E se a maior tomada de energia do planeta ficasse em alto-mar?
A Bélgica respondeu com blocos de concreto do tamanho de prédios. Entenda a obra ⬇️
No meio do Mar do Norte, a Bélgica ergue a Ilha Princesa Elisabeth, a primeira ilha artificial de energia do planeta, e as paredes já estão de pé. Entre 2025 e 2026, 23 blocos de concreto com cerca de 22 mil toneladas cada foram posicionados no fundo do mar. Pense numa tomada gigante: os parques eólicos mandam a eletricidade para lá antes de ela seguir para a costa.
Como funciona uma tomada gigante no meio do mar?
A ilha funciona como ponto de encontro: os cabos dos parques eólicos chegam até ela, a eletricidade é organizada ali e depois segue para a rede em terra. A obra é conduzida pela Elia, operadora da rede de transmissão belga. A estrutura fica a 45 quilômetros da costa.
Em vez de cada parque puxar um cabo próprio até a praia, a estrutura concentra tudo num só ponto. A lista abaixo mostra o que ficará instalado ali.
- Equipamentos de alta tensão em corrente alternada e em corrente contínua, combinação inédita numa ilha artificial.
- Conexões para cabos submarinos que ligarão a Bélgica ao Reino Unido e à Dinamarca.
- Um pequeno porto para a chegada das equipes de manutenção.
- Área de cerca de seis hectares, com o interior preenchido por areia.

Por que a Bélgica precisa de uma ilha artificial?
Porque os novos parques eólicos ficam longe da costa, e ligar cada um deles à terra custaria caro. A zona Princess Elisabeth ocupa 285 km² e reunirá até 3,5 gigawatts em três áreas de geração. Estimativas da imprensa especializada falam em energia para cerca de 3 milhões de lares.
O ponto central também abre espaço para trocar eletricidade com países vizinhos, o que reforça a independência energética belga. A ilha de energia ainda nasce com desenho pensado para beneficiar a biodiversidade e com vida útil prevista de 100 anos, segundo a fabricante do cimento usado nos blocos.
Quais números impressionam nessa obra gigante?
Peso, distância e potência resumem o tamanho do desafio. Os três cartões a seguir reúnem esses dados.
Quanto custa e o que ainda falta construir?
O custo virou assunto sensível na Bélgica. A estimativa inicial era de 2,2 bilhões de euros, e jornais belgas chegaram a citar 7 bilhões, valor que nem a Elia nem o governo confirmaram na época.
O consórcio TM Edison, formado pelas empresas belgas DEME e Jan De Nul, fabricou os blocos em Vlissingen, na Holanda. Cada um foi posicionado no mar em um ciclo de cerca de 24 horas. A DEME e a Jan De Nul seguem à frente das próximas fases.
As fundações estão prontas, mas a obra está longe do fim. A sequência abaixo mostra o que vem pela frente.
- Preencher o interior dos caixões com areia e nivelar o terreno.
- Instalar a infraestrutura elétrica de alta tensão, com prazo até 2030.
- Conectar os parques eólicos da zona Princess Elisabeth.
- Ligar os cabos que levarão a energia ao Reino Unido e à Dinamarca.
O que essa ilha muda para o futuro da energia?
A estrutura mostra que a energia do vento pode ganhar infraestrutura própria no mar, com menos cabos e mais troca entre países. Mesmo com o custo em debate, o projeto aponta um caminho que outros países do Mar do Norte já observam de perto.
E você, acha que vale investir tanto numa tomada gigante no meio do oceano? Conta pra mim o que pensa.
