Deixar uma luz acesa dia e noite enquanto a família viaja é um truque antigo, e muitas vezes entrega o contrário do que se quer. Uma lâmpada que nunca apaga pode indicar que não há ninguém em casa. Pesquisadores da Nottingham Trent University, no Reino Unido, chegaram a outra conclusão. A proteção real vem de uma combinação de travas e luzes que acendem e apagam sozinhas.
Por que a luz acesa o tempo todo não funciona?
Porque uma casa de verdade não tem a mesma luz acesa 24 horas por dia. Quem observa a rua por alguns dias percebe rapidamente o padrão.
Uma luz ligada em plena tarde de sol, ou acesa às 4h da manhã todos os dias, foge da rotina de qualquer família. O sinal pode ser lido como ausência, e não como presença. O estudo britânico, aliás, recomenda luzes internas com temporizador, que imitam o hábito de quem está em casa.

O que o estudo descobriu sobre segurança da casa?
O estudo descobriu que a combinação de quatro itens torna a casa 49 vezes mais protegida contra arrombamentos. A análise usou 20 anos de dados da pesquisa nacional de crimes da Inglaterra e do País de Gales.
A combinação ganhou o apelido de WIDE, formado pelas iniciais em inglês de cada item. Arraste para conhecer as quatro peças:
🪟
Trava nas janelas
Janelas com trava dificultam a entrada pelo ponto mais vulnerável da casa.
💡
Luz interna com timer
Lâmpadas que acendem e apagam em horários definidos simulam a rotina da família.
🚪
Fechadura reforçada
Portas com tranca dupla ou ferrolho resistem mais à tentativa de arrombamento.
🔦
Luz externa com sensor
Refletores com sensor de presença ou timer iluminam quem se aproxima.
📊
O resultado
Casas com os quatro itens ficaram 49 vezes mais protegidas. Fonte: Nottingham Trent University, 2019.
👉 Arraste para o lado
Segundo a Nottingham Trent University, os alarmes sozinhos não trouxeram proteção extra nos dados analisados. A pesquisadora Rebecca Thompson afirmou que a combinação WIDE é a que oferece o melhor custo-benefício.
Nos dados britânicos, o alarme isolado chegou a aparecer associado a um risco levemente maior de arrombamento. Quando somado a outros itens, ele ainda reduziu a proteção que esses itens dariam sozinhos. Os autores não afirmam que o alarme atrai ladrões, mas o resultado mostra que ele não substitui travas e luzes bem pensadas.
Quais são os limites do estudo feito no Reino Unido?
O principal limite é o contexto. A pesquisa usou dados da Inglaterra e do País de Gales, onde o perfil dos crimes e das casas é diferente do Brasil.
O estudo também mostra associação, e não prova que cada item sozinho impede um crime. Mesmo assim, a lógica central vale em qualquer lugar: quanto mais difícil e visível for a entrada, menor o interesse do invasor. Ao adaptar a ideia para a sua casa, considere estes pontos:
- Grades e portões já fazem parte da rotina de muitas casas brasileiras.
- Tomadas inteligentes baratas permitem programar luzes pelo celular.
- Um vizinho de confiança vale como os olhos da casa durante a viagem.
- Correspondência acumulada na porta denuncia a ausência tanto quanto a luz.

O que fazer com as luzes antes de viajar no feriado?
O ideal é imitar a rotina de quem está em casa e reforçar as entradas. Pequenos ajustes, feitos antes de sair, já mudam a impressão de quem passa pela rua.
Programe uma ou duas luzes para acender no começo da noite e apagar perto da hora de dormir. Se puder, use horários diferentes em cômodos diferentes, como a sala primeiro e o quarto depois. Peça a alguém para recolher jornais e encomendas. E evite anunciar a viagem nas redes sociais enquanto ainda estiver fora.
Vale trocar a luz acesa por uma rotina programada?
Vale, porque uma casa que parece viva assusta mais do que uma lâmpada esquecida. Travas, timers e um vizinho atento formam uma proteção simples e barata. Antes de pegar a estrada, revise as entradas da casa e conte para a gente qual cuidado você nunca deixa de lado.
