Em 20 de março de 2025, dezenas de turistas chegaram ao Porto de Santos para participar do cruzeiro musical Energia On Board. Mesmo após pagar pela viagem, parte do grupo ficou em terra, enquanto o Costa Pacifica partiu horas depois. A suspeita de venda excessiva de reservas abriu uma disputa sobre o que realmente falhou no embarque.
Como um cruzeiro musical virou confusão no Porto de Santos?
Entre 20 e 23 de março de 2025, o Energia On Board prometia três noites de música, com saída e retorno a Santos. A On Board Entretenimento fretou o Costa Pacifica para apresentações de Paulo Ricardo, Sandra de Sá e artistas internacionais. Nas perguntas frequentes oficiais, a organizadora explicava que a reserva exigia pagamento confirmado e identificação antecipada de todos os passageiros.
Na tarde de quinta-feira, parte dos viajantes chegou ao terminal esperando iniciar as atividades ainda naquele dia, conforme a programação anunciada. Contudo, problemas na conferência das reservas prolongaram o embarque e concentraram passageiros diante dos balcões, enquanto cresciam as dúvidas sobre o acesso. O navio deixou Santos por volta das 2h de 21 de março, depois de um longo atraso e sem transportar todos os clientes.
Por que passageiros que pagaram ficaram sem embarcar?

Os relatos de overbooking, situação de reservas acima das vagas disponíveis, colocaram a comercialização de cabines sob suspeita. Entretanto, a Costa Cruzeiros apresentou outra explicação: alguns clientes chegaram sem formulários necessários ou números de reserva, dificultando a entrada no navio. A companhia afirmou que a organizadora administrava o fretamento e a lista de passageiros, enquanto sua equipe precisava respeitar os protocolos de embarque.
O próprio contrato oficial do cruzeiro atribuía à On Board a efetivação das reservas, a distribuição das cabines e o atendimento aos contratantes. Também exigia um voucher obtido eletronicamente e apresentado em papel, além da documentação pessoal prevista para os viajantes. Essas regras esclarecem etapas do processo, mas não demonstram que problemas individuais de documentação tenham causado todos os impedimentos daquela noite.
Como terminou a espera de quem ficou no terminal?
Durante o check-in, passageiros aguardavam respostas no terminal marítimo Giusfredo Santini, alguns com pagamentos confirmados e sem autorização para entrar no navio. Os depoimentos publicados na época descrevem choro, cansaço e falta de informações, embora não permitam reconstruir a experiência de cada viajante. A chegada das polícias Civil e Federal e da Guarda Portuária indicou que o conflito exigiu uma intervenção além do atendimento habitual.
Segundo reportagens baseadas no registro policial, a organizadora teria informado, por volta das 22h, que não conseguiria embarcar aproximadamente 250 pessoas. Mesmo assim, o cruzeiro seguiu para Angra dos Reis e retornou a Santos no domingo, enquanto parte dos compradores permaneceu em terra. A Polícia Civil registrou investigação por suspeita de estelionato, mas o enquadramento inicial não significa que alguém tenha cometido crime comprovado.
Quantas pessoas perderam o cruzeiro musical?
A Costa Cruzeiros calculou cerca de 100 pessoas sem embarque; já a On Board declarou ter prestado assistência a aproximadamente 90 passageiros. Esses números não descrevem necessariamente o mesmo grupo, pois um se refere aos impedidos e o outro, aos atendidos pela organizadora. Por isso, sem uma relação completa dos compradores, não é possível determinar o total exato de clientes prejudicados nem reconciliar todas as estimativas.
Após a viagem, a On Board prometeu reembolso integral e atendimento individualizado aos clientes que não conseguiram embarcar. A empresa também declarou ter providenciado transporte, alimentação e acomodação em hotel para parte dos passageiros que permaneceram no porto. A promessa, porém, não comprova que todas as devoluções ocorreram, tampouco resolve possíveis pedidos por despesas adicionais e prejuízos individuais.
O que o contrato e os direitos do consumidor esclarecem?
Segundo o Código de Defesa do Consumidor, as ofertas devem apresentar informações claras e as condições anunciadas vinculam o fornecedor. O consumidor também possui direito à reparação de danos, mas a avaliação concreta exige documentos e exame das circunstâncias. Portanto, anunciar um reembolso não encerra automaticamente discussões sobre deslocamento, hospedagem e outros prejuízos que possam ser demonstrados.
O contrato do evento distinguia a confirmação da reserva da emissão do voucher, documento que o passageiro precisava apresentar para embarcar. Assim, pagamento, identificação dos viajantes e liberação da entrada formavam etapas diferentes que deveriam funcionar juntas antes da partida. Contudo, apenas registros completos de vendas, listas efetivamente enviadas à companhia e apurações competentes poderiam indicar a origem de cada impedimento.
O cruzeiro
O cruzeiro musical de Santos expôs as consequências de um embarque frustrado, enquanto versões diferentes impediram uma explicação definitiva do episódio. A experiência mostra a importância de informações consistentes entre quem vende, organiza e opera uma viagem. Você já imaginou chegar ao porto com tudo pago e ver o navio partir sem você?
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