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Em 1972, cientistas começaram a acompanhar 1.037 bebês de uma cidade da Nova Zelândia; 54 anos depois, o estudo continua

Alexandre Zambiasi Alexandre Zambiasi
02/10/2026 15:57
Em 1972, cientistas começaram a acompanhar 1.037 bebês de uma cidade da Nova Zelândia; 54 anos depois, o estudo continua

Estudo acompanha bebês de 1972 até hoje na Nova Zelândia - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

🔬

E se uma pesquisa durasse a vida inteira dos seus participantes?

Mais de cinco décadas atrás, um grupo de pesquisadores fez uma aposta ousada com bebês recém-nascidos, e ela ainda rende descobertas. Entenda como essa história começou ⬇️

Em 1972, uma maternidade da Nova Zelândia deu início a uma pesquisa que atravessa gerações. O Estudo de Dunedin acompanha 1.037 pessoas desde o nascimento e registra saúde, comportamento e desenvolvimento a cada fase da vida. Passados 54 anos, a coorte continua ativa e entrega respostas sobre como a infância molda o futuro.

Como começou o estudo de Dunedin na Nova Zelândia?

Tudo começou com bebês nascidos entre 1º de abril de 1972 e 31 de março de 1973, na maternidade Queen Mary, em Dunedin. A pesquisa nasceu com Phil Silva na Faculdade de Medicina de Dunedin, ligada à Universidade de Otago. Hoje, o projeto soma mais de 1.300 publicações e relatórios.

O acompanhamento formal foi estabelecido quando as crianças completaram 3 anos. Desde então, a equipe neozelandesa voltou a examinar os participantes em intervalos regulares, formando um banco de dados detalhado sobre uma única geração. O financiamento combinou órgãos da Nova Zelândia, dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Pesquisa de 54 anos revela como a infância molda o futuro – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Quais etapas marcaram o acompanhamento dos participantes?

As etapas variaram conforme a idade, das visitas frequentes na infância até a rodada atual de meia-idade. O bloco abaixo organiza essas fases por período.

🧭 Linha do tempo do Estudo de Dunedin

👶
Infância
Avaliações aos 3 anos e, em seguida, em intervalos regulares até os 15.
🎓
Juventude e vida adulta
Novas rodadas aos 18, 21, 26, 32, 38 e 45 anos.
🧬
Meia-idade
Fase dos 52 anos, entre 2024 e 2026, com a coleta de dados concluída.
Fonte: Dunedin Multidisciplinary Health and Development Study, com informações da Universidade de Otago e da Duke University.

A rodada dos 52 anos, realizada entre 2024 e 2026, teve a coleta de dados concluída pela equipe de Otago. Para os participantes, isso representa mais de cinco décadas de vida registradas em detalhe. Esse calendário longo permite comparar a mesma pessoa em momentos muito diferentes, algo raro em pesquisas de curta duração.

A cada rodada, a equipe coletou dados sobre saúde cardiovascular, respiratória, bucal, reprodutiva e mental. O projeto também foi uma das primeiras a coletar DNA e, mais recentemente, passou a coletar RNA para estudar a expressão dos genes.

O que o autocontrole na infância revelou sobre a vida adulta?

Quem tinha menos autocontrole na infância chegou aos 32 anos com mais problemas de saúde, dinheiro e condenações criminais. A pesquisadora Terrie Moffitt e colegas mediram essa habilidade em mais de mil participantes durante a primeira década de vida. A avaliação reuniu relatos de observadores, pais, professores e dos próprios participantes.

O trabalho de Moffitt saiu em 2011 na revista PNAS e comparou crianças em todos os níveis de autocontrole. Os principais achados aparecem a seguir.

  • Saúde: mais problemas físicos e dependência de substâncias na vida adulta.
  • Dinheiro: renda menor, poupança fraca e dificuldades de crédito.
  • Justiça: maior probabilidade de condenação criminal.
  • Padrão: o efeito apareceu em meninos e meninas, em todos os níveis, mesmo após descontar QI e classe social.

Houve ainda uma boa notícia. Participantes que melhoraram o autocontrole ao crescer tiveram resultados melhores do que os previstos pelas notas da infância. Para os autores, essa habilidade pode ser ensinada, e programas voltados a ela poderiam reduzir gastos com saúde, justiça e dependência química.

Por que um acompanhamento tão longo importa tanto?

Um acompanhamento longo importa porque mostra, em pessoas reais, mudanças que estudos curtos não conseguem captar. Os números do Estudo de Dunedin ajudam a medir essa força.

  1. Adesão rara: mais de 92% dos participantes seguem colaborando após mais de 50 anos, segundo a universidade neozelandesa.
  2. Volume de conhecimento: são mais de 1.300 publicações e relatórios sobre saúde e comportamento.
  3. Impacto prático: resultados que ajudaram a orientar decisões de governos na Nova Zelândia e no exterior.

Hoje, a professora Moana Theodore dirige a unidade responsável, após a morte de Richie Poulton, que a comandou desde 2000. Esse vínculo duradouro com os participantes torna cada nova rodada de dados ainda mais valiosa para quem estuda saúde e comportamento.

O que essa longa jornada pode ensinar a você?

A história de Dunedin mostra que os primeiros anos pesam bastante, mas que mudar de rota continua possível. Os bebês de 1972 se tornaram, sem saber, mestres de uma geração inteira de pesquisadores. E você, o que mudou em si desde a infância? Conta nos comentários!

Tags: autocontrole na infânciacoorte de nascimentoEstudo de DunedinNova Zelândiapesquisa longitudinal
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