O adolescente Michael Haskell pagou US$ 450 pelo conteúdo de um depósito em Nova York e encontrou obras associadas a artistas reconhecidos. A descoberta aconteceu em meio à sua rotina de compra e revenda de objetos esquecidos. Entretanto, o valor divulgado para a venda das peças varia entre relatos, e essa diferença ajuda a entender o verdadeiro alcance do episódio.
Como o adolescente comprou um depósito abandonado por US$ 450 em Nova York?
Morador de Nova Jersey, Haskell adquiriu o conteúdo de uma unidade de armazenamento no Brooklyn, bairro de Nova York, por apenas US$ 450. Ele já participava de leilões desse tipo, nos quais compradores disputam objetos deixados em espaços de guarda. Contudo, o lance não significou comprar o imóvel, mas assumir os bens que estavam dentro daquela unidade.
Em Nova York, empresas podem vender bens armazenados para cobrar determinados valores em atraso, desde que cumpram procedimentos legais. A legislação estadual sobre depósitos e leilões prevê notificações, prazos e condições para essas vendas. Assim, a história envolve um mecanismo comercial regulamentado, embora ninguém possa garantir que um espaço arrematado contenha objetos de valor histórico ou artístico.
O que havia dentro do depósito e quem era seu antigo proprietário?

O depósito havia pertencido a Andrew Crispo, um negociante de arte que ganhou notoriedade no mercado nova-iorquino durante os anos 1980. Entre os objetos, o adolescente encontrou uma pintura atribuída a Man Ray e seis desenhos associados a Walt Kuhn. A combinação chamou atenção porque reuniu materiais ligados a dois nomes importantes, embora suas trajetórias artísticas fossem bastante diferentes.
Man Ray transitou entre fotografia, pintura, cinema e objetos experimentais, tornando-se uma referência para o surrealismo e para o movimento dadaísta. Conforme apresenta o Museu de Arte Moderna de Nova York, seu trabalho explorou maneiras pouco convencionais de produzir imagens. Entretanto, encontrar uma obra com assinatura ou atribuição famosa não basta, por si só, para estabelecer sua autenticidade ou seu preço.
Por que os nomes de Man Ray e Walt Kuhn deram importância à descoberta?
O interesse artístico ultrapassa o valor alcançado por peças individuais. Man Ray, que viveu entre 1890 e 1976, ajudou a expandir a fotografia experimental e trabalhou com técnicas sem câmera. Dessa forma, sua presença em um conjunto particular chama atenção para a circulação de obras modernistas fora de museus e exposições.
Walt Kuhn, nascido em 1877, também participou de mudanças decisivas na arte dos Estados Unidos, embora seguisse outro percurso criativo. Segundo a National Gallery of Art, ele ajudou a organizar a exposição conhecida como Armory Show, em 1913. O evento apresentou correntes modernas europeias ao público americano, enquanto Kuhn desenvolveu uma produção própria, marcada especialmente por retratos de artistas de palco.
Quanto as obras encontradas renderam depois da compra de US$ 450?
Relatos publicados sobre o episódio não apresentam um valor único para o resultado da venda das obras. As primeiras versões falaram em quase US$ 50 mil por peças negociadas com participação da casa de leilões Bonhams. Posteriormente, outras informações apontaram US$ 36 mil como total obtido com a pintura e os desenhos encontrados.
Por isso, os dois números precisam aparecer com suas respectivas ressalvas, e nenhum deles deve funcionar como lucro líquido confirmado. Sem identificar os lotes e seus resultados documentais, não é possível esclarecer completamente a diferença entre as cifras divulgadas. Também faltam dados suficientes sobre taxas, transporte e outras despesas que separariam a receita da venda do ganho final do adolescente.
Como Michael Haskell transformou depósitos esquecidos em uma atividade comercial?
O episódio mais conhecido não surgiu de uma única compra fortuita. Antes dele, Haskell já negociava livros e objetos colecionáveis, e seu primeiro depósito custou somente US$ 10. Desse espaço, ele retirou um cilindro de dióxido de carbono que conseguiu revender por US$ 40, experiência que incentivou novas tentativas.
Depois, ampliou a atividade com anúncios na internet e pesquisas para reconhecer artigos pouco comuns, recorrendo inclusive a ferramentas digitais. Em 2025, seu negócio registrou aproximadamente US$ 135 mil em vendas, montante que não equivale ao lucro obtido. Entretanto, cada unidade exige retirada, triagem, armazenamento e busca de compradores, e objetos pessoais sem mercado também aparecem entre os achados.
O valor inesperado de objetos que pareciam esquecidos
A descoberta mostra como objetos ligados à história da arte podem reaparecer em lugares improváveis, longe dos circuitos tradicionais de exposição. Ainda assim, o contraste entre os valores divulgados exige cuidado ao interpretar o negócio. E você, imaginaria encontrar uma obra desse tipo entre os objetos guardados em um depósito comum?
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