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Home Curiosidades

Arqueólogos encontram túmulo de “vampiro” na Europa: por que enterravam mortos com foice no pescoço

Alexandre Zambiasi Alexandre Zambiasi
06/10/2026 16:37
Arqueólogos encontram túmulo de "vampiro" na Europa: por que enterravam mortos com foice no pescoço

Arqueólogos acham 'vampira' com foice no pescoço - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

🧛

Ela foi enterrada com cadeado no pé e foice na garganta

E se o medo de um vilarejo inteiro estivesse escrito em uma única sepultura? Os arqueólogos encontraram essa resposta em Pień, e ela é mais humana do que parece. ⬇️

Uma jovem de 17 a 19 anos foi sepultada no século 17 com um cadeado no pé. Pouco depois, ganhou uma foice sobre a garganta. Esse túmulo de vampiro, descoberto na Polônia, expõe o pânico de uma comunidade que temia a volta dos mortos. Um estudo de 2026 explica quem era a moça e por que alguém reabriu a cova.

Onde foi encontrado o túmulo de vampiro?

O achado aconteceu em Pień, vilarejo do norte da Polônia, na região de Cuiávia-Pomerânia. Arqueólogos da Universidade Nicolau Copérnico, em Toruń, escavaram a sepultura em 2022 sob a liderança do professor Dariusz Poliński.

O cemitério não aparece em mapas históricos e reúne 101 sepulturas, ao menos uma dúzia delas fora do padrão. Para os pesquisadores, é a maior necrópole desse tipo já localizada no país. A equipe apelidou a jovem de Zosia.

Túmulo de vampiro na Polônia revela medo do século 17 – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Como era o enterro da jovem encontrada em Pień?

O enterro misturava riqueza e medo, algo raro em um túmulo antivampiro. Os cientistas cruzaram DNA, isótopos e datação por radiocarbono para montar o retrato da jovem, e os dados principais seguem abaixo.

  • Idade e época: 17 a 19 anos, morte entre 1620 e 1674.
  • Foice de ferro com cerca de 36 cm, lâmina apontada para a garganta.
  • Cadeado triangular preso ao dedão do pé esquerdo.
  • Restos de seda e fios de ouro e prata, sinal de família rica.
  • Cemitério afastado da vila, perto de um cruzamento, provável espaço de rejeitados.

O DNA sugere uma linhagem de origem escandinava, mas os isótopos dos dentes indicam uma infância perto de Pień. A causa da morte segue desconhecida, pois não há sinais claros de violência, e novas pesquisas paleopatológicas continuam em andamento.

Por que enterravam mortos com foice no pescoço?

Porque o folclore eslavo dizia que a lâmina decapitaria o morto caso ele tentasse sair da cova. A foice funcionava como armadilha simbólica contra o retorno do defunto.

Na época, a palavra vampiro ainda era pouco usada e só se popularizou no século 18. Mesmo assim, a Europa Central e do Sudeste registra centenas de enterros antivampiro, do fim da Idade Média ao período moderno. Estacas, decapitação, espinhos e cremação também faziam parte do repertório do medo.

No século 17, guerras, epidemias e fome castigavam a Polônia. Nesse cenário, culpar um morto por desgraças ajudava a explicar o que ninguém entendia.

O caso de Pień ganha força porque os fatos ocorreram em etapas. O quadro abaixo mostra a sequência.

Linha do tempo da sepultura 75

🪦

Enterro original
Entre 1620 e 1674, a jovem é sepultada com um cadeado triangular no dedão do pé esquerdo.
🌾

Cova reaberta
Pouco depois, alguém abre a sepultura e coloca uma foice de cerca de 36 cm sobre o pescoço, com a lâmina voltada para a garganta.
🔬

Descoberta e estudo
A escavação ocorre em 2022. A análise multidisciplinar é publicada em 2026, com datação, DNA e isótopos.
Fonte: Poliński et al., Journal of Archaeological Science: Reports, 2026.

O que o estudo de 2026 descobriu sobre o caso?

A equipe concluiu que a foice entrou na sepultura depois, quando alguém reabriu a cova. A análise saiu no Journal of Archaeological Science: Reports e reuniu pesquisadores de seis instituições.

Cada técnica trouxe uma pista própria sobre o enterro. Confira o que cada uma indicou.

  1. Solo misturado dentro da cova: sinal de que alguém a reabriu.
  2. Juntas do esqueleto no lugar: o corpo ainda não estava totalmente decomposto.
  3. Cabo de bétula na foice: material identificado pela análise da madeira.
  4. Cadeado no dedão: item colocado já no primeiro enterro.

Segundo Poliński, as precauções no primeiro enterro e depois da reabertura revelam o medo imenso que cercava Zosia. Esse é o primeiro caso documentado na Polônia com cadeado e foice na mesma sepultura.

O que esse túmulo de vampiro revela sobre o passado?

A sepultura de Zosia mostra que o medo de epidemias, fome e guerras podia recair sobre uma jovem de família rica. O enterro antivampiro, longe de provar monstros, revela pessoas assustadas tentando proteger a própria comunidade. Me conta nos comentários: você teria coragem de visitar esse cemitério?

Tags: enterro antivampirofoice no pescoçotúmulo de vampirovampira de Pieńvampiro na Polônia
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