🫒 E se a mesma terra desse azeite e energia ao mesmo tempo?
Uma engarrafadora na Espanha colocou uma usina solar suspensa sobre o olival, e as árvores seguem de pé. Entenda como a conta fecha ⬇️
Em Vilches, na província espanhola de Jaén, uma engarrafadora de azeite decidiu que energia solar e olival não precisam disputar o mesmo chão. Em vez de arrancar árvores, ela ergue 5.150 painéis solares sobre estruturas de aço a mais de quatro metros de altura. O resultado é uma área que produz azeitona e eletricidade ao mesmo tempo, sem tirar uma única oliveira do lugar.
Por que os painéis ficam a quatro metros do chão?
Porque a colheitadeira precisa passar por cima das árvores sem esbarrar na estrutura. A oliveira tradicional dessa região para de crescer perto de dois metros, mas a máquina que colhe a azeitona alcança cerca de três metros e meio de altura.
Pense em um túnel por onde a colheitadeira atravessa o olival. Basta comparar as três medidas para entender por que a folga de meio metro foi calculada com tanto cuidado.
- Oliveiras: crescem até cerca de 2 metros e depois estabilizam.
- Colheitadeira: exige aproximadamente 3,5 metros de altura livre.
- Placas fotovoltaicas: ficam a mais de 4 metros, deixando margem para a máquina.

Como a colheitadeira de tronco trabalha sob a estrutura?
Ela avança sobre a fileira, abraça o tronco de cada oliveira e o sacode até a azeitona se soltar. Como a máquina passa por cima da copa, a estrutura de aço precisa ser alta o bastante para não interferir nesse movimento.
Esse tipo de equipamento é usado em olivais de plantio denso. O desafio na Espanha foi desenhar uma usina solar que respeitasse a rotina da colheitadeira, e não o contrário. O conjunto soma 3,65 MWp de potência e conta com uma bateria de 3 MWh para a planta de engarrafamento.
Quanto a sombra dos painéis prejudica as oliveiras?
Menos do que se imagina, pelo que mostram as simulações. Um estudo da Universidade de Jaén concluiu que as oliveiras têm sensibilidade moderada ao sombreamento, o que as torna candidatas naturais a esse tipo de arranjo.
Os pesquisadores simularam um olival da região com módulos bifaciais, variando altura e inclinação. Três recortes do trabalho ajudam a entender o saldo.
Há um porém importante. Os próprios autores lembram que o trabalho é um modelo de simulação e que ainda precisa de validação com dados reais de colheita. O arranjo simulado também difere do de Vilches, porque os módulos ficam entre as fileiras de árvores, e não sobre elas.
A mesma terra realmente rende duas colheitas?
Em tese, sim, e o ganho vai além da azeitona e da energia. O estudo cita trabalhos segundo os quais esse modelo modera a temperatura sob os painéis e pode economizar até 29% da água de irrigação, conforme o nível de sombra.
A promessa é atraente, mas ainda depende de provas fora do computador. Os próprios autores apontam o que falta para fechar a conta.
- Dados de campo sobre a produção das oliveiras sob a estrutura.
- Estudo econômico que avalie a rentabilidade do sistema.
- Análise do custo das estruturas altas, que encarecem a obra.
O que essa ideia muda para o futuro do azeite?
O mundo tem mais de 850 milhões de oliveiras espalhadas por cerca de 8,7 milhões de hectares. Se a fórmula de Vilches funcionar no campo, a terra que já produz azeite poderá também gerar a energia de quem engarrafa.
E você, aceitaria dividir o seu chão com painéis solares se a colheita continuasse a mesma?
