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Home Animais e Vida Selvagem

O município brasileiro com mais cabras que gente, onde a criação atravessa gerações no Sertão pernambucano

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
11/09/2026 19:07
O município brasileiro com mais cabras que gente, onde a criação atravessa gerações no Sertão pernambucano

Rebanho numeroso e paisagem de Floresta resumem a força da criação local - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

No sertão de Pernambuco, o som dos rebanhos faz parte de uma paisagem onde a pecuária atravessa gerações. Floresta registrou 426.195 caprinos em 2023, enquanto o Censo de 2022 contou 30.137 moradores. A diferença transforma uma estatística agropecuária em retrato do território, da economia e da longa relação local com a criação animal.

Floresta lidera Pernambuco com um rebanho de 426 mil caprinos

🐐 2011: IBGE colocou Floresta entre os municípios com os maiores rebanhos caprinos do país.
📈 2020: O município permaneceu entre os cinco maiores efetivos nacionais.
📊 2023: O rebanho municipal chegou a 426.195 caprinos e liderou Pernambuco.

Em 2023, o município concentrou 426.195 caprinos, o maior efetivo municipal pernambucano no levantamento divulgado pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco. O total representava 12,67% dos caprinos do estado, dentro de um rebanho pernambucano que superava 3,3 milhões de animais naquele mesmo levantamento. Petrolina, segunda maior contagem do quadro estadual, tinha 295 mil caprinos, uma diferença de 131.195 animais em relação ao município.

A distância também aparece diante de outros grandes criadores pernambucanos registrados no mesmo recorte estatístico. Custódia somava 164.640 caprinos e Sertânia chegava a 150.700, números bem inferiores ao efetivo registrado naquele território sertanejo em 2023. O município tinha ainda 190 mil ovinos, reforçando a presença dos pequenos ruminantes na produção rural e na economia local.

Mais de 14 caprinos para cada morador do último Censo

Cena cotidiana ajuda a visualizar o peso do rebanho no município – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Com 30.137 moradores no Censo de 2022, a diferença em relação ao enorme rebanho caprino salta aos olhos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE registrou densidade demográfica de 8,36 habitantes por km² naquele levantamento. Comparado ao rebanho de 2023, o resultado supera 14 caprinos para cada pessoa recenseada, escala que evidencia o peso numérico da criação local.

A comparação usa anos diferentes e, por isso, não representa uma taxa oficial produzida pelo instituto para relacionar moradores e animais. Mesmo assim, ela ajuda a dimensionar o contraste em um território de 3.637,243 km², área registrada pelo IBGE para 2025. A estimativa de 2025, com 31.702 habitantes, permanece muito abaixo do efetivo caprino de 2023, mantendo a relação acima de treze animais por pessoa.

Floresta cresce sobre uma história ligada à pecuária

A relação entre o território e os rebanhos antecede em séculos a dimensão atual da caprinocultura local. A Prefeitura Municipal de Floresta informa que a povoação começou no século XVIII, ligada às fazendas Curralinho, Paus Pretos e Fazenda Grande. Na segunda metade daquele século, Fazenda Grande servia como curral temporário de gado vindo da Bahia, perto dos rios Pajeú e São Francisco.

Um oratório particular foi erguido em 1777, antes de o núcleo urbano ganhar a estrutura administrativa que apareceria nas décadas seguintes. Em 1849, a vila foi incorporada a Tacaratu, e o termo da comarca acabou restaurado em 1864, segundo a história oficial municipal. Em 1892, o tenente-coronel Fausto Serafim de Souza Ferraz assumiu como primeiro prefeito, conectando aquela formação rural aos primeiros anos republicanos.

Do primeiro lugar nacional ao grupo dos cinco maiores rebanhos

RecorteEfetivo caprino em 2024
Brasil13,3 milhões de animais.
Nordeste12,8 milhões de animais, 96,3% do total nacional.

Em 2009, o IBGE colocou o município entre os três maiores criadores de caprinos do país, atrás de Casa Nova e Juazeiro. Quatro anos depois, em 2013, a cidade tinha o maior efetivo caprino brasileiro, equivalente a 3,6% de todos os animais contabilizados. Em 2016, aparecia em segundo lugar, novamente atrás de Casa Nova, mantendo presença entre as maiores criações municipais do Brasil.

Em 2024, o Brasil somou 13,3 milhões de caprinos, e Floresta permaneceu entre os cinco maiores efetivos municipais apontados pelo IBGE. Casa Nova, Juazeiro, Floresta, Curaçá e Petrolina reuniam 2,3 milhões de animais, equivalentes a 17,1% do efetivo nacional. O Nordeste concentrava 96,3% dos caprinos brasileiros, enquanto Pernambuco respondia por 25,7% e a Bahia liderava os estados com 31,6%.

O rebanho também entra no mapa sanitário do estado

Desde a Portaria Adagro nº 065 de 2024, produtores pernambucanos devem atualizar os rebanhos em maio e novembro de cada ano. A obrigação alcança os caprinos e inclui a geolocalização das propriedades, registrando onde cada unidade produtiva está situada. Em uma cidade com criação tão numerosa, o cadastro aproxima o cotidiano rural das exigências administrativas e sanitárias do estado.

Quem deixa de declarar o rebanho pode ter o trânsito dos animais bloqueado e fica sujeito às penalidades previstas pela defesa sanitária estadual. Para um município com centenas de milhares de caprinos, essa regra mostra como a escala produtiva também exige cadastro regular e controle sanitário. O cotidiano sertanejo continua ligado aos animais, mas hoje também passa por registros oficiais mantidos pelo estado.

Quando o rebanho explica o território

Floresta mostra como uma estatística agropecuária pode revelar muito mais que o tamanho de um rebanho em uma cidade do sertão brasileiro. Os caprinos superam com folga a população humana, enquanto o município permanece entre os grandes criadores brasileiros em sucessivos levantamentos oficiais. Os antigos currais também ligam esse presente a uma ocupação territorial marcada pela pecuária e pela circulação de animais durante muitas gerações sertanejas. Se você gosta de conhecer o Brasil por detalhes inesperados, vale guardar este município como exemplo dessa relação duradoura entre território, história e criação.

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Tags: animaiscidadescuriosidadesustentabilidade
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