharia simples: tubulações de aço conectam bacias com água sobrando às regiões que mais precisam dela. O primeiro trecho liga o rio Sebu, no norte, ao Bouregreg, perto de Rabat. Antes, o excedente desse rio se perdia direto no oceano Atlântico.

Hoje esse volume abastece cidades como Rabat e Casablanca, no eixo mais habitado do país. O trajeto dessa rede de canais já provou sua eficiência em números concretos. Veja os principais dados dessa primeira etapa:

  • 66 quilômetros de tubulação de aço ligando as duas bacias
  • Investimento de 6 bilhões de dirhams na fase inicial
  • Capacidade de transportar até 15 metros cúbicos de água por segundo
  • Mais de 11 milhões de pessoas beneficiadas no eixo Rabat-Casablanca
A seca de sete anos faz Marrocos mudar a forma de levar água às cidades – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Por que Marrocos investe bilhões em novas barragens?

Porque guardar água quando chove virou prioridade de Estado. O reino já opera mais de 150 grandes barragens e outras 14 estão em obras neste momento. A meta é reforçar a capacidade de armazenamento antes que a próxima estiagem chegue.

Cada nova represa funciona como um seguro contra anos de chuva irregular. Esse esforço não se resume a uma única frente. Três estratégias caminham juntas para blindar o abastecimento do país:

Os três pilares da estratégia hídrica marroquina

🏞️
Barragens
Mais de 150 represas ativas guardam água das chuvas para os anos secos
🚰
Autopista da água
Canais transferem excedentes entre bacias para equilibrar o abastecimento regional
🌊
Dessalinização
Usinas transformam água do mar em água potável para reduzir a dependência da chuva
Fonte: Banco Mundial, Programa de Segurança e Resiliência Hídrica de Marrocos

Qual o papel da dessalinização até 2030?

O papel é reduzir a dependência total da chuva. Segundo dados do Banco Mundial, o país pode cair abaixo de 500 metros cúbicos de água por pessoa até 2030, limiar considerado escassez hídrica absoluta.

Por isso Marrocos quer que a água do mar cubra 60% do consumo de água potável nessa mesma data. O calendário dessas usinas segue uma lógica de urgência regional. Estas são as próximas etapas anunciadas pelo governo:

  1. Usina de Tânger, com capacidade de 150 milhões de metros cúbicos por ano
  2. Usina da região Oriental, prevista para 300 milhões de metros cúbicos anuais
  3. Novas plantas em Tiznit e Guelmim, com cerca de 100 milhões de metros cúbicos cada

Quem sente o impacto direto dessa transformação hídrica?

Quem sente primeiro os efeitos desse sistema de transferência entre bacias são as famílias do eixo Rabat-Casablanca, mas o alcance vai além das cidades grandes. Agricultores das regiões do Sebu e do Bouregreg ganham mais previsibilidade para irrigar suas terras.

Regiões do sul, historicamente mais castigadas pela seca, também recebem reforço através de pequenas barragens e dessalinizadoras locais. A ideia é simples: nenhuma cidade deve depender só da chuva da própria bacia.

O que essa mudança revela sobre o futuro da água?

Marrocos mostra que resiliência hídrica se constrói antes da crise, não durante ela. A combinação de barragens, canais e água do mar transforma um problema climático em planejamento de longo prazo. Fica a pergunta para quem lê de fora: será que outros países áridos vão seguir esse mesmo caminho nos próximos anos?

E você, já parou pra pensar em como sua cidade lidaria com sete anos seguidos de seca?

Tags: autopista da água Marrocosbacia do Sebu e Bouregregbarragens Marrocosdessalinização Marrocosseca Marrocos
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