Uma formação de cerca de 160 metros, com contorno parecido com o casco de um navio, voltou ao centro das atenções na Turquia. É o sítio de Durupınar, associado há décadas à Arca de Noé. Em 2026, uma equipe internacional examinou o subsolo com radar e encontrou estruturas de bordas regulares. Os dados, porém, ainda não provam que exista um barco ali. A pesquisa reacende um dos debates mais antigos entre fé e ciência.
O que é a formação de Durupınar, perto do Monte Ararat?
É uma elevação de terra e rocha em forma de barco, no Monte Tendürek, no leste da Turquia. Ela fica perto da vila de Üzengili, a cerca de 3 quilômetros da fronteira com o Irã.
A região é a mesma do Monte Ararat, o pico mais alto da Turquia, apontado pela tradição como local de pouso da arca. A formação está a cerca de 29 quilômetros do cume.
O nome vem do capitão do exército turco İlhan Durupınar, que identificou o formato numa foto aérea de 1959. A semelhança com a descrição bíblica alimentou a hipótese da arca. O livro de Gênesis fala em 300 côvados de comprimento, medida que varia de cerca de 135 a 157 metros, conforme o côvado usado.
Desde 2011, pesquisas ligadas à arca no local ficam sob supervisão de um conselho de professores da Universidade Ağrı İbrahim Çeçen. O sítio também virou atração turística na região de Doğubayazıt.
A história do local tem idas e vindas, resumidas abaixo:
O que os cientistas encontraram na pesquisa de 2026?
Encontraram anomalias no subsolo com bordas regulares, algumas formando ângulos retos. O projeto é liderado pelo professor Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet.
Segundo o site especializado Arkeonews, cerca de 20 pesquisadores de cinco países participaram dos trabalhos. Análises preliminares indicaram cerca de 40% mais carbono no solo de dentro da formação do que no de fora.
A equipe evitou escavar o sítio nesta fase. As ferramentas usadas foram estas:
- Radar de penetração no solo.
- Mapeamento por GPS.
- Modelos do terreno em 3D.
- Análise de amostras de solo em laboratório.
Os pesquisadores planejam analisar cerca de mil amostras. Um relatório completo deve sair em 2027. Escavações só devem acontecer se as amostras e as perfurações trouxerem indícios fortes.
É importante separar o que foi medido do que foi interpretado. O radar registrou contrastes no subsolo, e o laboratório mediu carbono. A ligação desses dados com uma embarcação ainda é uma hipótese da equipe.

Por que geólogos duvidam que seja a Arca de Noé?
Porque as evidências conhecidas se explicam bem por processos naturais. Um estudo de 1996, publicado no Journal of Geoscience Education, descreveu a forma como uma dobra das camadas de rocha.
O estudo foi assinado pelo geólogo Lorence Collins e por David Fasold, que antes defendia a tese da arca. Os autores atribuíram supostas peças de ferro e madeira petrificada a minerais vulcânicos.
Os pontos que pedem cautela na leitura dos novos dados são estes:
- O radar mostra contrastes no subsolo, mas não identifica se algo é madeira, parede ou rocha.
- Mais carbono no solo pode vir de matéria orgânica comum e não indica idade.
- Nenhuma datação por radiocarbono foi divulgada até agora.
- Um relatório de 2025 do geólogo turco Eşref Atabey também defende origem natural.
Projeto de pesquisa em Durupınar, Turquia
O mistério de Durupınar deve ser resolvido em breve?
Ainda não há resposta definitiva, mas os resultados laboratoriais previstos para 2027 devem trazer dados mais concretos. Até lá, a formação segue como uma curiosidade geológica cercada de fé e debate. Acompanhe as próximas notícias com olhar crítico e conte para a gente o que você acha desse mistério.
