é a área da Grande Mancha de Lixo do Pacífico, três vezes o território da França.
Fonte: Lebreton et al., Scientific Reports (2018)
A Grande Mancha de Lixo do Pacífico fica entre o Havaí e a Califórnia. Ela ocupa 1,6 milhão de km², segundo estudo publicado em 2018 na revista Scientific Reports. A pesquisa foi liderada pela organização The Ocean Cleanup. A área equivale a três vezes o território francês, mas a mancha não aparece em imagens de satélite. A maior parte do plástico é pequena demais ou flutua logo abaixo da superfície. O nome ilha, aliás, engana. A mancha fica no giro do Pacífico Norte, onde correntes circulares prendem os detritos.
Como os cientistas mediram o tamanho da mancha?
A equipe combinou coletas no mar com um levantamento aéreo feito entre 2015 e 2016, cobrindo toda a área de acúmulo. O trabalho de campo e de análise reuniu:
- uma expedição com dezenas de embarcações cruzando a região ao mesmo tempo;
- centenas de coletas com redes de arrasto na superfície;
- dois voos de avião com sensores para contar os detritos maiores;
- modelos de computador para estimar a massa total acumulada;
- a comparação com estimativas de estudos anteriores.

Do que é feito o maior acúmulo de plástico do oceano?
O estudo estimou cerca de 79 mil toneladas de plástico, espalhadas em 1,8 trilhão de fragmentos. Os microplásticos, com menos de 5 milímetros, somam 94% das peças, mas só 8% da massa. As redes de pesca abandonadas respondem por 46% do peso, e o total ficou de 4 a 16 vezes acima das estimativas anteriores. Para dar escala, a The Ocean Cleanup compara esse peso ao de cerca de 500 aviões jumbo. Os autores indicam que o acúmulo cresce rapidamente, e não de forma estável.
Os números mudam a imagem que a maioria das pessoas tem da ilha de lixo. Os cartões abaixo resumem o que a pesquisa mediu.
Por que o satélite não enxerga esse lixo flutuante?
O satélite não enxerga a mancha porque ela não é uma ilha sólida, e sim uma sopa de fragmentos espalhados por uma área enorme. A NOAA, agência oceânica dos Estados Unidos, explica que boa parte do material é microplástico, invisível a distância. Muitos pedaços ficam suspensos abaixo da linha d’água, fora do alcance das câmeras orbitais. A concentração é alta para o oceano, mas baixa demais para formar uma superfície contínua. Para ver o plástico, é preciso recolher amostras com redes finas. A NOAA lembra que há acúmulos parecidos em outros giros oceânicos do planeta.
O que pode reduzir o plástico que chega ao mar?
Parte do plástico do oceano começa em rios, praias e bueiros das cidades, levado pela chuva e pelas correntes. Algumas atitudes cortam esse caminho na origem:
- troque sacolas e copos descartáveis por versões reutilizáveis;
- separe o reciclável e entregue na coleta seletiva;
- não deixe lixo na praia, no rio ou perto do bueiro;
- recuse canudos e talheres plásticos nos pedidos de delivery.
As redes de pesca, porém, dependem de regras para o setor pesqueiro. O dado mais forte do estudo explica por quê.
Lebreton et al., Scientific Reports, 2018
O que a mancha do Pacífico revela sobre o nosso lixo?
A mancha mostra que o plástico do oceano é menos visível e mais disperso do que a ideia de uma ilha sugere. O estudo na Scientific Reports ainda aponta a pesca como fonte central, ao lado do descarte urbano. Menos plástico descartado em terra e regras para os equipamentos de pesca reduzem o que chega ao giro do Pacífico.
E você, já tinha imaginado a ilha de lixo como um bloco sólido no mar? Conte nos comentários o que mais surpreendeu nesses números.
