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Home Cidades

Vista do alto, enormes dunas brancas do Maranhão ganham centenas de lagoas temporárias após as chuvas e formam uma paisagem que muda de desenho ao longo do ano

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
10/10/2026 07:10
Vista do alto, enormes dunas brancas do Maranhão ganham centenas de lagoas temporárias após as chuvas e formam uma paisagem que muda de desenho ao longo do ano

Dunas e lagoas formam um mosaico que muda com as chuvas - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Do alto, faixas de areia clara se curvam como ondas imóveis, enquanto manchas azuis ocupam os intervalos depois das chuvas. Nos Lençóis Maranhenses, o cenário não conserva a mesma aparência por muito tempo: a água chega, recua e deixa o vento redesenhar as dunas. No litoral do Maranhão, essa mudança transforma uma paisagem aparentemente desértica em um mosaico de água doce.

Por que surgem lagoas entre as dunas dos Lençóis Maranhenses?

🏛️ 1981: Criação do parque nacional para proteger as dunas e seus ecossistemas.
🌿 2024: Inclusão dos Lençóis Maranhenses na Lista do Patrimônio Mundial.
🚀 Hoje: Proteção federal de um ambiente que continua mudando naturalmente.

As lagoas aparecem quando as chuvas elevam o lençol freático e acumulam água doce nas depressões entre as dunas. Ao contrário do que sugere a areia clara, esse trecho costeiro recebe chuvas suficientes para renovar a paisagem. Por isso, as lagoas temporárias crescem no período úmido e perdem água ao longo dos meses secos.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), essas lagoas recebem água exclusivamente da chuva, não do oceano. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses abriga também lagoas permanentes, portanto nem toda superfície azul desaparece na estação seca. Em seus cerca de 156 mil hectares, convivem dunas, restingas e manguezais, numa transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia.

Por que as dunas mudam de desenho a cada ano?

Lençóis Maranhenses chamam atenção pelo contraste entre dunas e lagoas // Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

Algumas dunas avançam entre 4 e 25 metros por ano, conforme os registros apresentados pela UNESCO. Isso significa que a faixa de areia vista de cima pode mudar de contorno de uma temporada para outra. Os ventos empurram os grãos para o interior, formando longas cadeias curvas e montes que atingem até 30 metros.

Enquanto isso, a água ocupa novas depressões e reaparece em formatos diferentes após o retorno das chuvas. Em 8 de junho de 2026, o satélite Landsat 9 registrou centenas de lagoas espalhadas entre as dunas. A imagem divulgada pela Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (NASA) revela como areia e água se alternam na paisagem. Assim, os Lençóis não formam um conjunto de piscinas fixas, mas um sistema costeiro em movimento.

O que visitar nos Lençóis Maranhenses?

Os circuitos partem de diferentes localidades e mostram cenários que variam conforme as chuvas. Por isso, vale combinar passeios conhecidos com outros menos procurados e confirmar as condições das lagoas antes de sair.

  • Lagoa Azul: circuito tradicional próximo de Barreirinhas, com caminhada pelas dunas e paradas para banho em lagoas que mudam conforme a estação.
  • Lagoa Bonita: oferece uma vista ampla do campo de dunas depois de uma subida por escadaria de madeira.
  • Lagoa da Esperança: fica entre Barreirinhas e Santo Amaro do Maranhão e se diferencia pela vegetação nativa no entorno.
  • Lagoa das Emendadas: em Santo Amaro, reúne duas lagoas que podem se unir quando o volume de água aumenta.
  • Circuito América: opção menos óbvia, acessível de barco pelo rio Alegre e pelo lago de Santo Amaro, com visita à comunidade América.
  • Travessia dos Lençóis: caminhada de longo curso entre Atins e Santo Amaro, passando por áreas onde o acesso turístico ocorre somente a pé.

Entretanto, nem todos os circuitos mantêm as mesmas lagoas ao longo do ano. Antes de reservar, consulte prestadores credenciados sobre roteiros abertos e condições de visitação.

Qual é a melhor época para encontrar lagoas cheias?

O período mais indicado costuma ir de maio a setembro, quando as lagoas mantêm água e a chuva diminui. Em Barreirinhas, as médias climatológicas mostram precipitação concentrada principalmente entre fevereiro e maio.

🌧️ Mais Chuvosa
Janeiro a Maio 24 °C a 30 °C
🌧️ 145 a 306 mm/mês
O que fazer: Observar a formação e o crescimento das lagoas, conforme as condições de acesso permitirem.
Atenção: As chuvas são muito intensas. É o período vital para a natureza, pois a água acumula entre as dunas para a temporada seguinte.
Status: Estação das águas (lagoas enchendo).
🌧️ FORMAÇÃO DAS LAGOAS
🌟 Transição
Junho e Julho 24 °C a 31 °C
☀️ 45 a 76 mm/mês
O que fazer: Explorar à vontade os circuitos com as lagoas completamente abastecidas.
Dica: As chuvas dão uma trégua e os dias ensolarados predominam, revelando as lagoas no seu nível máximo de água.
Status: 🌟 Melhor Época! Clima perfeito e cenário espetacular.
🌟 LAGOAS ABASTECIDAS
☀️ Menos Chuvosa
Agosto a Novembro 25 °C a 32 °C
☀️ 6 a 14 mm/mês
O que fazer: Priorizar as lagoas que ainda têm água e caminhadas autorizadas pelo parque.
Atenção: É o auge da seca. Com o passar das semanas, a evaporação é alta e grande parte das lagoas desaparece.
Status: Estação seca e quente (lagoas esvaziando).
☀️ TEMPO FIRME E SOL
🏜️ Retorno Gradual
Dezembro 25 °C a 31 °C
🌤️ 44 mm/mês
O que fazer: Contemplar a grandiosidade das dunas e verificar a disponibilidade das lagoas perenes.
Dica: A chuva começa a retornar timidamente, mas o visual árido das areias brancas domina quase toda a paisagem.
Status: Aumento gradual da umidade.
🏜️ DUNAS E PAISAGEM

Nota: os valores são médias climatológicas, não uma previsão da próxima viagem. Consulte a página de climatologia de Barreirinhas no Climatempo.

Como chegar ao parque nacional e organizar a visita?

Quem parte de São Luís percorre aproximadamente 250 km até Barreirinhas ou 225 km até Santo Amaro do Maranhão. Depois do voo até a capital maranhense, o trajeto segue por estrada, em carro ou transporte contratado. Para entrar nas áreas de visitação, entretanto, é preciso respeitar as regras de transporte e condução do parque.

Em Barreirinhas, determinados circuitos exigem travessia do rio Preguiças e veículos 4×4 credenciados. Em Santo Amaro, algumas trilhas permitem chegar caminhando, mas os passeios motorizados também dependem de prestadores autorizados. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) não cobra ingresso, embora operadores turísticos cobrem pelos serviços. Portanto, contrate condutores credenciados, leve água e respeite as restrições de circulação de veículos particulares.

Uma paisagem para voltar

Os Lençóis Maranhenses impressionam porque nenhuma visita encontra exatamente a mesma combinação de vento, areia e água doce da temporada anterior. Da formação das lagoas ao deslocamento das dunas, cada estação revela uma parte diferente da história natural desse litoral brasileiro. Por isso, quem observa a região do alto percebe que sua beleza depende da transformação contínua, não de um cenário imóvel. Se puder, reserve alguns dias para explorar circuitos diferentes, conversar com condutores locais e contemplar sem pressa essa paisagem em constante mudança.

Leia mais:

  • A psicologia afirma que as pessoas que gostam de dias chuvosos são únicas porque olham para dentro de si para analisar suas próprias emoções, sentimentos e pensamentos
  • Chadwick Boseman, “Propósito é um elemento essencial de quem você é”, por que uma profissão e um sentido para a vida não são necessariamente a mesma coisa
  • A Nissin lançou o miojo no Japão em 1958 porque o inventor viu fila de gente com fome no pós-guerra, o preço inicial era seis vezes o do macarrão comum, e os japoneses elegeram o produto a maior invenção do século 20 do país

Tags: curiosidadenaturezaturismo
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